BHP entre força operacional no minério de ferro e risco jurídico bilionário no Reino Unido
Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a BHP. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.
Strategic Highlights – 20 Janeiro 2026
- A BHP registou produção recorde de minério de ferro no 1.º semestre fiscal, com 146,6 milhões de toneladas até 31 de dezembro, +1% em termos homólogos.
- No trimestre de dezembro, produziu 76,3 milhões de toneladas, acima do consenso de 74,3 milhões, mantendo o guidance anual entre 284 e 296 milhões de toneladas.
- A empresa reconheceu impacto negativo nos preços realizados devido às negociações contratuais com a China, admitindo concessões comerciais.
- O custo do projeto de potássio Jansen (fase 1) no Canadá aumentou para 8,4 mil milhões USD, cerca de +20% face às estimativas anteriores.
- No Reino Unido, a BHP foi impedida de recorrer da decisão que a considera responsável pelo colapso da barragem de Mariana (2015), num processo avaliado até 36 mil milhões de libras.
Nota de Contexto
A BHP é a maior mineradora cotada do mundo, com exposição dominante ao minério de ferro, mas também com operações relevantes em cobre, carvão metalúrgico e potássio. O seu exercício fiscal termina a 30 de junho, pelo que os dados agora reportados referem-se ao primeiro semestre do exercício fiscal 2026 (julho–dezembro 2025). O grupo atravessa um momento estratégico dual: forte execução operacional nas commodities-chave, mas crescente pressão jurídica associada ao desastre ambiental de Mariana, no Brasil.
1) Minério de ferro: recordes de volume, mas pressão nos preços
O principal motor de resultados da BHP continua a ser o minério de ferro da Austrália Ocidental.
- 146,6 milhões de toneladas no 1.º semestre fiscal, máximo histórico para o período.
- 76,3 milhões de toneladas no 2.º trimestre fiscal, superando expectativas.
A manutenção do guidance anual entre 284–296 milhões de toneladas coloca a empresa numa posição confortável antes do tradicionalmente mais húmido terceiro trimestre.
Contudo, o ponto crítico não está no volume está no preço.
Durante as negociações contratuais para 2026 com o comprador estatal chinês China Mineral Resources Group (CMRG), a BHP admitiu que aceitou preços mais baixos em parte das vendas, refletindo pressão negocial por parte da China.
Este reconhecimento é relevante porque:
- O minério de ferro continua a ser o maior gerador de lucros do grupo
- A China permanece o maior mercado
- Qualquer compressão de “realised price” impacta diretamente cash flow
Analistas notaram que as restrições chinesas podem apertar o mercado spot, compensando parcialmente os descontos aplicados nos contratos.
2) Cobre e diversificação: melhoria marginal no guidance
A BHP elevou o limite inferior da previsão anual de produção de cobre:
- Novo intervalo: 1,9–2,0 milhões de toneladas
- Anterior: 1,8–2,0 milhões de toneladas
A revisão reflete forte desempenho operacional nos ativos de cobre, reforçando a tese estratégica de longo prazo da empresa, maior exposição a metais ligados à transição energética.
Embora o minério de ferro domine resultados, o cobre é visto como pilar estrutural de crescimento.
3) Potássio (Jansen): escalada de CAPEX e risco de execução
O projeto Jansen (fase 1), no Canadá, registou nova revisão de custos:
- Custo atualizado: 8,4 mil milhões USD
- Estimativa anterior (julho 2025): 7,0–7,4 mil milhões USD
- Custo inicial aprovado em 2021: 5,7 mil milhões USD
O aumento de cerca de 20% face à última estimativa reflete horas de construção e volumes de materiais superiores ao previsto.
Esta trajetória levanta três questões estratégicas:
- Risco de derrapagens adicionais
- Retorno ajustado ao capital investido
- Capacidade da BHP para manter disciplina financeira num ciclo volátil
Apesar disso, o potássio continua a ser aposta de longo prazo, posicionando a empresa no mercado de fertilizantes.
4) Processo Mariana: risco jurídico de magnitude sistémica
Paralelamente à execução operacional, a BHP enfrenta um risco jurídico significativo no Reino Unido.
O Tribunal Superior de Londres recusou autorização para recurso da decisão que considerou a empresa responsável pelo colapso da barragem de Fundão (Mariana, Brasil) em 2015.
O processo poderá atingir até 36 mil milhões de libras (cerca de 48 mil milhões USD), segundo avaliação dos advogados dos reclamantes, tornando-o um dos maiores da história judicial inglesa.
O caso envolve:
- Centenas de milhares de reclamantes
- Dezenas de municípios brasileiros
- Cerca de 2.000 empresas
A fase seguinte do processo (quantificação de danos) deverá iniciar-se em outubro, com decisão esperada em meados de 2027.
Embora a BHP pretenda recorrer diretamente para o Tribunal de Recurso, o risco permanece material, não apenas financeiro, mas também reputacional e ESG.
5) Leitura estratégica: dois vetores opostos
A fotografia atual da BHP mostra dois movimentos divergentes:
Força Operacional
- Recordes de produção
- Guidance estável
- Revisão positiva no cobre
Pressão Estrutural
- Concessões nos preços do minério
- Aumento de CAPEX no potássio
- Risco jurídico potencialmente multibilionário
O mercado refletiu parte desta tensão, com as ações a recuarem cerca de 2% no dia da divulgação operacional, num contexto de fraqueza generalizada do setor mineiro.
6) Perspetivas
Três fatores irão definir a trajetória da BHP em 2026:
1️⃣ Desfecho das negociações com a China
Se os descontos persistirem, as margens no minério de ferro poderão contrair.
2️⃣ Execução do projeto Jansen
Novas revisões de custo podem penalizar confiança do mercado.
3️⃣ Evolução do processo Mariana
Qualquer desenvolvimento jurídico negativo pode reprecificar o risco ESG e jurídico da empresa.
Conclusão
A BHP inicia 2026 com desempenho operacional robusto no minério de ferro e sinais positivos no cobre, sustentando a sua posição como líder global no setor mineiro. Contudo, a empresa enfrenta dois riscos relevantes: pressão nos preços realizados devido à China e um processo judicial no Reino Unido com potencial impacto multibilionário.
A curto prazo, o volume recorde dá suporte ao fluxo de caixa. A médio prazo, o verdadeiro teste será a capacidade de manter disciplina de capital e navegar a complexidade jurídica sem comprometer retorno aos acionistas.
A BHP continua forte do ponto de vista operacional, mas a narrativa de 2026 será tão jurídica e geopolítica quanto industrial.
Visite o Disclaimer para mais informações.
Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.
(Artigo sobre o BHP, formato “News”, atualizado com informações até 20 de Janeiro de 2026. Categorias: Metais e Minerais. Classe de Ativos: Ações. Tags: Acionista, BHP, Austrália, Reino Unido, Minerais, Metais)