Airbus, News – 04 Fev 26

Airbus fecha 2025 com entregas em alta, mas 2026 começa sob pressão: motores atrasados e cadeia de fornecimento ainda fragilizada


Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Airbus. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.


Strategic Highlights – 12 Janeiro 2026

  • A Airbus entregou 793 aeronaves em 2025 (+4%), cumprindo a meta revista de “cerca de 790” após ter reduzido o objetivo de ~820 devido a problemas em painéis de fuselagem fornecidos por um fornecedor espanhol.
  • As encomendas brutas atingiram 1.000 aeronaves em 2025, ou 889 líquidas após cancelamentos, ambas acima de 2024, reforçando a robustez da procura subjacente.
  • A Airbus deverá manter a liderança global, com a Boeing a registar 537 entregas até final de novembro, deixando a Airbus com uma vantagem considerada inalcançável no “scoreboard” anual.
  • O maior risco operacional para 2026 passa a ser motores: a Airbus alertou que os motores para a família A320neo chegaram “muito, muito tarde” em 2025 e vê o problema a continuar em 2026, sobretudo com a Pratt & Whitney, sem acordo sobre volumes para o futuro previsível.
  • O “mix” de entregas mostra resiliência no narrow-body, mas também fragilidades no wide-body: 607 A320neo (+1%), A350 flat em 57, A220 a acelerar para 93 (+24%), num ambiente que a empresa descreve como “complexo e dinâmico”.

Nota de Contexto

Na indústria aeronáutica, entregas são o principal gatilho de reconhecimento de receitas e geração de caixa, pelo que a capacidade de “hand-over” é o indicador operacional mais observado por investidores. A Airbus continua a beneficiar de procura estrutural por renovação de frota e eficiência de combustível, mas opera numa cadeia de fornecimento que ainda não regressou à normalidade pós-pandemia. Em 2026, a discussão deixa de ser apenas “quantas aeronaves consegue vender” e passa a ser “quantas consegue entregar”, com motores e componentes críticos a condicionarem a execução.

1) 2025: cumprir o alvo revisto foi vitória tática, não normalização

O resultado final, 793 entregas, é relevante porque confirma que a Airbus conseguiu fechar o ano acima do limiar simbólico do guidance revisto, depois de ter cortado o objetivo para “cerca de 790” na sequência de problemas em painéis de fuselagem.

Mas o facto de a empresa ter ficado ainda 70 aeronaves abaixo do pico pré-pandemia de 863 em 2019 evidencia que o sistema industrial continua longe de estar plenamente estabilizado.
Além disso, a Airbus tem histórico recente de ajustar metas ao longo do ano: em três dos últimos quatro anos, falhou o objetivo original com que iniciou o exercício, ainda que a diferença tenha vindo a diminuir.

A leitura estratégica é que 2025 foi um ano de “gestão de danos” bem executada: entrega suficiente para proteger a liderança e manter o foco no ramp-up, mas sem eliminar a natureza frágil da cadeia.

2) Encomendas: o “motor comercial” continua forte, e isso aumenta a pressão na fábrica

As encomendas em 2025, 1.000 brutas e 889 líquidas, indicam procura robusta e maior do que em 2024, sustentando visibilidade de produção futura.

O ponto crítico é que encomendas fortes não se traduzem automaticamente em caixa se a empresa não conseguir entregar. Por isso, a combinação “orders fortes + supply chain fraco” tende a produzir:

  • backlog elevado e visibilidade comercial,
  • mas risco de frustração de cash flow por atrasos,
  • e maior pressão para renegociar calendários com clientes e fornecedores.

3) Cadeia de fornecimento: de fuselagens para motores, o gargalo muda, mas não desaparece

O problema de 2025 esteve ligado a fuselagens (painéis de um fornecedor espanhol) e levou ao corte do guidance anual.

Em 2026, a Airbus está a sinalizar um risco diferente e potencialmente mais sensível: motores. O aviso de que os motores A320neo chegaram “muito, muito tarde” em 2025 e que a tendência deve continuar, especialmente com a Pratt & Whitney, é um alerta direto ao mercado sobre a possibilidade de constrangimentos persistentes na “cash cow” do grupo.

O detalhe de não existir acordo sobre volumes de fornecimento “para o futuro previsível” agrava a leitura: em programas industriais maduros, este tipo de planeamento é tipicamente fechado com bastante antecedência. A ausência de clareza aqui sugere que o risco de entrega pode manter-se como tema central ao longo de 2026.

4) Mix de entregas: narrow-body sustenta caixa, wide-body ainda condicionado

O perfil de entregas em 2025 mostra onde a Airbus está mais forte, e onde continua vulnerável:

  • A320neo: 607 entregas (+1%) — continua a ser o coração do modelo de geração de caixa.
  • A220: 93 entregas (+24%) — aceleração importante num segmento estratégico, com potencial para ganhar escala.
  • A350: 57 entregas (flat) — penalizado por atrasos separados em secções de fuselagem.
  • Wide-bodies no geral subiram 1%, liderados pelo A330, sugerindo progresso limitado.

Para a tese de investimento, isto reforça que o risco imediato de caixa está sobretudo no narrow-body via motores, enquanto o upside de margem e mix pode depender de uma melhoria gradual nos wide-bodies.

5) Concorrência: Airbus mantém liderança, mas “retorno da Boeing” muda o enquadramento

Com a Boeing a ter entregue 537 aeronaves até final de novembro, a Airbus ficou com vantagem suficiente para se manter como maior fabricante mundial em 2025.

Ao mesmo tempo, há um sinal importante vindo da própria Airbus: a liderança operacional reconheceu que é “bom” ver a Boeing a regressar a um patamar mais estável, sugerindo que a indústria procura um equilíbrio competitivo que não acelere o avanço de novos concorrentes.

Para 2026, isto implica:

  • competição comercial potencialmente mais dura (sobretudo em mega-deals),
  • mas também um mercado mais “normalizado” se a Boeing recuperar produção sem novos choques.

Conclusão

A Airbus fechou 2025 com 793 entregas e encomendas fortes (1.000 brutas / 889 líquidas), assegurando a liderança global e demonstrando capacidade de execução apesar de constrangimentos industriais.

No entanto, 2026 começa com um risco claro: motores atrasados, em particular na família A320neo, e ausência de acordo de fornecimento com a Pratt & Whitney para os volumes necessários. Num negócio em que as entregas são sinónimo de caixa, este é um ponto que pode condicionar fortemente expectativas de free cash flow e credibilidade de ramp-up ao longo do ano.

O cenário base é de procura sólida e backlog forte, mas com execução ainda dependente de uma cadeia de fornecimento “não totalmente sob controlo”. A grande questão para investidores em 2026 será simples: a Airbus já provou que consegue ajustar metas e fechar o ano; falta provar que consegue entregar com previsibilidade sem que um novo gargalo substitua o anterior.


Visite o Disclaimer para mais informações.

Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.

(Artigo sobre a Airbus, formato “News”, atualizado com informações até 12 de Janeiro de 2025. Categorias: Aeroespacial e Defesa. Classe de Ativos: Ações. Tags: Acionista, França, Airbus, Aeroespacial, Aviões, Aeroespacial e Defesa)

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