PBOC: estabilidade nas taxas, ouro em máximos e gestão ativa do yuan sinalizam viragem para prudência estratégica
Aqui pode acompanhar os últimos desenvolvimentos relacionadas com a Política Monetária do PBOC. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta economia e mundo com as políticas, consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.
Strategic Highlights – 04 dezembro 2025
- O PBOC manteve as taxas de referência (LPR) inalteradas pelo sexto mês consecutivo, com a LPR a 1 ano em 3,0% e a 5 anos em 3,5%, confirmando uma postura menos dovish.
- O banco central chinês comprou ouro pelo 12.º mês consecutivo, elevando as reservas para 74,09 milhões de onças troy, avaliadas em 297,2 mil milhões USD.
- O discurso oficial passou a enfatizar ajustes “cross-cyclical”, sugerindo menor urgência em estímulos monetários generalizados.
- O yuan aproximou-se de máximos de 14 meses, levando o PBOC a fixar o midpoint sistematicamente mais fraco do que o esperado, sinalizando cautela face a uma valorização excessiva.
- Analistas adiaram expectativas de novos cortes de taxas ou de RRR para início de 2026, reforçando a leitura de uma pausa estratégica na política monetária.
Nota de Contexto
O People’s Bank of China (PBOC) é o banco central da China e desempenha um papel central não apenas na política monetária, mas também na gestão cambial, no controlo da liquidez e na estabilidade financeira. Num contexto de crescimento económico mais fraco, tensões comerciais recorrentes e procura interna contida, a atuação do PBOC tem procurado equilibrar estímulo suficiente para evitar desaceleração abrupta com a necessidade de preservar estabilidade financeira e cambial.
Taxas inalteradas: da urgência do estímulo à contenção deliberada
Entre outubro e novembro de 2025, a China manteve as taxas LPR inalteradas pelo 5.º e 6.º meses consecutivos, contrariando expectativas anteriores de um ciclo mais agressivo de flexibilização monetária.
Os dados são claros:
- LPR 1 ano: 3,0%
- LPR 5 anos: 3,5%
- Consenso total em inquéritos da Reuters quanto à manutenção das taxas.
A mudança relevante não está na decisão em si, mas no tom. O PBOC voltou a utilizar o conceito de política “cross-cyclical”, ausente desde o início de 2024, indicando que o foco passou a ser suavizar flutuações ao longo do ciclo em vez de reagir de forma imediata a dados de curto prazo.
Apesar de:
- Queda acentuada dos novos empréstimos em outubro
- Abrrandamento das exportações e do retalho
- Procura de crédito persistentemente fraca
o banco central mostrou-se disposto a tolerar moderação adicional no crescimento do crédito, privilegiando medidas mais direcionadas e deixando maior protagonismo à política fiscal.
Ouro: acumulação contínua como âncora estratégica
Em contraste com a pausa monetária, o PBOC manteve uma atuação consistente no mercado de ouro. Em outubro, a China:
- Aumentou as reservas para 74,09 milhões de onças troy, face a 74,06 milhões em setembro.
- Registou um crescimento anual de 1,8% nas reservas físicas.
- Viu o valor das reservas subir para 297,2 mil milhões USD, beneficiando também da forte valorização do metal.
Este movimento ocorre num contexto de:
- Ouro acima de 4.000 USD/onça, após máximos históricos de 4.381 USD em outubro.
- Crescente incerteza geopolítica, fiscal e comercial nos EUA.
- Estratégia continuada de diversificação de reservas, reduzindo dependência do dólar.
A retoma das compras, após uma breve pausa em 2024, reforça a leitura de que o ouro é visto como instrumento estrutural de proteção e não apenas tática de curto prazo.
Yuan forte demais? Gestão ativa da valorização cambial
No início de dezembro, o yuan aproximou-se de máximos de 14 meses, sustentado por:
- Fraqueza do dólar, com expectativas de cortes de taxas pela Fed.
- Expectativas de redução de tensões comerciais.
- Diferenciais de rendimentos menos penalizadores para a moeda chinesa.
Perante este movimento, o PBOC respondeu não com intervenções diretas, mas através do fixing diário:
- O midpoint foi definido sistematicamente mais fraco do que o estimado pelo mercado, com desvios até 179 pips, o maior desde 2022.
- Sinal claro de desconforto com uma valorização rápida, apesar de o yuan manter um ganho anual superior a 3%.
Esta abordagem confirma uma estratégia de gestão fina da taxa de câmbio: permitir apreciação gradual, mas evitar movimentos que possam prejudicar exportações ou reintroduzir volatilidade financeira.
Leitura integrada: política monetária em “modo espera”, mas ativa nos bastidores
O conjunto das decisões revela um PBOC menos reativo e mais estrategicamente paciente:
- Sem cortes de taxas enquanto a eficácia marginal do estímulo monetário for limitada pela fraca procura de crédito.
- Compras regulares de ouro como pilar de longo prazo da política de reservas.
- Gestão cuidadosa do yuan, equilibrando credibilidade cambial com competitividade externa.
Vários analistas passaram a antecipar que:
- Um eventual “dual cut” (taxas + RRR) só ocorrerá em 2026, caso o abrandamento económico se intensifique.
- O principal impulso ao crescimento deverá vir da política fiscal, e não do PBOC.
Conclusão
A atuação recente do PBOC marca uma transição clara de estímulo defensivo para prudência estratégica. Ao manter taxas estáveis, acumular ouro de forma consistente e gerir ativamente a valorização do yuan, o banco central sinaliza confiança na estabilidade macroeconómica, mas também reconhecimento dos limites da política monetária num contexto de procura frágil. Para os mercados, a mensagem é inequívoca: a China entra em 2026 com o PBOC em segundo plano no estímulo ao crescimento, mas plenamente ativo na gestão de riscos sistémicos e geopolíticos.
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Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.
(Artigo sobre a Política Monetária da China, formato “Geral”, atualizado com informações até 04 de Dezembro de 2025. Categoria: Bancos Centrais. Classe de Ativos: N/A. Tags: Política Monetária, PBOC, Banco Central, Taxa de Juro, China)