Apoios actuais, impostos futuros.

O covid-19 desencadeou o maior desequilíbrio económico dos tempos modernos, trazendo mais uma vez, enormes aumentos de taxas de desemprego, fecho de negócios e grandes quedas de produção. Para suportar este golpe económico, os governos estão a investir imenso de forma a almofadar os prejuízos.

Com este aumento da despesa governamental, tanto nas empresas como nas pessoas, nasce um novo problema: como financiar esta dívida crescente?

A maneira mais óbvia de o fazer é através de aumento de impostos e redução de despesa, a bem conhecida “austeridade”. A fórmula é clara, mas o grande trauma que as economias estão a sentir possivelmente torna esta formula ainda mais sufocante.

No resultado desta crise o Estado verá a sua receita diminuir drasticamente em função de um turismo quase inexistente, um comércio que retoma a actividade a um ritmo ainda muito lento, e a grande diminuição da circulação de veículos, que reduziu a receita de impostos sobre combustíveis. Não só agora, como nos próximos tempos o consumo tende para valores muito mais baixos que o habitual. Aliado aos problemas directos, lidamos ainda com problemas indirectos como é o caso das poupanças. Em situações de instabilidade e desconhecimento, a maioria dos indivíduos tende a aumentar a poupança. Os que não as conseguem salvaguardar, esgotam-nas entrando em dívida. Sendo os grupos socioeconómicos mais atingidos os que não têm muitas poupanças.

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A acompanhar este ciclo temos economias bastante pulverizadas de pequenos negócios que vão demorar a recuperar. Vão necessitar de apoios do Estado e haverá com certeza muitos que acabarão por falir.

Esta subida de despesa do Estado vai definir uma dependência para a compra de dívida soberana. Prevendo essa solução, mesmo com um maior risco, os países terão de emitir dívida com taxas de juro atractivas, tendo em conta o maior risco associado para os investidores. Esta manobra poderá ser amortizada com uma intervenção central e aqui se define a importância das políticas monetárias do BCE.

Em particular, países como Itália, Espanha e mesmo Portugal que já vinham anteriormente com níveis de dívida em percentagem do PIB bastante altos, a recuperação prevê-se bastante difícil, o que pode levar ao contágio de outros mercados.

Sem medidas realísticas para prevenir esta crise soberana, está traçado o percurso para outro duro golpe na economia Europeia e Mundial.

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