Disney, News – 30 Dez 25

Disney: aposta estratégica em IA generativa, normalização da distribuição TV e aceleração do streaming na Índia


Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Disney. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.


Strategic Highlights – 11 dezembro 2025

  • A Disney investe 1 mil milhão de dólares na OpenAI e licencia personagens icónicas (Marvel, Star Wars, Pixar) para o Sora, marcando a entrada mais ambiciosa de Hollywood na IA generativa aplicada a vídeo.
  • O acordo com a OpenAI inclui warrants adicionais, uso interno de ChatGPT na produção e integração futura de conteúdo gerado por utilizadores no Disney+, com salvaguardas de propriedade intelectual.
  • Sindicatos de Hollywood reagiram negativamente, levantando riscos de conflito laboral e regulatório sobre compensação, direitos de autor e uso de trabalho criativo.
  • A Disney resolveu o litígio de distribuição com o YouTube TV, restaurando canais como ABC e ESPN após semanas de blackout, num contexto de pressão estrutural sobre o negócio de TV tradicional.
  • Na Índia, a JioHotstar (Reliance–Disney) anunciou investimento de 444 milhões de dólares (40 mil milhões de rupias) em conteúdo do sul do país, visando duplicar a base de mais de 200 milhões de subscritores.

Nota de Contexto

A Walt Disney Company é um dos maiores grupos globais de media e entretenimento, com atividades em estúdios de cinema, streaming (Disney+), televisão linear (ABC, ESPN), parques temáticos e licenciamento de propriedade intelectual. Em 2025, a empresa enfrenta uma transição estrutural: declínio da TV paga tradicional, maior foco em streaming internacional e, agora, a integração explícita de inteligência artificial na criação e distribuição de conteúdos.

1. OpenAI: a maior aposta de Hollywood em IA generativa

Em 11 dezembro 2025, a Disney anunciou um investimento de 1 mil milhão de dólares na OpenAI, acompanhado por um acordo de licenciamento que permite à startup usar personagens de franchises como Marvel, Star Wars, Pixar e Disney clássico no gerador de vídeo Sora.

Elementos-chave do acordo:

  • duração inicial de três anos;
  • personagens poderão ser usadas em vídeos gerados por IA, excluindo vozes e likeness de talentos reais;
  • a Disney receberá warrants para adquirir capital adicional da OpenAI;
  • integração futura de vídeos selecionados de utilizadores no Disney+, sobretudo em formato curto;
  • utilização de ferramentas da OpenAI para eficiência interna na produção cinematográfica.

Segundo Bob Iger, o objetivo é “estender o alcance do storytelling de forma responsável”, mas, na prática, o acordo posiciona a Disney como primeiro grande estúdio a legitimar comercialmente IA generativa de vídeo em larga escala.

Implicações estratégicas

Este movimento tem três dimensões claras:

  1. Defensiva – ao licenciar personagens, a Disney tenta controlar o uso de IP num ecossistema onde modelos de IA já geram conteúdos não autorizados.
  2. Ofensiva – abre uma nova camada de engagement e monetização via conteúdo criado por fãs.
  3. Operacional – sinaliza uso de IA para reduzir custos e acelerar workflows criativos.

2. Reação sindical: risco reputacional e tensão laboral

A resposta dos sindicatos foi imediata e crítica:

  • a Writers Guild of America acusou a Disney de “ceder valor criativo a uma empresa tecnológica construída sobre trabalho alheio”;
  • o Animation Guild alertou para a questão da compensação, sublinhando que, embora os artistas não detenham a IP, são a base do seu valor económico;
  • a SAG-AFTRA confirmou contactos com a Disney e a OpenAI, exigindo garantias sobre uso ético de imagem, voz e performance.

Este conflito não tem impacto financeiro imediato, mas introduz risco de fricção laboral num setor ainda sensível após greves recentes. A leitura de mercado é que o avanço da IA é inevitável, mas a Disney poderá enfrentar negociação sindical mais dura nos próximos contratos.

3. Distribuição TV: acordo com YouTube TV encerra episódio crítico

Em meados de novembro, a Disney chegou a acordo com o YouTube TV, pondo fim a semanas de interrupção na distribuição de canais como:

  • ABC
  • ESPN
  • FX
  • National Geographic

O conflito centrou-se em carriage fees, com relatos de que a Disney procurava valores na ordem dos 10 dólares por subscritor/mês para a ESPN, alinhados com outros grandes distribuidores. Os termos finais não foram divulgados.

O episódio evidenciou:

  • o declínio estrutural da TV por cabo;
  • o crescente poder negocial das plataformas digitais como o YouTube;
  • a dependência contínua da Disney de receitas de distribuição linear, apesar do crescimento do streaming.

A resolução remove um risco de curto prazo, mas não altera a trajetória de longo prazo: a TV tradicional continua sob pressão, sendo tratada cada vez mais como fonte de cash flow em erosão.

4. Índia: JioHotstar acelera investimento regional

No eixo de crescimento, a Disney destacou-se pela estratégia na Índia através da JioHotstar, joint venture com a Reliance Industries.

Em 9 dezembro 2025, a plataforma anunciou:

  • investimento de 444 milhões de dólares (40 mil milhões de rupias) ao longo de cinco anos;
  • foco em conteúdo do sul da Índia (tâmil, telugu, canarês, malaiala);
  • expansão em séries, filmes e formatos não ficcionais;
  • ambição de mais do que duplicar a base atual de >200 milhões de subscritores.

Indicadores relevantes:

  • utilizadores do sul do país passam +70% de tempo na plataforma;
  • planos começam em ~0,50 dólares/mês, favorecendo escala em detrimento de ARPU.

Este investimento reforça a lógica de que o crescimento do streaming da Disney virá sobretudo de mercados emergentes, com forte adaptação local, enquanto os EUA caminham para maturidade.

5. Leitura integrada: tecnologia, escala e transição do modelo

Os três eixos, IA, distribuição e streaming internacional, convergem numa mesma estratégia:

  • proteger e alavancar IP como ativo central;
  • aceitar a erosão do modelo tradicional de TV, maximizando valor residual;
  • investir em tecnologia e mercados de escala para sustentar crescimento.

A parceria com a OpenAI é o elemento mais disruptivo: pode gerar novos formatos, reduzir custos e abrir receitas, mas também expõe a Disney a riscos regulatórios, laborais e reputacionais inéditos.

Conclusão

No final de 2025, a Disney assume uma posição de liderança estratégica na convergência entre entretenimento e IA. O investimento de 1 mil milhão de dólares na OpenAI marca uma viragem histórica para Hollywood, enquanto a resolução do conflito com o YouTube TV estabiliza o curto prazo e o reforço da JioHotstar aponta para crescimento estrutural fora dos mercados maduros.

O desafio central será equilibrar inovação tecnológica com gestão de talento e propriedade intelectual. Se conseguir impor regras, capturar valor e evitar conflito prolongado com sindicatos, a Disney poderá transformar a IA num novo motor de crescimento. Caso contrário, o risco não será financeiro imediato, mas sim estrutural e reputacional num setor em profunda transformação.


Visite o Disclaimer para mais informações.

Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.

(Artigo sobre a Disney, formato “News”, atualizado com informações até 11 de Dezembro de 2025. Categorias: Media e Entretenimento. Classe de Ativos: Ações. Tags: Acionista, Disney, EUA, Media e Entretenimento, Streaming)

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