BNP Paribas: reforço de capital e rotação estratégica compensam subida do risco de crédito
Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a BNP Paribas. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.
Strategic Highlights – 08 dezembro 2025
- O BNP Paribas elevou o objetivo de CET1 para 13% até 2027, face a 12,5% anteriormente, procurando responder a preocupações persistentes dos investidores sobre capital e desconto relativo face a pares europeus.
- O banco anunciou um programa de recompra de ações de 1,15 mil milhões €, autorizado pelo ECB, sinalizando confiança na geração de capital.
- Os resultados do 3.º trimestre de 2025 falharam ligeiramente as expectativas, penalizados por um aumento de 24% nas provisões para crédito, incluindo um evento específico na área de mercados.
- O investment bank continuou a crescer, mas ficou aquém dos rivais norte-americanos, reforçando a perceção de gap estrutural.
- A operação com a Ageas (3 mil milhões €) reforça a aposta em bancassurance e receitas com menor consumo de capital, com impacto positivo esperado a partir de 2026.
Nota de Contexto
O BNP Paribas é o maior banco da zona euro em ativos e um dos principais grupos financeiros globais, com presença forte em banca comercial, corporate & investment banking e gestão de ativos. Apesar de resultados consistentes, o banco tem negociado historicamente com desconto face a pares europeus, em parte devido a perceções de menor rentabilidade estrutural e maior complexidade do grupo. Em 2025, a gestão intensificou esforços para clarificar a narrativa de capital, distribuição e foco estratégico.
Resultados do 3.º trimestre: resiliência operacional travada pelo risco de crédito
Os resultados publicados a 28 de outubro de 2025 revelaram um trimestre misto, em que a solidez operacional foi ofuscada por um aumento relevante do custo do risco.
Principais números:
- Lucro líquido: 3,04 mil milhões €, +6,1% em termos homólogos, mas abaixo do consenso de 3,09 mil milhões €.
- Receitas totais: 12,6 mil milhões €, +5,3%, também ligeiramente abaixo das expectativas (12,8 mil milhões €).
- Provisões para crédito: 905 milhões €, +24%, alinhadas com o consenso, mas inflacionadas por uma situação de crédito específica na unidade de mercados.
A leitura qualitativa foi dominada pelo tom cauteloso:
- Clientes corporativos adotaram uma postura “wait-and-see”, num contexto de tensões geopolíticas, dólar mais fraco e menor visibilidade macro.
- A banca global (corporate & investment banking) registou uma queda de 2,6% nas vendas, ligeiramente pior do que o esperado.
Investment banking: crescimento, mas com gap face a Wall Street
O investment bank, motor estratégico do BNP nos últimos anos, manteve crescimento, mas voltou a evidenciar divergência face aos grandes bancos norte-americanos.
Dados relevantes:
- Receitas do investment bank: 4,46 mil milhões €, +4,5%.
- FICC (fixed income, currencies and commodities): +3,7%.
Por comparação:
- Goldman Sachs reportou +17% em FICC.
- JPMorgan registou +25% nas receitas de mercados.
Esta diferença reforça a perceção de que:
- O BNP tem uma plataforma sólida e diversificada,
- Mas enfrenta limites estruturais de escala e risco face aos líderes globais,
- O que condiciona a reavaliação do múltiplo em bolsa.
Banca comercial: suporte defensivo num ambiente exigente
Na banca comercial e pessoal, sobretudo na zona euro, o desempenho foi mais defensivo:
- Margem financeira líquida cresceu 4,5%, beneficiando ainda de níveis de taxas elevados.
- A área continua a funcionar como âncora de estabilidade, compensando maior volatilidade no corporate & investment banking.
Este pilar é crucial para a narrativa de capital, permitindo ao grupo absorver choques pontuais no custo do risco sem comprometer objetivos estratégicos.
Capital: ponto de viragem na perceção dos investidores
A 20 de novembro de 2025, o BNP surpreendeu positivamente o mercado ao:
- Elevar o objetivo de CET1 para 13% até 2027, face a 12,5% dois meses antes.
- Confirmar crescimento moderado dos ativos ponderados pelo risco (~2% ao ano).
- Reforçar o compromisso com desinvestimentos em ativos não estratégicos.
A reação foi imediata:
- As ações subiram ~5% num só dia, no maior ganho diário desde março de 2022.
- Analistas classificaram a decisão como um “turning point” na narrativa do banco.
Em paralelo, o ECB autorizou uma recompra de ações de 1,15 mil milhões €, com início previsto antes do final de novembro, reforçando a mensagem de disciplina e confiança.
Ageas: rotação estratégica para receitas menos intensivas em capital
O anúncio de 8 de dezembro de 2025 marca um passo estratégico relevante:
- O BNP aumentará a participação na Ageas para 22,5%, num negócio em duas fases avaliado em 3 mil milhões €.
- Venda da participação direta na AG Insurance por 1,9 mil milhões €.
- Reinvestimento de 1,1 mil milhões € na Ageas via BNP Paribas Cardif.
Impactos financeiros esperados:
- Ganho líquido após impostos de 820 milhões € em 2026.
- Contribuição recorrente de +40 milhões € por ano para o resultado líquido.
- Reforço estrutural do modelo de bancassurance, com menor consumo de capital e maior previsibilidade.
Este movimento alinha-se com o objetivo de:
- Reduzir dependência de crédito intensivo em capital.
- Reforçar receitas baseadas em comissões e parcerias de longo prazo.
Exposição à infraestrutura de IA: papel discreto mas relevante
O BNP surge também, de forma indireta, ligado ao ciclo de investimento em IA. A 7 de novembro, foi identificado como um dos bancos líderes no financiamento de um projeto de data center de 18 mil milhões USD associado à Oracle, no Novo México.
Embora:
- Não seja um driver central da tese do banco,
- Nem represente risco material isolado,
este tipo de operações evidencia:
- A relevância do BNP em project finance de grande escala.
- A exposição crescente do setor bancário europeu ao ciclo de infraestrutura digital, com riscos e oportunidades associados.
Conclusão
O BNP Paribas entra em 2026 com uma narrativa mais equilibrada, mas ainda em construção. A subida do custo do risco no 3.º trimestre expôs vulnerabilidades num contexto macro mais frágil, mas a resposta estratégica, reforço do capital, recompra de ações e rotação para bancassurance, foi bem recebida pelo mercado. A elevação do objetivo de CET1 para 13% representa um esforço claro para fechar o desconto face a pares europeus, embora a reavaliação plena dependa de maior consistência no investment banking e de maior visibilidade sobre riscos legais e de crédito. O caso de investimento passa, assim, menos por aceleração do crescimento e mais por credibilidade, disciplina de capital e execução estratégica continuada.
Visite o Disclaimer para mais informações.
Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.
(Artigo sobre a BNP Paribas, formato “News”, atualizado com informações até 08 de Dezembro de 2025. Categorias: Serviços Financeiros. Classe de Ativos: Ações. Tags: Acionista, BNP Paribas, Serviços Financeiros, França, Bancos)