O caso Evergrande, o gigante desconhecido.

A China enfrenta a possível insolvência de um dos maiores construtores de imobiliários do mundo e o segundo maior Chinês. É uma empresa desconhecida para a maior parte da população, mas está a ganhar notoriedade devido à enorme divida acumulada. É uma empresa bastante diversificada, para alem de imobiliário investem em veículos eléctricos, equipa de futebol, painéis solares, entre outros.

Com dívidas acumuladas de cerca de 304 mil milhões de dólares, no dia 15 de Setembro anunciou que terá bastante dificuldades em pagar todas as suas obrigações. Algo preocupante tendo em conta que este ao fim deste ano tem cupões de obrigações a pagar num total de 669 milhões de dólares.

Mais preocupante é o facto do Governo Chinês não ter mostrado qualquer intenção em salvar a empresa em caso de falência. Uma das causas prováveis disto é a intenção, já anteriormente assinalada, do Governo Chinês em limitar e abrandar a rápida expansão do sector imobiliário para prevenir a probabilidade de uma bolha imobiliária criada por excesso de dívida. Fazem este controlo através de limitações nos rácios e crescimento de dívida anuais.

Muitos comparam esta situação à queda do Lehman Brothers. Uma comparação bastante alarmante, atendendo que a queda do Lehman brothers é considerada uma das principais causas do inicio da crise de 2008. Esta é o motivo por trás dessa comparação, entrando em falência, com uma dívida desta magnitude, o impacto económico seria enorme. Poderíamos ver um impacto no sector financeiro, imobiliário e bancário, a isto chama-se contagio, a dispersão de um problema para outros sectores.

A questão que se mantém é o que poderá acontecer? Se a Evergrande conseguir negociar as duas dívidas e manter-se à tona certamente a situação será ultrapassada. Por outro lado, se não o conseguir fazer, o que parece o mais provável, poderá ter fortes ramificações. Se isso acontecer, resta saber se o Governo Chinês irá intervir ou não e com as informações actuais, a não intervenção aparenta ser o mais provável para não criar precedentes.

Felizmente para a economia Chinesa, o Estado tem certas ferramentas e poder sobre variados sectores da economia, o que lhes permitirá controlar o contágio deste problema. Provavelmente tentarão auxiliar a economia indirectamente, recentemente injectaram bastante dinheiro na economia para evitar problemas de liquidez. Outro ponto relevante é o facto de muitos bancos Chineses e outras entidades financeiras funcionam basicamente como extensões do Governo Chinês. Isto dá-lhes o poder para “persuadir” essas entidades a emprestarem fundos, independente de ser um bom ou mau investimento.

Este pode não ser o último capitulo da história da Evergrande, pode-se mesmo ver no futuro situações similares em outras empresas Chinesas com a pressão regulatória para controlar a divida e a oferta monetária. Será de esperar alguns problemas e consequências mas de forma contida tendo em conta a força do Estado da China.

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