Crise e Covid-19

As causas desta crise vieram de forma súbita para toda gente. Em parte porque onde o vírus foi primeiramente detectado foi num país onde a informação é “racionada”, e também porque não se previa tal agressividade e facilidade de contágio, o que torna praticamente impossível gerir a sua propagação.

E os efeitos? Enormes, e infelizmente ainda agora estão a começar. Na minha opinião, esta foi a primeira onda de uma crise bem maior que se vai desencadear. Com as reacções iniciais da evidente queda de consumo, o suspender de vários comércios e despedimentos em massa, em que o caso mais agressivo seria dos Estados Unidos da América, será de prever que outra onda poderá chegar.

Basta voltar ao dia 26 de Março, em que os números esperados para o desemprego rondavam os 1,5 milhões, algo nunca visto, e os registos reais chegaram aos 3,3 milhões. Uma semana depois, piorou: o esperado seriam 3,6 milhões, mas o registo real foram uns preocupantes e astronómicos 6,6 milhões. Sim, em escassas duas semanas atingiram-se 10 milhões de registos de desemprego.

Quantificando números estes 10 milhões representam cerca de 6% da força de trabalho o que por sua vez se traduz numa taxa de desemprego a rondar os 10%. No dia 9 de Abril as previsões apontam para 5 milhões de pessoas desempregadas, o que em teoria irá elevar a taxa de desemprego dos EUA até aos 13%, a pior taxa dos últimos 70 anos, e mais uma vez reforço: são previsões.

Fonte VOX (Abril 2020: https://www.vox.com/2020/4/2/21203850/unemployment-initial-claims-march-28)

Estes efeitos vistos até agora, em teoria seriam apenas as primeiras reacções a uma crise económica. Apesar dos 1200$ oferecidos em Março, pelo governo federal (que é próximo do salário mínimo e em alguns estados ainda menor) desconfio que estas medidas não irão ter grande efeito a longo termo dada a magnitude do recente colapso e a inaptidão dos EUA em proteger os seus cidadãos.

Vejamos que os mesmos não podem fugir aos compromissos:

  • Despesas pessoais de alimentação e subsistência do agregado familiar;
  • Despesas com tratamentos hospitalares por força do contexto serão inevitáveis e que deixam de ser comparticipados por estarem subjacentes a um seguro de saúde que vigorava mediante um contrato de trabalho;
  • Despesas com empréstimos associados a bens como carros e hipotecas de longo prazo que vão atrasar-se, gerar mais incumprimento e colocar pressão na economia em toda a sua amplitude.

Resta é saber o apoio que vão receber do seu governo, porque se isso não acontecer, temo que piores dias virão para os EUA.

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