Crise hipotecária, dejá vu?

Tal como crise hipotecária dos Estados Unidos da América em 2008 a crise do Covid-19 vai ter efeitos a nível mundial, e possivelmente ter impactos similares. Assumindo isto, vale a pena recordar um pouco do que foi esta crise hipotecária.

Poucos anos antes da crise de 2008 estavam a ser concedidos empréstimos hipotecários subprime. Este tipo de empréstimos são disponibilizados a indivíduos com fraca história de crédito. E como tal, empréstimos acordados com uma maior taxa de juro a pagar pelo tomador do empréstimo.

Anos de tácticas predatórias de emprestadores como instituições de crédito e bancos, levou a que muitas pessoas contraíssem créditos acima das suas capacidades monetárias que eventualmente não iam ser capazes de suportar. À medida que a taxa de juro do banco federal aumentava, a taxa de juros dos empréstimos subia igualmente, e esses mesmos empréstimos tornavam-se quase impossíveis de pagar para muita gente.

Como estes empréstimos estavam maioritariamente ligados a produtos mobiliários e derivados destes, o incumprimento nos pagamentos levou a uma explosão da bolha imobiliária. Para a economia teve enormes consequências sendo das mais conhecidas as quedas de instituições financeiras, seguradoras e inúmeras pessoas deixadas na ruína.

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Actualmente, como resultado do enorme e contínuo aumento da taxa de desemprego nos Estados Unidos da América, está novamente a ocorrer um aumento do incumprimento de pagamento de rendas. Tanto de habitações, como estabelecimentos comerciais.  Tendo em conta que o valor de uma renda está ligado ao valor do imóvel, uma queda no pagamento de rendas, eventualmente fará diminuir o valor do mesmo imóvel. Como repercussão, os valores dos produtos financeiros associados a essas hipotecas irão também baixar.

Infelizmente, esta situação aplica uma enorme pressão sobre pequenos bancos que focam a sua actividade em empréstimos hipotecários.  E se estes pequenos bancos falirem, há uma forte probabilidade de serem absorvidos por bancos maiores, que têm uma maior tendência a executarem as hipotecas.

Em resultado da situação actual, algo que o Governo Americano tem adiado através de moratórias, subsídios de desemprego e compra de títulos hipotecários. O perigoso desta estratégia é que só funciona a curto-prazo, quando acabarem estas medidas vão deixar os beneficiários com dívidas acumuladas. Os arrendatários e devedores não vão ter capacidade para pagar o acumular de prestações, pois as dívidas não estão perdoadas, mas sim adiadas. 

Com o contínuo aumento de desemprego e da tensão económica, as consequências para a economia ainda não são claras. Mas como quase tudo nesta pandemia, o futuro ainda é desconhecido. Muito vai depender do governo, o tipo de apoios, estímulos disponíveis ás pessoas e como o mercado de trabalho reage para as pessoas voltarem a ter um salário digno.

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