Codelco: estabilização frágil no cobre e aposta no lítio avança, mas sob escrutínio regulatório
Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Codelco. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.
Strategic Highlights – 5 janeiro 2026
- A produção de cobre da Codelco em 2025 terá atingido 1,332 milhões de toneladas, um aumento marginal de 4.000 toneladas face a 2024 (1,328 milhões), segundo o jornal chileno La Tercera.
- A administração reconheceu publicamente uma melhoria “ligeira” em 2025, mas a empresa continua a enfrentar obstáculos estruturais, incluindo menores teores de minério e problemas operacionais.
- A trajetória de produção foi ainda marcada por um choque operacional: um acidente mortal na mina El Teniente em julho (2025), descrito como um “setback” adicional num esforço já difícil de recuperação.
- No lítio, a Controladoria (comptroller) do Chile aprovou o acordo Codelco–SQM para um joint venture no Salar de Atacama, impondo diretrizes, incluindo a exigência de a Codelco manter mais de 50% do capital da sociedade.
- A aprovação ocorre no mesmo dia em que foi anunciada uma auditoria “sem precedentes” ao acordo após queixas parlamentares, elevando o risco político e reputacional num projeto central para a estratégia estatal do setor.
Nota de Contexto
A Codelco é o grupo estatal chileno de cobre e um ativo estratégico para o país. Nos documentos, a empresa surge em dois eixos simultâneos: (1) a tentativa de normalizar e recuperar produção de cobre num contexto de constrangimentos geológicos e operacionais; e (2) a expansão do papel do Estado no lítio, através de um acordo com a SQM no Salar de Atacama, alinhado com o plano do Presidente Gabriel Boric para aumentar controlo público e produção.
1) Cobre: a recuperação existe, mas é estatisticamente mínima e estrategicamente insuficiente
O número que define o ano é claro: 1,332 milhões de toneladas em 2025, contra 1,328 milhões em 2024. A diferença, +4.000 toneladas, equivale a uma melhoria de baixa magnitude, que confirma estabilização, mas não constitui ainda uma reversão estrutural do problema de produção.
O próprio enquadramento sugere que a Codelco está a operar numa fase em que:
- o desafio já não é apenas “crescer”, mas parar de cair;
- a fricção vem de fatores persistentes: degradação de teores e questões operacionais;
- mesmo quando há melhoria nos primeiros nove meses, a empresa teve de reduzir a previsão para 2025 em novembro, sugerindo que a visibilidade operacional se manteve limitada ao longo do ano.
A leitura estratégica desta variação marginal é relevante: num produtor desta escala, um ganho de 4.000 toneladas é mais um sinal de “controlo” do que um sinal de “crescimento”. É também um lembrete de que a base de geração de caixa do cobre continua vulnerável a choques inesperados.
El Teniente: risco operacional material
O acidente fatal em El Teniente em julho é citado como um novo revés num processo já condicionado. Não é apenas um evento isolado; reforça a perceção de que a normalização da produção passa também por uma dimensão de segurança, robustez de operações e continuidade.
2) Lítio: o acordo com a SQM avança, mas o “custo” é escrutínio e condicionalidade
No lítio, o movimento é mais decisivo e politicamente carregado. A Controladoria do Chile aprovou o acordo entre Codelco e SQM para operar um joint venture no Salar de Atacama, definindo orientações explícitas, como a obrigação de a Codelco manter participação superior a 50%.
Este detalhe é central porque materializa o objetivo político do governo:
- expansão do controlo do Estado no lítio;
- aumento de produção através de uma estrutura em que o parceiro privado opera, mas o Estado mantém a posição dominante.
Auditoria “sem precedentes”: risco político e reputacional
A aprovação veio “horas depois” do anúncio de uma auditoria “sem precedentes” motivada por queixas parlamentares, o que significa que o projeto entra na fase de execução com:
- maior visibilidade pública;
- necessidade acrescida de demonstração de rigor;
- maior exposição a atrasos se o processo se tornar politicamente contestado.
As dúvidas dos legisladores têm dois focos:
- por que razão houve negociação direta em vez de concurso público;
- por que a Codelco escolheu a SQM, apesar de referências a litígios pendentes com autoridades fiscais.
A Codelco responde com uma estratégia típica de “ancoragem por governança”: declara que vai cooperar com “transparência” e invoca a participação da Morgan Stanley como assessor financeiro, destacando o seu papel na estruturação da parceria.
Ainda não é “último passo” total: leases e risco de calendário
Apesar do “green light” do regulador, o texto menciona que a Codelco ainda aguardava aprovação de contratos de arrendamento (leases) entre a agência estatal Corfo e a sua subsidiária, num processo iniciado em setembro. Isto sugere que, mesmo com aprovação central, a execução depende de etapas administrativas que podem afetar calendário e previsibilidade.
Risco acionista e fricção judicial: Tianqi
O documento refere ainda que a chinesa Tianqi, investidor relevante na SQM, tentou bloquear o acordo nos tribunais chilenos (sem sucesso até ao momento), argumentando que deveria ter exigido aprovação de acionistas. Mesmo que não trave a operação, é um sinal de que o deal opera num ambiente com potenciais frentes de contestação.
3) O “trade-off” estratégico: estabilizar o cobre enquanto se constrói o novo pilar do lítio
Tomados em conjunto, os textos descrevem a Codelco num equilíbrio delicado:
- No cobre, a empresa parece estar a conseguir “limitar danos”, mas sem evidência (nestes documentos) de recuperação forte. O crescimento de 4.000 toneladas é insuficiente para anular o ruído de fundo de teores mais baixos e constrangimentos operacionais.
- No lítio, o avanço institucional é real (aprovação), mas o custo é uma maior carga de governança e escrutínio (auditoria, críticas parlamentares, disputa judicial), que pode introduzir risco de calendário e de confiança.
A implicação é que a Codelco está simultaneamente:
- a gerir um ativo maduro e operacionalmente difícil (cobre), onde a variabilidade é alta e a melhoria é lenta;
- a tentar posicionar-se no ativo estratégico do próximo ciclo (lítio), onde a “licença social e política” é tão determinante quanto a engenharia do projeto.
Conclusão
A fotografia que emerge destes documentos é a de uma Codelco a alcançar uma melhoria de produção em 2025, mas apenas marginal, num setor onde as forças estruturais (teores, complexidade operacional e risco de eventos como o acidente em El Teniente) continuam dominantes.
Em paralelo, a empresa dá um passo relevante para reposicionar o Estado chileno no lítio, com a aprovação do joint venture com a SQM e uma condição-chave: controlo maioritário da Codelco (>50%). Mas este avanço vem acompanhado de um ambiente político mais exigente, visível na auditoria “sem precedentes” e nas críticas ao processo de seleção.
Assim, o “case” da Codelco para 2026, com base no que está aqui, assenta menos num salto de produção no cobre e mais na capacidade de executar o pilar do lítio com robustez de governança, enquanto estabiliza operações num core que continua a revelar fragilidades.
Visite o Disclaimer para mais informações.
Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.
(Artigo sobre a Codelco, formato “News”, atualizado com informações até 05 de Janeiro de 2025. Categorias: Metais e Minerais. Classe de Ativos: Ações. Tags: Acionista, Codelco, Metais, Chile, Minerais)