Alphabet: rally em IA aproxima “4 mil mil milhões USD”, mas antitrust e custos de infraestrutura ganham centralidade
Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Alphabet. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.
Strategic Highlights – 09 dezembro 2025
- A Alphabet aproximou-se de uma capitalização de 3,82 mil mil milhões USD após a ação subir mais de 5% para um máximo histórico de 315,9 USD, acumulando ~70% de valorização no ano.
- A Comissão Europeia abriu uma investigação antitrust sobre o uso de conteúdos de publishers e vídeos do YouTube para treinar IA e alimentar AI Overviews, com risco de coima até 10% das receitas globais se houver infração.
- Nos EUA, o DOJ encerrou a fase de alegações num processo que pode forçar a venda do AdX, onde publishers pagam à Google uma taxa de 20% para vender anúncios em leilões.
- A narrativa de “IA como motor de crescimento” ganhou suporte adicional com o reporte de conversações para a Meta gastar milhares de milhões de dólares em chips da Google (TPUs) a partir de 2027, incluindo aluguer via Google Cloud já a partir de 2026.
- A corrida por capacidade de cloud e IA está a empurrar a Alphabet para acordos estruturais: multicloud com a Amazon para ligações privadas em “minutos” e parcerias energéticas para novos campus de data centers, num contexto de procura elétrica recorde.
Nota de Contexto
A Alphabet (Google) combina um negócio dominante de pesquisa e publicidade com uma ambição acelerada em IA e cloud. A leitura de mercado em 2025 tem sido a de uma “viragem” em que a cloud passa de unidade secundária para motor de crescimento, enquanto a integração de IA na pesquisa (incluindo AI Overviews) procura defender a vantagem competitiva. O contraponto é uma pressão regulatória crescente em antitrust (EUA e UE), precisamente nas áreas mais estratégicas, publicidade e distribuição de informação.
Mercado: re-rating para “IA + cloud” aproxima a fasquia dos 4 mil mil milhões USD
A trajetória de valorização da Alphabet em 2025 é apresentada como uma reversão de sentimento face ao período em que alguns investidores temiam perda de liderança em IA. O movimento ganhou velocidade com:
- subida para 3,82 mil mil milhões USD de capitalização (após o título atingir 315,9 USD);
- valorização anual de ~70%;
- outperformance face a rivais referidos na peça, com o mercado a premiar a perceção de que a Alphabet voltou a “ganhar tração” na corrida da IA.
O catalisador desta reavaliação é duplo: (i) a cloud como vetor de crescimento e (ii) a capacidade de integrar IA no produto central (pesquisa) sem, para já, comprometer a monetização. Esta combinação ajuda a explicar porque é que a aproximação aos 4 mil mil milhões USD surge no mesmo período em que o risco regulatório também se intensifica.
Antitrust nos EUA: o risco de uma reconfiguração estrutural do “stack” publicitário
No dossiê norte-americano, a Alphabet enfrenta um cenário em que a discussão já não é apenas “se” houve infrações, mas “o que” terá de mudar para restaurar concorrência. O ponto crítico é o AdX, a bolsa de anúncios cuja alienação é defendida pelo DOJ e estados, referindo-se uma taxa de 20% cobrada a publishers para venderem inventário em leilões em tempo real.
A empresa argumenta que uma separação seria tecnicamente complexa e disruptiva para clientes; o DOJ contrapõe que só uma venda forçada impediria novas táticas anti-competitivas. Mesmo sem uma decisão imediata, a peça sublinha o risco de um processo longo (incluindo apelos), mas com potencial de alterar a economia do ecossistema publicitário.
Em paralelo, é referido que a Google planeia contestar também outra decisão, em Washington, relativa a monopólios na pesquisa e publicidade associada; nessa, evitou uma venda forçada do Chrome, mas foi ordenada a partilha de dados com concorrentes. A leitura estratégica é clara: a Alphabet pode manter a trajetória de crescimento, mas com o “prémio” de incerteza regulatória a tornar-se mais persistente.
Antitrust na UE: IA Overviews e “barganha” com publishers tornam-se fronteira de conflito
A 9 de dezembro, a Comissão Europeia abriu uma investigação por preocupações de que a Google possa estar a usar conteúdo de publishers para gerar AI Overviews e treinar modelos de IA sem compensação adequada e sem uma opção real de recusa. A mesma preocupação é estendida a vídeos do YouTube.
O risco financeiro é explicitado: coimas até 10% da receita anual global se houver violação das regras europeias. Mais importante do que o número é o precedente: a UE parece estar a colocar o tema “quem captura valor quando a IA resume/replica a web” no centro da regulação.
Do ponto de vista de modelo de negócio, este é um ponto sensível. AI Overviews aparecem acima dos links tradicionais e começaram a integrar publicidade (referido como introduzido em maio), o que reabre uma disputa antiga: a Google beneficia do conteúdo indexado, mas o tráfego (e receita) pode não regressar aos produtores de informação com a mesma intensidade quando o utilizador obtém a resposta no próprio topo da página.
Chips e IA: TPUs como “segunda perna” para além da cloud, e possível rutura com o domínio da Nvidia
A Reuters reporta que a Meta está em conversações para gastar milhares de milhões de dólares em chips da Google para data centers a partir de 2027, com um potencial aluguer via Google Cloud já em 2026. A implicação estratégica é forte: a Google tentaria transformar as suas TPUs (historicamente usadas internamente) num produto de mercado, alargando o endereço de receita num ciclo em que há procura por alternativas a GPUs “caras e com constrangimentos de oferta”.
O texto vai mais longe ao referir que alguns executivos de Google Cloud sugeriram a ambição de capturar até 10% das receitas anuais da Nvidia, um objetivo que, mesmo que aspiracional, sinaliza intenção de competir diretamente por uma fatia do capex de IA. A dificuldade está no “lock-in” do ecossistema de software (CUDA), mencionado como uma barreira com milhões de developers dependentes.
Neste enquadramento, o mercado começa a ver a Alphabet não apenas como beneficiária da IA via produtos e cloud, mas como potencial fornecedora de “picks-and-shovels” (chips), uma narrativa que, se confirmada por contratos, tende a suportar múltiplos mais elevados.
Cloud e resiliência: multicloud com a Amazon como resposta ao custo de falhas e à urgência de interoperabilidade
A Alphabet e a Amazon anunciaram um serviço multicloud para criar ligações privadas de alta velocidade entre AWS e Google Cloud em “minutos” em vez de “semanas”. O contexto é relevante: uma falha da AWS a 20 de outubro interrompeu milhares de websites e terá custado às empresas dos EUA entre 500 milhões e 650 milhões USD (estimativa da Parametrix).
Este movimento sugere uma mudança de equilíbrio: concorrentes diretos cooperam em infraestrutura quando a exigência de disponibilidade e a complexidade de arquiteturas distribuídas tornam a conectividade um “produto” por si só. A presença de um utilizador inicial como a Salesforce reforça que o problema não é teóric, é operacional e financeiro.
Além disso, os números de escala ajudam a enquadrar a disputa: a AWS gerou 33 mil milhões USD de receita no 3.º trimestre, mais do dobro da Google Cloud com 15,16 mil milhões USD, sublinhando porque é que a Alphabet tem incentivo a acelerar diferenciação (via IA, chips e rede).
Energia como “bottleneck” de IA: parcerias de geração dedicadas tornam-se parte da estratégia tecnológica
O acordo com a NextEra Energy coloca a dimensão energética no centro do “caso de investimento” em IA. NextEra e Google Cloud já têm 3,5 GW de capacidade em operação ou contratada (equivalente a abastecer cerca de 2,5 milhões de casas, segundo a peça). O novo acordo prevê múltiplos campus de data centers com novas centrais, sem quantificar capacidade adicional.
O que se torna visível é uma transição do modelo “ligar à rede e escalar” para “bring-your-own-generation”, com a NextEra a posicionar-se para construir geração dedicada a data centers e a estimar que poderá adicionar 15 GW (ou mais) até 2035 para este fim. Em paralelo, prevê-se lançar um produto com IA até meados de 2026 para gestão de trabalho no terreno e fiabilidade da rede, um exemplo de como a cadeia de valor da IA está a começar a “retroalimentar” o setor energético.
O texto acrescenta ainda duas implicações materiais:
- parceria NextEra–ExxonMobil para uma central a gás natural com captura de carbono, com um projeto inicial de 1,2 GW;
- contratos de fornecimento de energia com a Meta, totalizando >2,5 GW, com entrada em operação entre 2026 e 2028.
Para a Alphabet, a mensagem é direta: a expansão de IA e data centers deixa de ser apenas “capex de servidores” e passa a exigir uma estratégia de energia e rede, com compromissos multi-anuais.
Implicações estratégicas: crescimento acelerado com três frentes de risco
A fotografia que emerge destes documentos é de uma Alphabet em aceleração, mas com fricções estruturais:
- Monetização vs. ecossistema de conteúdo
A UE ataca o ponto em que IA e pesquisa se cruzam: usar conteúdo de terceiros para “responder” sem redistribuir valor. Se a regulação exigir mais compensação, opt-outs eficazes ou separações funcionais, a Alphabet pode enfrentar trade-offs entre experiência do utilizador, margem publicitária e ritmo de inovação. - Antitrust como risco de engenharia organizacional
Um desfecho que force a venda do AdX alteraria a integração vertical no ad tech e pode reduzir a capacidade de capturar margem em toda a cadeia. Mesmo que a empresa argumente complexidade técnica, o risco é que o regulador aceite disrupção como preço para restaurar concorrência. - Infraestrutura (chips, rede, energia) como novo campo de batalha
Oportunidades (TPUs, multicloud, geração dedicada) vêm com execução difícil e custos elevados. A Alphabet parece estar a responder com parcerias e “produtização” de capacidades internas, mas cada passo aumenta a exposição a ciclos de investimento e a dependências industriais/energéticas.
Conclusão
A Alphabet termina 2025 com uma narrativa de mercado poderosa: IA a reforçar a pesquisa, a cloud a ganhar estatuto de motor de crescimento e uma reavaliação que aproxima a empresa dos 4 mil mil milhões USD.
Mas o mesmo período concentra sinais de que o “prémio de IA” será disputado em tribunal e em reguladores, com a UE a questionar o modelo de captura de valor em AI Overviews e os EUA a ponderarem remédios estruturais no ad tech.
Em paralelo, a corrida por capacidade torna energia e conectividade peças do tabuleiro: acordos multicloud e parcerias de geração dedicada deixam de ser periféricos e passam a ser condições de execução.
A implicação estratégica para 2026 é que a Alphabet entra numa fase em que o “upside” de IA depende tanto de produto e tecnologia como de governança regulatória e capacidade física (chips, rede, energia). O mercado parece disposto a pagar por essa ambição, mas a margem de erro diminui à medida que o escrutínio aumenta.
Visite o Disclaimer para mais informações.
Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.
(Artigo sobre a Alphabet, formato “News”, atualizado com informações até 09 de Dezembro de 2025. Categorias: Tecnologia. Tags: Acionista, Alphabet, Inteligência Artificial, EUA, Serviços Cloud, Internet)