EUA e Coreia do Sul selam acordo comercial estratégico com redução tarifária e investimento recorde
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Strategic Highlights – 01 dezembro 2025
- EUA e Coreia do Sul concluíram um acordo comercial, formalmente confirmado no início de dezembro de 2025, após negociações iniciadas em julho de 2025.
- Tarifas sobre importações sul-coreanas, incluindo automóveis, foram reduzidas de 25% para 15%, com efeito retroativo a 1 novembro 2025.
- Seul compromete-se a investir 350 mil milhões USD nos EUA, com uma estrutura faseada para mitigar riscos cambiais.
- 150 mil milhões USD do pacote serão direcionados para cooperação em construção naval, um setor considerado estratégico por Washington.
- O acordo coloca a Coreia do Sul em paridade tarifária com Japão e União Europeia e estabelece limites futuros a tarifas de segurança nacional.
Nota de Contexto
A Coreia do Sul é um dos principais aliados económicos e estratégicos dos Estados Unidos na Ásia, com forte exposição aos setores automóvel, semicondutores, farmacêutico e industrial pesado. As relações comerciais bilaterais têm sido historicamente próximas, mas tornaram-se mais tensas com a imposição de tarifas elevadas por Washington ao abrigo de mecanismos de segurança nacional. Este acordo surge num contexto de reconfiguração das cadeias globais de valor, competição geopolítica com a China e crescente uso da política comercial como instrumento estratégico pelos EUA.
Estrutura do acordo e enquadramento político
O entendimento agora confirmado resulta de um acordo preliminar alcançado em julho de 2025, mas cuja execução esteve condicionada à definição da estrutura concreta do investimento e à aprovação de legislação em Seul. Durante semanas, ambos os lados minimizaram expectativas, até que, a 29 outubro 2025, o Presidente norte-americano Donald Trump declarou o acordo “praticamente finalizado” durante uma visita oficial à Coreia do Sul.
O compromisso central assenta num pacote de 350 mil milhões USD de investimento sul-coreano nos Estados Unidos, concebido não apenas como concessão económica, mas como contrapartida direta para a redução tarifária e para a estabilização do relacionamento bilateral.
Detalhe do pacote de investimento
A Coreia do Sul conseguiu negociar uma estrutura considerada mais equilibrada do que inicialmente antecipado:
- 200 mil milhões USD em numerário, pagos em prestações faseadas, com um limite máximo de 20 mil milhões USD por ano, reduzindo o impacto sobre o mercado cambial.
- 150 mil milhões USD dedicados a construção naval, incluindo garantias, financiamento e investimento por empresas sul-coreanas.
Os projetos serão avaliados por um comité liderado pelo secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, com duas condições-chave:
- Apenas projetos comercialmente viáveis.
- Partilha de lucros 50/50 até recuperação do investimento inicial.
Do lado sul-coreano, o financiamento deverá recorrer sobretudo a rendimentos de ativos externos do Estado e a captação internacional por bancos públicos, evitando pressão direta sobre o mercado doméstico de dívida.
Redução tarifária e impacto setorial
O pilar mais visível do acordo é a redução das tarifas gerais para 15%, confirmada oficialmente pelos EUA a 1 dezembro 2025, com efeito retroativo a 1 novembro 2025. Esta descida aplica-se a:
- Automóveis e componentes, anteriormente sujeitos a tarifas de 25%, incluindo medidas ao abrigo da Section 232.
- Semicondutores e farmacêuticos, com um teto futuro de 15% para quaisquer tarifas de segurança nacional.
- Peças aeronáuticas e medicamentos genéricos, agora com tarifa zero.
Este enquadramento coloca a Coreia do Sul em igualdade competitiva com Japão e União Europeia, reduzindo um risco estrutural para empresas como Hyundai e Kia, que já tinham reagido positivamente durante as negociações, com fortes subidas bolsistas em outubro.
Reação dos mercados e leitura estratégica
Ainda antes da conclusão formal, os mercados anteciparam o desfecho positivo. A 16 outubro 2025, o índice KOSPI subiu 2,5% para máximos históricos, impulsionado sobretudo pelo setor automóvel, refletindo a expectativa de um corte tarifário iminente.
Do ponto de vista estratégico, o acordo serve múltiplos objetivos para Washington:
- Reforça a base industrial doméstica, em especial na construção naval.
- Consolida alianças económicas num momento de maior fricção com a China.
- Demonstra a utilização do comércio como instrumento de política externa e de segurança.
Para Seul, o entendimento reduz incerteza regulatória, protege setores-chave da economia e limita potenciais choques cambiais, ainda que à custa de um compromisso financeiro expressivo e de longo prazo.
Conclusão
O acordo comercial entre os Estados Unidos e a Coreia do Sul representa um reposicionamento estratégico da relação bilateral, combinando redução tarifária significativa com um compromisso de investimento sem precedentes. A descida das tarifas para 15%, aliada à previsibilidade futura em setores sensíveis, constitui um ganho claro para as exportações sul-coreanas. Em contrapartida, os EUA asseguram investimento, emprego e capacidade industrial em áreas consideradas estratégicas.
A implementação faseada do pacote de 350 mil milhões USD será determinante para avaliar o impacto real do acordo, tanto em termos económicos como políticos. Para já, o entendimento reduz riscos de curto prazo e estabelece um novo quadro de referência para a política comercial dos EUA com aliados-chave.
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Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.
(Artigo sobre a Política Interna e Externa da Coreia do Sul, formato “Geral”, atualizado com informações até 01 de Dezembro de 2025. Categoria: Política. Tags: Geopolítica, Política, Coreia do Sul)