COVID o surto imediato de longa duração

Uma quarentena não será suficiente para controlar este surto pandémico, esta é a premissa de um artigo publicado num recente número da revista Science1, cujo painel é composto, entre outros, por cientistas de Harvard. No citado artigo, a equipa de cientistas alerta para a enorme probabilidade de entrarmos numa fase cíclica de surtos e de constantes ajustamentos. Numa primeira fase no sentido da restrição, para combater o pico de incidências tentando chegar aos poucos à normalização, mas voltando à necessidade de aplicação de novas medidas de restrição, pela dificuldade de manter as incidências críticas de infectados num nível viável para os sistemas de saúde. Assim as previsões apontam para que o próximo ano seja uma repetição de ciclos entre restrição e expansão.

Um exemplo concreto para esta previsão é o exemplo real dos EUA onde o maior foco é Nova Iorque. A cidade americana representa aproximadamente 32% dos casos confirmados e a explicação é a sua enorme densidade populacional. Enquanto este cenário de propagação se desenvolve numa capital, a um ritmo rápido, por outro lado temos um alastramento mais lento nas zonas rurais onde as comunidades são tendencialmente mais velhas e consequentemente com maior número de cidadãos com doenças crónicas ou em condições de saúde mais fragilizadas.

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Com estes ritmos diferentes de propagação do surto é legítimo defender-se que estaremos em constante ajustamento de medidas, pois nunca teremos uma harmonização do ritmo de propagação que vai incidir em períodos diferentes nas comunidades. Teremos assim a necessidade de recorrer às medidas de restrição, como a quarentena, sempre que se levantem suspeitas de descontrolo da propagação nas diferentes áreas.

Na nossa opinião teremos nesta crise uma recuperação mais morosa, por comparação às crises anteriores. Não só nas áreas económicas ligadas ao lazer e turismo, mas também na área industrial. Iremos vivenciar uma evidente queda do consumo causada pelo estado de incerteza e pelas restrições obrigatórias e naturais que forçosamente condicionará a produção de bens, a falência de empresas menos robustas e gerando o efectivo aumento das taxas de desemprego.

Sem uma vacina muito dificilmente regressaremos ao funcionamento normal da economia. Resta-nos aprender a viver em espera.

1- https://science.sciencemag.org/content/early/2020/04/14/science.abb5793

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