Coreia do Sul, Economia – 08 Jan 26

Ásia em desaceleração assimétrica: PMI fraco na China pressiona região, Coreia do Sul resiste via estímulo e exportações


Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Coreia do Sul. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos da atividade económica mais relevantes que impactam esta economia e mundo, consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.


Strategic Highlights – 17 dezembro 2025

  • Os PMI industriais de setembro confirmaram uma contração generalizada da atividade fabril na Ásia, liderada por China, Japão e Taiwan, refletindo procura externa fraca e impacto das tarifas dos EUA.
  • A China registou contração industrial pelo sexto mês consecutivo, evidenciando a persistência da fraqueza da procura doméstica e a pressão adicional do comércio externo.
  • A Coreia do Sul destacou-se positivamente, com o PMI a regressar à zona de expansão (50,7) em setembro e um crescimento do PIB no 3.º trimestre revisto para 1,3% em cadeia, o mais forte desde 2021.
  • Apesar do crescimento, o Banco da Coreia (BOK) alertou para riscos inflacionistas associados à fraqueza do won, com a inflação a manter-se acima da meta de 2% pelo terceiro mês consecutivo.
  • O pano de fundo regional continua condicionado por incerteza geopolítica e comercial, com a Coreia do Sul particularmente exposta às negociações comerciais com os EUA e ao risco de tarifas mais elevadas.

Nota de Contexto

A Ásia continua altamente dependente do comércio global e da procura chinesa. Após o impulso pós-pandemia, a região enfrenta agora um ambiente marcado por abrandamento nos EUA, fraqueza estrutural da China e ressurgimento do protecionismo sob a administração norte-americana. Os indicadores PMI e os dados de crescimento recentes mostram uma região a evoluir a duas velocidades, com economias mais expostas à tecnologia e exportações a sentirem maior pressão.

PMI asiáticos: China como travão regional

Os inquéritos PMI divulgados a 1 de outubro mostraram que a atividade industrial:

  • Contraiu no Japão (PMI 48,5) e em Taiwan (46,8), refletindo quedas acentuadas em novas encomendas e produção.
  • Permaneceu fraca na China, onde o PMI oficial ficou em território de contração pelo sexto mês consecutivo, penalizado por consumo interno débil e impacto das tarifas dos EUA.

Este quadro confirma que:

  • A China deixou de funcionar como motor de estabilização regional.
  • As cadeias de valor asiáticas continuam vulneráveis à procura final norte-americana e europeia.

A Índia manteve crescimento industrial, mas a um ritmo mais lento, com o PMI a cair para mínimos de quatro meses, sugerindo que tarifas de 50% dos EUA começam a afetar a dinâmica exportadora.

Coreia do Sul: resiliência cíclica com apoio da política económica

Em contraste, a Coreia do Sul apresentou sinais de maior resiliência:

  • PMI industrial subiu para 50,7 em setembro, regressando à expansão pela primeira vez em oito meses.
  • O PIB do 3.º trimestre foi revisto em alta para +1,3% em cadeia (+1,8% em termos homólogos), o crescimento mais forte desde o final de 2021.

Os principais suportes foram:

  • Consumo privado robusto (+1,3% t/t), apoiado por estímulos orçamentais.
  • Exportações, ainda positivas, apesar de desaceleração face ao trimestre anterior.

No entanto, o próprio BOK reconhece que:

  • O crescimento deverá abrandar já no 4.º trimestre, potencialmente para ~0,5% em cadeia.

Inflação e câmbio: dilema crescente para o Banco da Coreia

O quadro macroeconómico coreano é complicado pelo comportamento do câmbio:

  • O won desvalorizou para níveis próximos de 1.470–1.480 por dólar, mínimos de 16 anos.
  • A inflação atingiu 2,4% em outubro e novembro, acima da meta de 2%, pelo terceiro mês consecutivo.

O BOK alertou que:

  • Se o won permanecer fraco, a inflação em 2026 pode situar-se no início a meio da faixa dos 2%, acima das projeções atuais.
  • Isto reduz o espaço para novos cortes de juros, mesmo num cenário de crescimento mais frágil.

Este dilema aproxima a Coreia do Sul do padrão visto noutros mercados asiáticos: crescimento dependente de estímulo, mas com limites impostos pelo câmbio e pela inflação importada.

Comércio e geopolítica: risco assimétrico para a Coreia

A resiliência coreana está ainda condicionada pelo desfecho das negociações com os EUA:

  • Está em causa um acordo para reduzir tarifas sobre automóveis para 15%, em troca de 350 mil milhões USD em investimento coreano nos EUA.
  • O presidente Lee Jae Myung alertou que aceitar as exigências norte-americanas sem salvaguardas poderia desencadear uma crise financeira, devido à pressão sobre o mercado cambial e as reservas.

Este enquadramento cria um risco binário:

  • Um acordo favorável pode sustentar exportações e confiança.
  • Um impasse pode reacender volatilidade cambial e travar o crescimento em 2026.

Leitura estratégica: Ásia a duas velocidades, com China como ponto fraco

A leitura integrada dos dados é clara:

  • China continua a ser o principal fator de fragilidade regional.
  • Economias industriais avançadas (Japão, Taiwan) sentem de forma direta o abrandamento tecnológico e comercial.
  • Coreia do Sul destaca-se pela resiliência de curto prazo, mas enfrenta limites macroeconómicos claros.

Para investidores, isto implica:

  • Maior seletividade geográfica.
  • Prémio de risco mais elevado para economias altamente dependentes de exportações para os EUA e China.
  • Atenção redobrada à interação entre câmbio, inflação e política monetária.

Conclusão

Os dados de PMI e crescimento confirmam que a Ásia entrou numa fase de desaceleração desigual. A China permanece o principal travão, contaminando cadeias de valor regionais, enquanto a Coreia do Sul consegue, por agora, contrariar a tendência graças a estímulos e alguma recuperação externa. No entanto, a combinação de inflação acima da meta, moeda fraca e incerteza comercial com os EUA limita a sustentabilidade desta resiliência. Em 2026, a trajetória asiática dependerá menos de ciclos internos e mais da evolução do comércio global, da política norte-americana e da capacidade da China em estabilizar a sua economia.


Visite o Disclaimer para mais informações.

Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.

(Artigo sobre a Economia da Coreia do Sul, formato “Geral”, atualizado com informações até 17 de Dezembro de 2025. Categoria: Economia. Tags: Economia, Coreia do Sul)

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