Chevron reforça posição geopolítica com aposta na Venezuela e pressão contratual no Iraque, enquanto supera estimativas no 4.º trimestre
Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Chevron. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.
Strategic Highlights
- A Chevron superou as estimativas no 4.º trimestre de 2025, com EPS ajustado de 1,52 USD (vs. 1,45 USD esperado), apesar de uma queda face aos 2,06 USD do ano anterior, num contexto de preços do crude mais baixos.
- A empresa produz atualmente cerca de 250.000 boe/dia na Venezuela e estima poder aumentar essa produção em 50% nos próximos 18–24 meses, mediante novas autorizações do governo dos EUA.
- A Chevron prevê crescimento de produção de 7–10% em 2026, excluindo alienações, suportado por projetos na Guiana e no Golfo do México.
- No Iraque, a empresa está a negociar melhores termos contratuais para assumir o campo West Qurna 2, responsável por cerca de 0,5% da oferta global de petróleo e quase 10% da produção iraquiana.
- A Chevron planeia aumentar exportações de crude venezuelano para os EUA para cerca de 300.000 bpd em março, face a 100.000 bpd em dezembro, escoando inventários acumulados após bloqueios anteriores.
Nota de Contexto
A Chevron é uma das maiores petrolíferas integradas globais, com operações upstream e downstream distribuídas por múltiplas geografias. Em 2025, reforçou o seu portefólio com a aquisição da Hess por 53 mil milhões de dólares, consolidando exposição à Guiana. No atual contexto geopolítico, a empresa emerge como peça central na reconfiguração energética de dois países críticos: Venezuela, após mudança política e flexibilização parcial de sanções, e Iraque, onde ativos anteriormente controlados pela Lukoil russa estão a ser redistribuídos.
1) Resultados do 4.º trimestre: resiliência operacional num ciclo menos favorável
No trimestre terminado a 31 de dezembro de 2025, a Chevron reportou:
- EPS ajustado: 1,52 USD (vs. 1,45 USD estimado)
- Resultado inferior aos 2,06 USD do ano anterior
- Produção total: 4 milhões boe/dia, estável face ao trimestre anterior
- Lucros upstream: 3 mil milhões USD (-30% YoY)
- Lucros downstream: 823 milhões USD, revertendo perda anterior de 248 milhões USD
O desempenho confirma dois vetores:
- Pressão nos lucros upstream devido a preços mais baixos do crude;
- Recuperação do downstream, beneficiando de margens de refinação mais elevadas.
Apesar da queda homóloga no lucro, o “beat” face às estimativas demonstra controlo de custos e eficiência operacional, reforçando a narrativa de disciplina de capital.
2) Venezuela: da exceção sancionada à alavanca estratégica
A Venezuela é hoje o principal catalisador estratégico para a Chevron.
Aumento imediato de exportações
A empresa planeia elevar exportações para os EUA para cerca de 300.000 bpd em março, face a 100.000 bpd em dezembro e cerca de 230.000 bpd em janeiro.
Produção atual conjunta com a PDVSA:
- 240.000–250.000 bpd de crude pesado, muito procurado por refinarias da Costa do Golfo dos EUA.
Potencial de crescimento estrutural
Segundo a CFO Eimear Bonner, a produção poderá crescer 50% nos próximos 18–24 meses, caso haja novas autorizações regulatórias.
A empresa opera sob um modelo de financiamento “self-funded”, utilizando caixa gerado localmente para sustentar operações, reduzindo risco de capital externo e mantendo disciplina financeira.
Contexto político favorável
Após a captura de Nicolás Maduro e a instalação de um governo interino liderado por Delcy Rodríguez, a administração norte-americana flexibilizou algumas sanções com o objetivo de revitalizar a produção venezuelana.
Este alinhamento político posiciona a Chevron como beneficiária direta de uma eventual reconstrução energética venezuelana estimada em 100 mil milhões de dólares ao longo do tempo.
3) Iraque: negociação dura sobre retornos no West Qurna 2
Em paralelo, a Chevron está a negociar melhores termos para assumir o campo West Qurna 2, anteriormente operado pela Lukoil e nacionalizado após sanções dos EUA.
O campo:
- Representa cerca de 0,5% da oferta global de petróleo;
- Equivale a quase 10% da produção do Iraque;
- Operava sob contratos de serviço com retornos considerados entre os mais baixos do país.
A Chevron está a exigir:
- Revisão das condições contratuais;
- Melhoria da estrutura de partilha de lucros (em linha com novos contratos no país).
Este ponto é estratégico: o Iraque tem vindo a migrar de contratos de serviço para acordos de partilha de produção, atraindo majors como TotalEnergies e BP com compromissos superiores a 50 mil milhões USD combinados.
Para a Chevron, aceitar termos antigos reduziria retorno ajustado ao risco num ativo de elevada complexidade operacional e política.
4) Riscos operacionais de curto prazo
O 1.º trimestre de 2026 deverá sofrer impacto temporário:
- Manutenção programada no campo de Tengiz (Cazaquistão);
- Disrupções após ataque ao Caspian Pipeline Consortium (responsável por 80% das exportações do país);
- Tempestade de inverno nos EUA que afetou o Permian.
Impacto estimado:
- Redução de produção entre 185.000 e 225.000 boe/dia no 1.º trimestre.
A empresa espera que Tengiz retome produção total dentro de uma semana, sugerindo natureza transitória do impacto.
5) Disciplina de capital e retorno ao acionista
Em 2025:
- Dividendos pagos: 12,8 mil milhões USD
- Recompras de ações: 12,1 mil milhões USD (parte inferior da faixa 10–20 mil milhões USD)
O compromisso com retorno ao acionista permanece robusto, mesmo num ambiente de lucros mais baixos.
6) A nova geografia da Chevron: Guiana, Golfo do México e América Latina
A aquisição da Hess por 53 mil milhões USD reforça a exposição à Guiana, um dos projetos offshore mais rentáveis do mundo.
Em conjunto com:
- Expansão potencial na Venezuela;
- Entrada estratégica reforçada no Iraque;
a Chevron está a reposicionar o seu portefólio para ativos de maior retorno ajustado ao risco geopolítico.
Conclusão
A Chevron combina três vetores estratégicos claros:
- Resiliência financeira, comprovada por resultados acima das estimativas num ambiente de preços mais fracos;
- Expansão oportunística na Venezuela, beneficiando de realinhamento político e potencial aumento de produção até 50%;
- Negociação assertiva no Iraque, exigindo melhores retornos antes de assumir West Qurna 2.
O risco de curto prazo está na execução operacional (Tengiz, clima, logística), mas a tese estrutural é de crescimento sustentado de produção (7–10% em 2026) com disciplina de capital.
Num cenário global de reconfiguração energética, a Chevron surge não apenas como produtora resiliente, mas como um ator geopolítico relevante, capaz de transformar mudanças políticas em vantagem estratégica de longo prazo.
Visite o Disclaimer para mais informações.
Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.
(Artigo sobre a Chevron, formato “News”, atualizado com informações até 27 de Fevereiro de 2026. Categorias: Energia. Tags: Acionista, EUA, Chevron, Energia, Petróleo, Petrolífera)