China, Política Monetária (PBOC) – 23 Dez 25

PBOC: estabilidade nas taxas, ouro em máximos e gestão ativa do yuan sinalizam viragem para prudência estratégica


Aqui pode acompanhar os últimos desenvolvimentos relacionadas com a Política Monetária do PBOC. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta economia e mundo com as políticas, consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.     


Strategic Highlights – 04 dezembro 2025

  • O PBOC manteve as taxas de referência (LPR) inalteradas pelo sexto mês consecutivo, com a LPR a 1 ano em 3,0% e a 5 anos em 3,5%, confirmando uma postura menos dovish.
  • O banco central chinês comprou ouro pelo 12.º mês consecutivo, elevando as reservas para 74,09 milhões de onças troy, avaliadas em 297,2 mil milhões USD.
  • O discurso oficial passou a enfatizar ajustes “cross-cyclical”, sugerindo menor urgência em estímulos monetários generalizados.
  • O yuan aproximou-se de máximos de 14 meses, levando o PBOC a fixar o midpoint sistematicamente mais fraco do que o esperado, sinalizando cautela face a uma valorização excessiva.
  • Analistas adiaram expectativas de novos cortes de taxas ou de RRR para início de 2026, reforçando a leitura de uma pausa estratégica na política monetária.

Nota de Contexto

O People’s Bank of China (PBOC) é o banco central da China e desempenha um papel central não apenas na política monetária, mas também na gestão cambial, no controlo da liquidez e na estabilidade financeira. Num contexto de crescimento económico mais fraco, tensões comerciais recorrentes e procura interna contida, a atuação do PBOC tem procurado equilibrar estímulo suficiente para evitar desaceleração abrupta com a necessidade de preservar estabilidade financeira e cambial.

Taxas inalteradas: da urgência do estímulo à contenção deliberada

Entre outubro e novembro de 2025, a China manteve as taxas LPR inalteradas pelo 5.º e 6.º meses consecutivos, contrariando expectativas anteriores de um ciclo mais agressivo de flexibilização monetária.

Os dados são claros:

  • LPR 1 ano: 3,0%
  • LPR 5 anos: 3,5%
  • Consenso total em inquéritos da Reuters quanto à manutenção das taxas.

A mudança relevante não está na decisão em si, mas no tom. O PBOC voltou a utilizar o conceito de política “cross-cyclical”, ausente desde o início de 2024, indicando que o foco passou a ser suavizar flutuações ao longo do ciclo em vez de reagir de forma imediata a dados de curto prazo.

Apesar de:

  • Queda acentuada dos novos empréstimos em outubro
  • Abrrandamento das exportações e do retalho
  • Procura de crédito persistentemente fraca

o banco central mostrou-se disposto a tolerar moderação adicional no crescimento do crédito, privilegiando medidas mais direcionadas e deixando maior protagonismo à política fiscal.

Ouro: acumulação contínua como âncora estratégica

Em contraste com a pausa monetária, o PBOC manteve uma atuação consistente no mercado de ouro. Em outubro, a China:

  • Aumentou as reservas para 74,09 milhões de onças troy, face a 74,06 milhões em setembro.
  • Registou um crescimento anual de 1,8% nas reservas físicas.
  • Viu o valor das reservas subir para 297,2 mil milhões USD, beneficiando também da forte valorização do metal.

Este movimento ocorre num contexto de:

  • Ouro acima de 4.000 USD/onça, após máximos históricos de 4.381 USD em outubro.
  • Crescente incerteza geopolítica, fiscal e comercial nos EUA.
  • Estratégia continuada de diversificação de reservas, reduzindo dependência do dólar.

A retoma das compras, após uma breve pausa em 2024, reforça a leitura de que o ouro é visto como instrumento estrutural de proteção e não apenas tática de curto prazo.

Yuan forte demais? Gestão ativa da valorização cambial

No início de dezembro, o yuan aproximou-se de máximos de 14 meses, sustentado por:

  • Fraqueza do dólar, com expectativas de cortes de taxas pela Fed.
  • Expectativas de redução de tensões comerciais.
  • Diferenciais de rendimentos menos penalizadores para a moeda chinesa.

Perante este movimento, o PBOC respondeu não com intervenções diretas, mas através do fixing diário:

  • O midpoint foi definido sistematicamente mais fraco do que o estimado pelo mercado, com desvios até 179 pips, o maior desde 2022.
  • Sinal claro de desconforto com uma valorização rápida, apesar de o yuan manter um ganho anual superior a 3%.

Esta abordagem confirma uma estratégia de gestão fina da taxa de câmbio: permitir apreciação gradual, mas evitar movimentos que possam prejudicar exportações ou reintroduzir volatilidade financeira.

Leitura integrada: política monetária em “modo espera”, mas ativa nos bastidores

O conjunto das decisões revela um PBOC menos reativo e mais estrategicamente paciente:

  • Sem cortes de taxas enquanto a eficácia marginal do estímulo monetário for limitada pela fraca procura de crédito.
  • Compras regulares de ouro como pilar de longo prazo da política de reservas.
  • Gestão cuidadosa do yuan, equilibrando credibilidade cambial com competitividade externa.

Vários analistas passaram a antecipar que:

  • Um eventual “dual cut” (taxas + RRR) só ocorrerá em 2026, caso o abrandamento económico se intensifique.
  • O principal impulso ao crescimento deverá vir da política fiscal, e não do PBOC.

Conclusão

A atuação recente do PBOC marca uma transição clara de estímulo defensivo para prudência estratégica. Ao manter taxas estáveis, acumular ouro de forma consistente e gerir ativamente a valorização do yuan, o banco central sinaliza confiança na estabilidade macroeconómica, mas também reconhecimento dos limites da política monetária num contexto de procura frágil. Para os mercados, a mensagem é inequívoca: a China entra em 2026 com o PBOC em segundo plano no estímulo ao crescimento, mas plenamente ativo na gestão de riscos sistémicos e geopolíticos.


Visite o Disclaimer para mais informações.

Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.

(Artigo sobre a Política Monetária da China, formato “Geral”, atualizado com informações até 04 de Dezembro de 2025. Categoria: Bancos Centrais. Classe de Ativos: N/A. Tags: Política Monetária, PBOC, Banco Central, Taxa de Juro, China)

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