Alibaba: ambição em IA acelera, mas guerra de preços no comércio e pressão regulatória expõem fragilidades estruturais
Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Alibaba. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.
Strategic Highlights – 10 dezembro 2025
- Alibaba reforçou a sua posição como líder de cloud e IA na China, com 36% de quota no mercado doméstico de AI cloud e crescimento de receitas de 34% no segmento no trimestre terminado em 30 setembro 2025.
- A rentabilidade global deteriorou-se de forma acentuada, com o resultado operacional a cair 85% em termos homólogos, penalizado por subsídios agressivos na entrega de refeições e no “quick commerce”.
- A empresa enfrenta maior escrutínio regulatório na Europa, após a AliExpress banir um vendedor chinês na sequência de uma investigação da Reuters e sob vigilância reforçada ao abrigo do Digital Services Act (DSA).
- Alibaba manifestou interesse em adquirir chips Nvidia H200, após luz verde dos EUA, procurando colmatar limitações tecnológicas domésticas, embora enfrente incerteza política e restrições de oferta.
- O grupo está envolvido numa guerra em duas frentes: investir pesadamente para ganhar escala em IA enquanto defende o core do comércio eletrónico num ambiente de concorrência destrutiva de preços.
Nota de Contexto
A Alibaba Group é um dos maiores conglomerados tecnológicos chineses, com presença dominante em comércio eletrónico, cloud computing, logística e serviços digitais. Historicamente sustentada pelos fluxos de caixa do e-commerce, a empresa está a reposicionar-se como um fornecedor global de serviços completos de IA, num contexto de desaceleração do consumo interno, concorrência intensificada e maior pressão regulatória, tanto na China como nos mercados internacionais.
IA e cloud: motor de crescimento real num contexto adverso
Os dados mais recentes confirmam que a aposta estratégica de Eddie Wu na IA está a produzir resultados tangíveis. No trimestre terminado em 30 setembro 2025, a Cloud Intelligence Group registou:
- Receitas de 39,8 mil milhões de yuan (≈ 5,6 mil milhões de dólares), um crescimento de 34% em termos homólogos
- EBITA ajustado de 3,6 mil milhões de yuan, um aumento de 35% face ao ano anterior
Segundo a Omdia, a Alibaba controla 36% do mercado chinês de AI cloud, superando em conjunto ByteDance, Huawei e Tencent. A empresa posiciona-se, assim, como uma das candidatas a integrar o grupo restrito de 5 a 6 fornecedores globais “full-stack” de IA, ambição assumida publicamente pela gestão.
Este desempenho é particularmente relevante tendo em conta o ambiente competitivo, marcado por modelos de baixo custo desenvolvidos por rivais como DeepSeek e ByteDance. Ainda assim, os modelos open-source da Alibaba continuam entre os mais bem classificados globalmente, reforçando a credibilidade tecnológica do grupo.
Comércio eletrónico e “quick commerce”: erosão acelerada da rentabilidade
Em contraste com a trajetória da cloud, o negócio histórico da Alibaba enfrenta o seu momento mais vulnerável. A entrada agressiva da JD.com no mercado de entrega de refeições dominado pela Meituan desencadeou uma guerra de subsídios que rapidamente se expandiu para o “instant retail”.
As consequências financeiras são claras:
- Resultado operacional total caiu 85% no trimestre mais recente
- EBITA ajustado do grupo recuou 78%, para 9 mil milhões de yuan
- A própria empresa atribuiu esta deterioração a investimento intensivo em quick commerce, experiência do utilizador e tecnologia
Embora a Alibaba indique que, desde novembro, as perdas por encomenda em quick commerce caíram para metade dos níveis observados em julho e agosto, o impacto acumulado continua a pressionar severamente os fluxos de caixa.
O problema estratégico é estrutural: são precisamente os excedentes do e-commerce que financiam a ambição em IA. Uma degradação prolongada da rentabilidade do core coloca limites claros à capacidade de sustentar investimentos tecnológicos de grande escala.
Regulação europeia: AliExpress sob escrutínio acrescido
No plano regulatório, a Alibaba enfrenta riscos reputacionais e legais crescentes na Europa. Em 26 novembro 2025, a AliExpress anunciou o banimento permanente de um vendedor chinês (Guava Dolls) após uma investigação da Reuters identificar anúncios de bonecas sexualizadas com aparência de menores disponíveis em países da UE e nos EUA.
Pontos-chave do episódio:
- A AliExpress removeu inicialmente os anúncios como “precaução”
- Posteriormente, decidiu encerrar definitivamente o vendedor, alegando comunicações desonestas
- O caso surgiu num contexto de investigações em França e de vigilância reforçada sobre marketplaces classificados como Very Large Online Platforms (VLOPs) ao abrigo do DSA
A Comissão Europeia afirmou estar a monitorizar cuidadosamente a conformidade da AliExpress, num quadro legal que exige diligência ativa na prevenção e remoção de conteúdos ilegais. Embora o impacto financeiro direto seja limitado, o risco reside na intensificação do escrutínio regulatório, com potenciais custos de compliance e sanções futuras.
Dependência tecnológica externa: Nvidia H200 como peça crítica
Em dezembro de 2025, tornou-se público que a Alibaba, juntamente com a ByteDance, contactou a Nvidia para avaliar a compra do chip H200, após o Presidente dos EUA ter autorizado a sua exportação para a China.
Elementos centrais:
- O H200 é cerca de seis vezes mais potente do que o H20, até então o chip mais avançado legalmente exportável para a China
- A oferta é extremamente limitada, dado o foco da Nvidia nas linhas Blackwell e Rubin
- As autoridades chinesas poderão exigir avaliação caso a caso, num contexto em que Pequim procura promover alternativas domésticas (Huawei, Cambricon)
Este episódio ilustra a tensão estrutural do modelo de IA chinês: mesmo os líderes nacionais continuam dependentes de tecnologia norte-americana para treino avançado de modelos, o que introduz risco geopolítico e incerteza na execução dos planos de expansão.
Conclusão
A Alibaba encontra-se num ponto de inflexão estratégico. Por um lado, a execução em IA e cloud é credível, mensurável e diferenciadora, posicionando o grupo como um dos principais atores chineses num setor crítico para a próxima década. Por outro, a guerra de preços no comércio eletrónico está a corroer rapidamente a base financeira que sustenta essa ambição.
A somar a isto, surgem riscos regulatórios internacionais e uma dependência tecnológica externa que limita a autonomia estratégica. O desafio da Alibaba não é apenas crescer em IA, mas fazê-lo sem comprometer a sustentabilidade financeira do grupo.
Tal como a própria análise sugere, guerras em duas frentes raramente são fáceis de vencer. A capacidade da Alibaba para equilibrar disciplina financeira, investimento tecnológico e gestão regulatória será determinante para saber se a atual liderança em IA se traduzirá em valor duradouro para acionistas e para o ecossistema tecnológico chinês.
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Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.
(Artigo sobre os Earnings (Resultados) da Alibaba, formato “News”, atualizado com informações até 10 de Dezembro de 2025. Categorias: Consumo. Classe de Ativos: Ações. Tags: Acionista, Alibaba, China, Consumo, Comércio, Internet, Inteligência Artificial)