Berkshire Hathaway, News – 24 Ago 26

Berkshire acelera recompras, investimentos e aquisições à medida que cash recua


Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Berkshire Hathaway. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.


Strategic Highlights

  • A Berkshire Hathaway entrou numa nova fase de alocação de capital sob Greg Abel: no segundo trimestre de 2026 recomprou 4,5 mil milhões de dólares em ações próprias e comprou quase 20 mil milhões de dólares mais em ações do que vendeu, terminando uma sequência de 14 trimestres como vendedor líquido.
  • A posição de cash caiu de um máximo de 380,2 mil milhões de dólares no final de março para 364,7 mil milhões no final de junho, refletindo uma utilização mais ativa do balanço através de investimentos bolsistas, recompras e aquisições.
  • A aposta na Alphabet tornou-se um dos pilares da carteira: depois de mais do que triplicar a posição para 16,6 mil milhões de dólares, a Berkshire comprometeu mais 10 mil milhões numa colocação privada destinada a financiar a expansão de infraestrutura de IA da empresa.
  • A aquisição da Taylor Morrison por 6,8 mil milhões de dólares em cash, a 72,50 dólares por ação e com um prémio de 24%, reforça a exposição da Berkshire à habitação e constitui uma das primeiras grandes decisões de M&A da era Greg Abel.
  • A capacidade de reinvestimento é sustentada por resultados operacionais sólidos: o lucro operacional do segundo trimestre aumentou 16% para 12,98 mil milhões de dólares, embora a deterioração da Geico e sinais de menor confiança do consumidor revelem riscos relevantes dentro do conglomerado.

Nota de Contexto

A evolução da Berkshire Hathaway entre maio e agosto de 2026 aponta para uma mudança material na forma como o conglomerado utiliza o seu capital. Durante vários trimestres, a empresa acumulou liquidez enquanto reduzia posições em ações; no segundo trimestre, esse padrão inverteu-se. Sob Greg Abel, que sucedeu Warren Buffett como CEO enquanto Buffett permanece chairman e envolvido nas principais decisões, a Berkshire passou a combinar recompras próprias, reforço de posições bolsistas e grandes aquisições, reduzindo gradualmente um stock de cash que continuava extraordinariamente elevado. A referência mais recente, 8 de agosto de 2026, mostra que esta alteração já está a ocorrer à escala do balanço.

Análise Estratégica

1. A mudança mais importante está na velocidade de alocação de capital

A Berkshire terminou junho com 364,7 mil milhões de dólares em cash, abaixo dos 380,2 mil milhões registados três meses antes. A redução, apesar de ainda deixar a empresa com uma reserva de liquidez excepcional, torna-se particularmente relevante quando observada em conjunto com a atividade de investimento. Entre abril e junho, a Berkshire recomprou 4,5 mil milhões de dólares das suas próprias ações e, em julho, adquiriu mais de 3,3 mil milhões, acelerando um programa de recompras retomado em março após uma pausa de quase dois anos.

O ritmo aproxima-se dos períodos mais ativos da década, embora continue abaixo dos 27 mil milhões de dólares recomprados em 2021. A política permanece condicionada à avaliação de valor intrínseco: a Berkshire recompra ações quando considera que o preço está abaixo desse valor, agora determinado de forma conservadora por Abel em consulta com Buffett. Este detalhe é importante porque transforma a recompra numa indicação indireta de convicção sobre valuation, embora não constitua por si só uma estimativa quantitativa de valor justo.

A mudança não se limita às ações próprias. A Berkshire comprou quase 20 mil milhões de dólares mais em ações do que vendeu durante o segundo trimestre, encerrando 14 trimestres consecutivos como vendedor líquido. O contraste com o primeiro trimestre é significativo: entre janeiro e março, tinha comprado 15,94 mil milhões e vendido 24,09 mil milhões de dólares em ações. O padrão sugere uma transição de acumulação defensiva de liquidez para uma utilização mais oportunista do balanço, ainda que mantendo uma margem financeira muito ampla.

2. Alphabet, Delta e a rotação da carteira mostram maior seletividade

A Alphabet tornou-se a expressão mais evidente desta nova postura. Em maio, a Berkshire revelou que tinha mais do que triplicado a posição, então avaliada em 16,6 mil milhões de dólares, tornando-a uma das maiores participações da carteira. Em junho, comprometeu mais 10 mil milhões de dólares numa colocação privada da Alphabet, dividida entre 5 mil milhões em ações Class A a 351,81 dólares e 5 mil milhões em Class C a 348,20 dólares por ação.

A operação liga a Berkshire diretamente a um ciclo de investimento particularmente intensivo em IA. A Alphabet elevou a previsão anual de capex em 5 mil milhões de dólares, para um intervalo entre 180 e 190 mil milhões, enquanto procura financiar a expansão de data centers, ferramentas de IA e chips próprios. O investimento da Berkshire é, portanto, mais do que um reforço de uma posição tecnológica: representa exposição a uma empresa que está a converter procura crescente por IA em necessidades muito elevadas de capital.

Paralelamente, a Berkshire iniciou uma posição de 2,65 mil milhões de dólares na Delta Air Lines, correspondente a 6,1% da companhia e a cerca de 39,8 milhões de ações, regressando ao setor aéreo depois de ter vendido participações em várias companhias em 2020. Também adquiriu uma pequena posição na Macy’s e aumentou a exposição ao New York Times, ao mesmo tempo que saiu de Visa, Mastercard, UnitedHealth, Domino’s Pizza, Aon e Pool e reduziu em 35% a posição na Chevron.

Esta rotação demonstra que o aumento da atividade não equivale a uma compra indiscriminada de ativos. O capital está a ser concentrado em teses específicas, enquanto posições antigas ou menos prioritárias são reduzidas ou eliminadas.

3. Taylor Morrison amplia o alcance industrial e cria uma plataforma de habitação

A aquisição da Taylor Morrison acrescenta uma dimensão diferente à estratégia. A Berkshire acordou pagar 6,8 mil milhões de dólares em cash, ou 72,50 dólares por ação, um prémio de 24% face ao preço anterior, atribuindo à empresa um enterprise value de 8,5 mil milhões. A transação deverá colocar a Taylor Morrison ao lado da Clayton Homes dentro de uma plataforma de habitação de maior escala.

A Taylor Morrison opera em 12 estados norte-americanos, sobretudo no oeste e sul dos Estados Unidos, e atua tanto em segmentos de entrada como em habitação associada a estilos de vida e resorts. Em 2025, gerou 782,5 milhões de dólares de lucro líquido sobre 8,12 mil milhões de receitas. A combinação com Clayton foi descrita como capaz de criar um dos cinco maiores grupos de construção residencial dos Estados Unidos.

A lógica estratégica decorre da natureza de longo prazo do setor. O material fornecido aponta para um défice habitacional estimado em cerca de 7 milhões de casas, enquanto a própria Taylor Morrison descreveu a Berkshire como particularmente adequada ao ciclo plurianual de investimento necessário na construção residencial. A aquisição também segue outro investimento relevante: em janeiro de 2026, a Berkshire pagou 9,5 mil milhões de dólares em cash pelo negócio químico da Occidental Petroleum.

Em conjunto, estas operações mostram que Abel não está apenas a gerir a carteira financeira herdada, mas também a utilizar liquidez para aumentar a dimensão de negócios integralmente controlados, uma característica central do modelo Berkshire.

4. A força operacional financia a estratégia, mas a qualidade dos resultados é desigual

O segundo trimestre forneceu capacidade adicional para esta política de capital. O lucro operacional subiu 16% para 12,98 mil milhões de dólares, enquanto as receitas cresceram 10% para 101,81 mil milhões. O lucro líquido mais do que duplicou para 25,67 mil milhões, embora este último valor inclua ganhos e perdas não realizados da carteira de ações e, por isso, seja estruturalmente mais volátil.

A melhoria não foi uniforme. O lucro da BNSF aumentou 6% para 1,56 mil milhões de dólares, suportado por maiores volumes em produtos de consumo, agricultura e energia e por preços mais elevados no transporte de combustível. Na Berkshire Hathaway Energy, o lucro cresceu 27% para 891 milhões, beneficiando de melhores margens nas utilities e créditos fiscais. Serviços como NetJets e TTI também contribuíram positivamente.

Em contraste, os lucros de seguros e resseguros caíram 11%, e o resultado de underwriting antes de impostos da Geico recuou 45%, penalizado por maiores custos com sinistros e despesas de marketing. A Berkshire também assinalou menor procura nos seus 103 concessionários de automóveis, na Fruit of the Loom e na Forest River RVs, associando esses sinais a alterações na confiança dos consumidores.

Esta divergência é central para avaliar a sustentabilidade dos resultados: o conglomerado continua a gerar cash em múltiplas áreas, mas algumas das suas exposições mais sensíveis ao consumidor e ao ciclo apresentam deterioração.

Market Implications

A mudança na alocação de capital pode alterar a forma como o mercado avalia a Berkshire na era pós-Buffett como CEO. As ações Class A subiam apenas cerca de 3% em 2026, contra aproximadamente 13% no S&P 500, e tinham ficado cerca de 40 pontos percentuais atrás do índice desde o anúncio, em maio de 2025, de que Buffett deixaria a liderança executiva. Ao mesmo tempo, a capitalização bolsista encontrava-se próxima de 1,5 vezes o valor contabilístico. O aumento das recompras sugere que a gestão vê valor na utilização de parte do excesso de capital ao preço disponível, enquanto grandes investimentos externos oferecem novas vias de crescimento.

A principal questão deixa, assim, de ser se a Berkshire tem capital suficiente e passa a ser se consegue alocá-lo com retornos adequados numa escala suficientemente grande. Alphabet, Taylor Morrison, Delta e as recompras representam formas muito diferentes de exposição, tecnologia e IA, habitação, aviação e o próprio conglomerado, reduzindo a dependência de uma única tese, mas aumentando a importância da disciplina de seleção.

O risco continua a ser assimétrico: um ambiente macroeconómico mais fraco pode afetar consumo, habitação e seguros ao mesmo tempo, enquanto tarifas, guerras e incerteza geopolítica foram explicitamente identificadas pela própria Berkshire como fontes de preocupação. A força do balanço limita o risco financeiro, mas não elimina o risco de pagar demasiado, de deterioração operacional ou de retornos inferiores ao custo de oportunidade do capital.

Conclusão

A Berkshire Hathaway está a entrar numa fase em que a sucessão de liderança começa a produzir sinais concretos na gestão de capital. Greg Abel acelerou recompras, reforçou posições de elevada convicção, avançou com aquisições de grande dimensão e começou a reduzir um stock de cash que tinha atingido máximos históricos, enquanto Warren Buffett continua envolvido nas principais decisões. A força operacional da BNSF, energia e serviços fornece suporte para esta estratégia, embora a deterioração da Geico e a fraqueza em negócios ligados ao consumidor aconselhem prudência. O fator decisivo para os próximos períodos será a capacidade de transformar esta maior velocidade de investimento em retornos sobre o capital que justifiquem a redução de liquidez e reforcem a confiança do mercado na nova fase da Berkshire.   


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Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.

(Artigo sobre a Berkshire Hathaway, formato “News”, atualizado com informações até 24 de Agosto de 2026. Categorias: Serviços Financeiros. Tags: Acionista, Berskshire Hathaway, Empresa de Investimentos, EUA)

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