Imobiliário: Sonho ou Pesadelo?

A crise veio afectar todos sectores da economia. Mas um que realmente agrada a uma grande maioria de portugueses que procuram casa, é a queda do sector imobiliário.

Nos últimos anos tem havido uma enorme subida do preço das casas em Portugal. Em grande parte, devido à grande procura e pouca oferta. Muita procura graças às condições económicas, spreads baixos, aumentos salariais e uma maior facilidade de acesso a créditos. E pouca oferta, em grande parte, graças ao boom de turismo, que alterou a natureza de arrendamento dos imóveis, passando de arrendamento de longa duração para alojamento local.

Como resultado da quarentena houve uma diminuição de turismo, o que deixou muitos alojamentos locais sem negócio. Consequentemente uma grande parte já começa a considerar uma mudança para as rendas de longa duração. Graças a isto, no futuro a tendência irá inverter, haverá um aumento de oferta.

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Outra consequência é um aumento de spreads nos empréstimos à habitação, tendo em conta que os bancos estão a restringir os acesso ao crédito. Esta situação de incerteza económica diminui a tolerância ao risco, aumentando os spreads dos empréstimos e exigindo maiores valores de entrada para o financiamento, logo também criando uma menor procura.

Assim, podemos acreditar que os preços dos imóveis irão cair em resultado de:

  • Diminuição da procura devido à maior dificuldade de acesso a crédito e redução dos rendimentos do agregado familiar;
  • Aumento de oferta graças à mudança do paradigma nos negócios de alojamento local para arrendamentos de longa duração;

Imobiliário: sonho ou pesadelo? Uma resposta difícil, pois se é verdade que se torna pesadelo para as entidades e empresários que estavam a lucrar seriamente com os preços irrealistas que se praticavam nos arrendamentos e nas compras de imóveis claramente sobrevalorizados, uma queda do sector imobiliário pode ser agora o sonho daqueles que viam cada vez mais longe a oportunidade de ter casa própria ou ter um arrendamento mais justo para o nível de rendimentos médios que temos no mercado laboral nacional.

Pela lógica, estando com os valores em queda beneficia mais as pessoas que estiveram a poupar nos últimos anos e quem procura um arrendamento mais acessível. A longo prazo pode vir a inibir o crescimento de sectores ligados ao imobiliário que por sua vez, condicionará sem dúvida a economia. Temos nós um modelo capaz de contornar as tendências deste mercado? Teremos uma estrutura económica sustentável e capaz de contornar as flutuações deste sector? Esperemos que sim.

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