Ásia em desaceleração assimétrica: PMI fraco na China pressiona região, Coreia do Sul resiste via estímulo e exportações
Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Coreia do Sul. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos da atividade económica mais relevantes que impactam esta economia e mundo, consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.
Strategic Highlights – 17 dezembro 2025
- Os PMI industriais de setembro confirmaram uma contração generalizada da atividade fabril na Ásia, liderada por China, Japão e Taiwan, refletindo procura externa fraca e impacto das tarifas dos EUA.
- A China registou contração industrial pelo sexto mês consecutivo, evidenciando a persistência da fraqueza da procura doméstica e a pressão adicional do comércio externo.
- A Coreia do Sul destacou-se positivamente, com o PMI a regressar à zona de expansão (50,7) em setembro e um crescimento do PIB no 3.º trimestre revisto para 1,3% em cadeia, o mais forte desde 2021.
- Apesar do crescimento, o Banco da Coreia (BOK) alertou para riscos inflacionistas associados à fraqueza do won, com a inflação a manter-se acima da meta de 2% pelo terceiro mês consecutivo.
- O pano de fundo regional continua condicionado por incerteza geopolítica e comercial, com a Coreia do Sul particularmente exposta às negociações comerciais com os EUA e ao risco de tarifas mais elevadas.
Nota de Contexto
A Ásia continua altamente dependente do comércio global e da procura chinesa. Após o impulso pós-pandemia, a região enfrenta agora um ambiente marcado por abrandamento nos EUA, fraqueza estrutural da China e ressurgimento do protecionismo sob a administração norte-americana. Os indicadores PMI e os dados de crescimento recentes mostram uma região a evoluir a duas velocidades, com economias mais expostas à tecnologia e exportações a sentirem maior pressão.
PMI asiáticos: China como travão regional
Os inquéritos PMI divulgados a 1 de outubro mostraram que a atividade industrial:
- Contraiu no Japão (PMI 48,5) e em Taiwan (46,8), refletindo quedas acentuadas em novas encomendas e produção.
- Permaneceu fraca na China, onde o PMI oficial ficou em território de contração pelo sexto mês consecutivo, penalizado por consumo interno débil e impacto das tarifas dos EUA.
Este quadro confirma que:
- A China deixou de funcionar como motor de estabilização regional.
- As cadeias de valor asiáticas continuam vulneráveis à procura final norte-americana e europeia.
A Índia manteve crescimento industrial, mas a um ritmo mais lento, com o PMI a cair para mínimos de quatro meses, sugerindo que tarifas de 50% dos EUA começam a afetar a dinâmica exportadora.
Coreia do Sul: resiliência cíclica com apoio da política económica
Em contraste, a Coreia do Sul apresentou sinais de maior resiliência:
- PMI industrial subiu para 50,7 em setembro, regressando à expansão pela primeira vez em oito meses.
- O PIB do 3.º trimestre foi revisto em alta para +1,3% em cadeia (+1,8% em termos homólogos), o crescimento mais forte desde o final de 2021.
Os principais suportes foram:
- Consumo privado robusto (+1,3% t/t), apoiado por estímulos orçamentais.
- Exportações, ainda positivas, apesar de desaceleração face ao trimestre anterior.
No entanto, o próprio BOK reconhece que:
- O crescimento deverá abrandar já no 4.º trimestre, potencialmente para ~0,5% em cadeia.
Inflação e câmbio: dilema crescente para o Banco da Coreia
O quadro macroeconómico coreano é complicado pelo comportamento do câmbio:
- O won desvalorizou para níveis próximos de 1.470–1.480 por dólar, mínimos de 16 anos.
- A inflação atingiu 2,4% em outubro e novembro, acima da meta de 2%, pelo terceiro mês consecutivo.
O BOK alertou que:
- Se o won permanecer fraco, a inflação em 2026 pode situar-se no início a meio da faixa dos 2%, acima das projeções atuais.
- Isto reduz o espaço para novos cortes de juros, mesmo num cenário de crescimento mais frágil.
Este dilema aproxima a Coreia do Sul do padrão visto noutros mercados asiáticos: crescimento dependente de estímulo, mas com limites impostos pelo câmbio e pela inflação importada.
Comércio e geopolítica: risco assimétrico para a Coreia
A resiliência coreana está ainda condicionada pelo desfecho das negociações com os EUA:
- Está em causa um acordo para reduzir tarifas sobre automóveis para 15%, em troca de 350 mil milhões USD em investimento coreano nos EUA.
- O presidente Lee Jae Myung alertou que aceitar as exigências norte-americanas sem salvaguardas poderia desencadear uma crise financeira, devido à pressão sobre o mercado cambial e as reservas.
Este enquadramento cria um risco binário:
- Um acordo favorável pode sustentar exportações e confiança.
- Um impasse pode reacender volatilidade cambial e travar o crescimento em 2026.
Leitura estratégica: Ásia a duas velocidades, com China como ponto fraco
A leitura integrada dos dados é clara:
- China continua a ser o principal fator de fragilidade regional.
- Economias industriais avançadas (Japão, Taiwan) sentem de forma direta o abrandamento tecnológico e comercial.
- Coreia do Sul destaca-se pela resiliência de curto prazo, mas enfrenta limites macroeconómicos claros.
Para investidores, isto implica:
- Maior seletividade geográfica.
- Prémio de risco mais elevado para economias altamente dependentes de exportações para os EUA e China.
- Atenção redobrada à interação entre câmbio, inflação e política monetária.
Conclusão
Os dados de PMI e crescimento confirmam que a Ásia entrou numa fase de desaceleração desigual. A China permanece o principal travão, contaminando cadeias de valor regionais, enquanto a Coreia do Sul consegue, por agora, contrariar a tendência graças a estímulos e alguma recuperação externa. No entanto, a combinação de inflação acima da meta, moeda fraca e incerteza comercial com os EUA limita a sustentabilidade desta resiliência. Em 2026, a trajetória asiática dependerá menos de ciclos internos e mais da evolução do comércio global, da política norte-americana e da capacidade da China em estabilizar a sua economia.
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Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.
(Artigo sobre a Economia da Coreia do Sul, formato “Geral”, atualizado com informações até 17 de Dezembro de 2025. Categoria: Economia. Tags: Economia, Coreia do Sul)