Adani Group, News – 21 Fev 26

Adani Group: reabilitação em mercados locais contrasta com novo choque regulatório nos EUA


Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Adani Group. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.


Strategic Highlights

  • As empresas do grupo Adani perderam cerca de 12,5 mil milhões de dólares em capitalização num dia, após a SEC pedir autorização judicial para enviar por e-mail as citações/summonses a Gautam Adani e Sagar Adani num caso civil ligado a alegada fraude e a um esquema de subornos de 265 milhões de dólares.
  • A Adani Enterprises concluiu uma rights issue de 250 mil milhões de rupias (c. 2,77 mil milhões de dólares), a maior captação de capital do grupo desde o ataque “short” de janeiro de 2023, sinalizando descontração do acesso ao mercado doméstico.
  • O regulador indiano SEBI arquivou partes das alegações de manipulação levantadas pela Hindenburg, catalisando subidas diárias de 0,3% a 12,4% no universo Adani; ainda assim, persistiam mais de uma dezena de casos pendentes de decisão final.
  • O grupo anunciou 630 mil milhões de rupias (c. 7,17 mil milhões de dólares) de investimento em Assam, incluindo uma central a carvão de 3,2 GW (capex de 480 mil milhões de rupias) e projetos de armazenamento por bombagem de 2.700 MW (capex de 150 mil milhões).
  • A diversificação internacional avançou com um acordo (não vinculativo) entre a Codelco e a Adani (Kutch Copper) para analisar três projetos de cobre no Chile, visando potencial desenvolvimento conjunto e reforço de abastecimento de cobre para a Índia.

Nota de Contexto

O Adani Group é um conglomerado indiano centrado em infraestruturas e energia, com exposição a segmentos críticos (portos, energia convencional e renovável, redes, logística e ativos aeroportuários). Desde o ataque “short” de início de 2023, o grupo tem procurado reconstruir credibilidade junto de investidores e credores, alternando entre (i) reforço de capital e ajuste de balanço, (ii) manutenção de ambições de expansão em energia e (iii) gestão de risco reputacional e regulatório, tanto na Índia como nos EUA.

1) O choque de janeiro: SEC reabre a ferida e o mercado responde com desconto imediato

O desenvolvimento mais disruptivo recente veio dos EUA. A SEC pediu a um tribunal autorização para tentar notificar por e-mail Gautam Adani e Sagar Adani, depois de a Índia ter recusado dois pedidos anteriores para entrega de citações, segundo os autos. A notícia reacendeu o risco regulatório e provocou uma queda ampla nas cotadas do grupo.

A reação bolsista foi material:

  • perda de cerca de 12,5 mil milhões de dólares de capitalização agregada;
  • a Adani Enterprises caiu 10,65% para 1.864,2 rupias, sendo o maior “loser” percentual do Nifty 50 no dia, num mercado que já estava fraco (Nifty -0,95%).
  • no conjunto, as ações do grupo recuaram entre 3,4% e 14,54%.

Há um detalhe crítico para leitura de risco: o processo da SEC é um caso civil e é distinto do caso criminal do Department of Justice (DOJ), que permanece aberto. Ou seja, mesmo que um evolua num determinado sentido, o “overhang” jurídico não se esgota automaticamente.

Implicação estratégica: o mercado está a precificar incerteza de calendário (“sem timeline clara”) e risco de headline prolongado. Isto tende a pesar sobre custo de capital e a limitar a re-rating, sobretudo em nomes com maior necessidade de financiamento recorrente para crescimento.

2) Reabilitação doméstica: SEBI reduz parte do “Hindenburg overhang”, mas não fecha o dossiê

Antes do choque da SEC, o grupo beneficiou de um alívio regulatório na Índia. A SEBI arquivou partes das alegações de manipulação e considerou que certas transações não configuravam “related-party transactions” nem violavam normas de disclosure. O mercado leu o gesto como redução do “overhang”, e as nove entidades listadas fecharam em alta, com ganhos entre 0,3% e 12,4%.

Contudo, a própria informação reportada indica que a SEBI continuava a examinar mais de uma dezena de alegações, com processos ainda pendentes de ordens finais.

Em termos de recuperação pós-Hindenburg, a fotografia é heterogénea:

  • Adani Power, Adani Ports e Ambuja Cement já tinham recuperado as perdas e acumulavam +17%, +89% e +145% desde o relatório;
  • a Adani Enterprises permanecia 28% abaixo dos níveis pré-Hindenburg, apesar de ter chegado a apagar perdas em momentos anteriores.

Implicação estratégica: a “normalização” regulatória doméstica melhora o piso de confiança local, mas não elimina a dispersão de risco entre entidades. Para o investidor, a distinção entre “ativos com cash flow robusto” e “ativos com maior dependência de expansão” torna-se mais relevante quando o risco jurídico externo reaparece.

3) Financiamento: rights issue de 250 mil milhões de rupias mostra tração local e foco em desalavancagem interna

A conclusão da rights issue da Adani Enterprises no valor de 250 mil milhões de rupias (c. 2,77 mil milhões de dólares) foi interpretada como um sinal de reabertura do canal de capital doméstico em escala. O preço foi fixado em 1.800 rupias/ação (a 11 de novembro), com desconto de 24% face ao fecho desse dia, um “sweetener” relevante para assegurar adesão alargada.

O uso dos fundos também é informativo: cerca de três quartos seriam destinados ao reembolso de empréstimos da Adani Enterprises junto de outras entidades do grupo e credores (incluindo o State Bank of India).

A análise referida sublinha ainda:

  • desde o ataque short, as entidades Adani levantaram pelo menos 1,5 mil milhões de dólares via placements institucionais;
  • a avaliação da Adani Enterprises ficou mais “compatível” com os resultados: a ação negociava a 52x lucros forward, ainda elevada, mas cerca de um terço do múltiplo observado no início de 2023.

Existe ainda uma opcionalidade corporativa: o aumento permitiu posicionar investidores antes de uma listagem planeada para 2027 do negócio de aeroportos, que contribui com cerca de 10% das receitas da Adani Enterprises.

Implicação estratégica: a rights issue não é apenas liquidez; é uma mensagem de que o grupo está a priorizar “arrumar a casa” internamente e a reduzir fragilidades de balanço, pelo menos no perímetro da holding listada.

4) O “ponto cego” externo: acusações nos EUA continuam a limitar acesso a crédito internacional

Mesmo com maior conforto nos mercados locais, o texto sublinha que o U.S. Justice Department acusa a Adani Green Energy e o fundador de suborno, acusações rejeitadas pelo grupo, e que isso tem limitado a apetência de credores internacionais. Um indicador desse efeito é a redução da exposição de bancos globais: estes detinham 23% da dívida do grupo, abaixo de 27% em setembro de 2024.

Implicação estratégica: a combinação “crescimento intensivo em capital + menor financiamento externo” pode forçar o grupo a depender mais de capital doméstico, de reciclagem de ativos ou de estruturas intra-grupo, o que, por sua vez, tende a aumentar escrutínio sobre governança e sobre a transparência de fluxos financeiros.

5) Expansão energética: carvão regressa ao centro ao mesmo tempo que o grupo reforça armazenamento

Em Assam, o grupo anunciou 630 mil milhões de rupias de investimento em dois projetos energéticos, incluindo:

  • a construção de uma central a carvão de 3,2 GW (capex de 480 mil milhões de rupias), com entrada em “commissioning” faseada a partir de dezembro de 2030;
  • dois projetos de armazenamento por bombagem totalizando 2.700 MW (capex de 150 mil milhões de rupias), incluindo 500 MW de armazenamento adjudicados num concurso recente.

O anúncio enquadra-se num regresso do investimento privado a projetos “greenfield” a carvão após mais de uma década de pausa, numa economia onde cerca de três quartos da eletricidade continua a ser gerada a carvão.

A estratégia de escala permanece ambiciosa:

  • a Adani Power pretende expandir capacidade para 42 GW (de 18 GW) até ao ano fiscal de 2032, com investimento de 2 biliões de rupias;
  • a Adani Green tem 16,7 GW de renováveis e aponta a 50 GW até 2030.

Implicação estratégica: o mix “carvão + armazenamento + renováveis” sugere uma estratégia pragmática: garantir capacidade firme (carvão) enquanto constrói flexibilidade (armazenamento) e continua a expansão verde. O risco é reputacional e de financiamento, dado o perfil ESG e o potencial de maior custo de capital externo.

6) Internacionalização: cobre no Chile como peça de segurança de matérias-primas

No eixo de recursos naturais, a Adani assinou um acordo não vinculativo com a Codelco para rever três projetos de cobre no Chile, com troca de informação técnica e legal e potencial desenvolvimento conjunto. A narrativa explícita é de assegurar fornecimento de cobre para a Índia no longo prazo, num contexto de eletrificação e expansão de redes.

Implicação estratégica: mais do que o valor imediato (não divulgado), o acordo funciona como “opção” para entrar em upstream crítico, alinhando-se com necessidades de cobre associadas à transição energética e ao investimento em redes e mobilidade elétrica.

Conclusão

O Adani Group apresenta hoje uma dinâmica bifurcada. Por um lado, há sinais claros de normalização doméstica: alívio parcial no dossiê SEBI, capacidade de realizar uma rights issue de 250 mil milhões de rupias e uma agenda de investimento com escala, especialmente em energia. Por outro, o risco jurídico nos EUA voltou a dominar a narrativa com o episódio da SEC, que desencadeou uma perda diária de 12,5 mil milhões de dólares de capitalização e reintroduziu incerteza sobre o custo e o horizonte temporal de resolução.

A implicação central para investidores é que a reabilitação do grupo não depende apenas de execução operacional ou de acesso ao mercado indiano: depende da capacidade de reduzir o “headline risk” internacional e estabilizar o canal de financiamento externo. Até lá, o “equity story” tende a alternar entre episódios de re-rating local e choques exógenos que reabrem o desconto de risco.


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Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.

(Artigo sobre Adani Group, formato “News”, atualizado com informações até 21 de Fevereiro de 2026. Categorias: Indústria – Outros. Classe de Ativos: N/A. Tags: Acionista, Adani Group, Índia, Energia, Infraestruturas, Transporte, Metais, Industria, IT)

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