Dólar Canadiano (CAD), News – 20 Out 26

Dólar canadiano atinge mínimo de 18 meses após forte queda do emprego e recuo das expectativas de subida das taxas de juro


Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Dólar Canadiano (CAD). Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta moeda e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.


Strategic Highlights

  • Desvalorização cambial: o dólar canadiano atingiu um mínimo de 18 meses em 9 de outubro de 2026, quando a taxa USD/CAD alcançou 1,4298 durante a sessão, num período marcado pelo fortalecimento generalizado do dólar norte-americano e pelo aumento da aversão ao risco.
  • Deterioração do emprego: a economia canadiana perdeu 68.300 postos de trabalho em setembro, contrariando as expectativas de criação de 9.200 empregos, enquanto a taxa de desemprego subiu de 6,4% para 6,5%.
  • Revisão das expectativas monetárias: a probabilidade atribuída pelos investidores a uma subida das taxas de juro pelo Banco do Canadá em 28 de outubro diminuiu de 40% para 25% após os dados laborais, enquanto o diferencial das yields a dois anos face aos Estados Unidos aumentou para aproximadamente 161 pontos base.
  • Pressões externas persistentes: a procura de dólares norte-americanos como ativo de refúgio, a instabilidade no Médio Oriente e as preocupações orçamentais europeias reforçaram a pressão cambial, apesar de o petróleo continuar a negociar em níveis elevados.
  • Sinais económicos divergentes: o excedente comercial canadiano aumentou para CAD 4,2 mil milhões em agosto, superando as expectativas, mas a contração dos serviços e o abrandamento da atividade industrial evidenciaram uma recuperação económica desigual.

Nota de Contexto

O dólar canadiano atravessou um período de depreciação entre o final de setembro e o início de outubro de 2026, refletindo a combinação de fatores monetários, económicos e geopolíticos. A evolução da moeda esteve condicionada pelo fortalecimento do dólar norte-americano, pela diferença entre as taxas de juro dos dois países e pela incerteza em torno do crescimento canadiano. Embora alguns indicadores de atividade e comércio externo tenham demonstrado resiliência, a deterioração inesperada do mercado de trabalho alterou significativamente as expectativas para a política monetária. Em 9 de outubro de 2026, o CAD atingiu o nível mais fraco face ao USD desde abril de 2025, reforçando a importância dos próximos indicadores económicos e das decisões do Banco do Canadá para determinar a sustentabilidade de uma eventual recuperação cambial.

Análise Estratégica

1. Evolução cambial: fortalecimento do dólar norte-americano amplia a pressão sobre o CAD

A desvalorização do dólar canadiano intensificou-se durante as últimas sessões de setembro, inicialmente num contexto dominado pela procura internacional de ativos de refúgio. Em 28 de setembro de 2026, a taxa USD/CAD negociava perto de 1,4165, depois de ter atingido 1,4175 durante a sessão, o nível mais elevado da taxa de câmbio em aproximadamente dois meses e meio. A incerteza em torno das negociações para terminar o conflito entre os Estados Unidos e o Irão contribuiu para o fortalecimento do dólar norte-americano, ao incentivar os investidores a privilegiarem ativos considerados mais defensivos.

A pressão prosseguiu nos dias seguintes. Em 29 de setembro, o USD/CAD atingiu 1,4201 durante a sessão e, em 1 de outubro, aproximou-se de 1,4263, num movimento que deixou o dólar canadiano perto do valor mais baixo dos últimos 18 meses. Nessa altura, a moeda acumulava oito sessões consecutivas de desvalorização, a série mais prolongada desde maio. A subida das yields norte-americanas também favoreceu o USD, com a taxa das obrigações do Tesouro dos Estados Unidos a dez anos a atingir momentaneamente aproximadamente 5,34%, um máximo de 24 anos segundo os dados divulgados.

A desvalorização não resultou exclusivamente de fatores internos. Em 5 de outubro, o USD/CAD atingiu 1,4293 durante a sessão, quando as preocupações com as finanças públicas francesas pressionaram o euro e favoreceram uma nova valorização generalizada do dólar norte-americano. Em 7 de outubro, o enfraquecimento da apetência pelo risco voltou a beneficiar o USD, enquanto os investidores avaliavam as atas da última reunião da Reserva Federal.

A moeda canadiana apresentou recuperações pontuais, nomeadamente em 6 e 8 de outubro, mas não conseguiu inverter a tendência. Em 9 de outubro, a taxa USD/CAD atingiu 1,4298 durante a sessão e negociava posteriormente perto de 1,4275, equivalente a aproximadamente 70,05 cêntimos norte-americanos por dólar canadiano. Comparativamente ao nível observado em 28 de setembro, a taxa USD/CAD aumentou cerca de 0,8%, ilustrando a perda de valor da moeda canadiana ao longo do período. Trata-se de uma comparação entre cotações observadas em sessões distintas, e não entre preços de fecho oficiais.

2. Mercado de trabalho e Banco do Canadá: a surpresa negativa altera as expectativas de juros

A divulgação dos dados de emprego de setembro constituiu o principal desenvolvimento económico doméstico na fase final do período analisado. A economia canadiana perdeu 68.300 postos de trabalho, quando os economistas antecipavam um aumento de 9.200, representando um desvio negativo de 77.500 empregos face às expectativas. Simultaneamente, a taxa de desemprego aumentou de 6,4% em agosto para 6,5% em setembro.

O resultado reforçou as preocupações com a sustentabilidade da recuperação económica. Segundo a avaliação do economista-chefe do BMO Capital Markets, Douglas Porter, a segunda perda mensal consecutiva de emprego de dimensão significativa anulou parte da melhoria observada no início do verão. O crescimento homólogo do emprego situava-se em apenas 0,5%, evidenciando a perda de dinamismo do mercado de trabalho num contexto de maior incerteza comercial.

O impacto sobre as expectativas monetárias foi imediato. Antes da divulgação do relatório laboral, os mercados atribuíam uma probabilidade de aproximadamente 40% a uma subida das taxas de juro pelo Banco do Canadá na reunião prevista para 28 de outubro de 2026. Após a publicação, essa probabilidade diminuiu para 25%, uma redução de 15 pontos percentuais. A revisão foi particularmente relevante porque o banco central tinha admitido a possibilidade de aumentar os custos de financiamento várias vezes, caso a inflação permanecesse demasiado elevada.

A deterioração do emprego introduziu, contudo, um novo elemento de prudência. A necessidade de controlar as pressões inflacionistas passou a coexistir com sinais de fragilidade económica, tornando mais complexa a definição da política monetária. Uma subida das taxas poderia contribuir para conter a inflação e reduzir a desvantagem de remuneração dos ativos canadianos face aos norte-americanos, mas também representaria um risco adicional para uma economia cujo mercado de trabalho já demonstrava sinais de enfraquecimento.

A evolução da atividade económica confirma esta divergência. O PIB canadiano permaneceu inalterado em julho face a junho, em linha com as expectativas, enquanto a estimativa preliminar para agosto apontava para crescimento mensal de 0,2%. Estes dados sustentavam a possibilidade de um terceiro trimestre relativamente resistente, próximo da previsão do Banco do Canadá de crescimento anualizado de 1,5%. Ainda assim, a deterioração posterior do emprego reduziu a confiança numa recuperação suficientemente robusta para acomodar um novo ciclo de subidas das taxas sem consequências económicas adicionais.

3. Diferenciais de juros e posicionamento: a vantagem dos ativos norte-americanos condiciona a recuperação

A diferença entre as yields canadianas e norte-americanas constituiu outro fator determinante para o comportamento da moeda. A remuneração mais elevada dos instrumentos financeiros dos Estados Unidos aumenta, em termos relativos, a atratividade dos ativos denominados em dólares norte-americanos, embora o impacto cambial também dependa das expectativas futuras, da perceção de risco e dos fluxos internacionais de capital.

No início de outubro, o diferencial das yields soberanas a dois anos encontrava-se em níveis historicamente elevados. Em 5 de outubro, a yield canadiana situava-se aproximadamente 158 pontos base abaixo da equivalente norte-americana, o maior diferencial desde fevereiro de 2025. O intervalo diminuiu para cerca de 152 pontos base em 8 de outubro, contribuindo para uma recuperação moderada do CAD. Contudo, após os dados de emprego do dia seguinte, voltou a aumentar para aproximadamente 161 pontos base, com a yield canadiana a dois anos a descer para 3,183%.

Este movimento reforçou a pressão cambial, demonstrando a sensibilidade do CAD às expectativas relativas de política monetária. Mesmo quando as yields canadianas a dez anos negociavam perto de 4%, os níveis norte-americanos permaneciam substancialmente superiores, condicionando a competitividade relativa dos ativos canadianos. A evolução das taxas longas também refletiu fatores globais, incluindo a volatilidade do mercado obrigacionista norte-americano e a procura de ativos defensivos.

O posicionamento especulativo ampliou este enquadramento desfavorável. Segundo dados da Commodity Futures Trading Commission, as posições líquidas vendidas de investidores não comerciais sobre o dólar canadiano aumentaram de 53.210 para 78.671 contratos na semana terminada em 29 de setembro, uma subida de aproximadamente 47,9%. Embora estas posições não determinem, isoladamente, o comportamento futuro da moeda, demonstram o reforço das expectativas negativas num período em que os fatores económicos e monetários favoreciam o USD.

4. Comércio externo, petróleo e atividade económica: fatores de suporte insuficientes para inverter a tendência

A evolução do comércio externo apresentou um sinal favorável para o Canadá. Em agosto, o excedente comercial aumentou para CAD 4,2 mil milhões, superando amplamente os CAD 1,55 mil milhões antecipados pelos economistas e os CAD 787 milhões registados no mês anterior, após revisão. A surpresa positiva contribuiu para a valorização do dólar canadiano em 6 de outubro, quando a taxa USD/CAD recuou para aproximadamente 1,4220.

Contudo, parte da melhoria comercial resultou da antecipação de exportações para os Estados Unidos antes da entrada em vigor de novas tarifas. Esta característica limita a interpretação do excedente como evidência de fortalecimento estrutural da procura externa. A incerteza em torno das relações comerciais entre os dois países permaneceu elevada, incluindo restrições norte-americanas a determinadas categorias de produtos canadianos, enquanto as negociações bilaterais continuavam sem uma resolução clara.

Os indicadores de atividade também revelaram sinais mistos. O PMI industrial canadiano recuou de 53,0 em agosto para 51,5 em setembro, mantendo-se acima do limiar de 50 pontos, mas indicando um ritmo de expansão mais moderado. Nos serviços, o índice de atividade aumentou de 46,8 para 48,3, permanecendo abaixo de 50 pontos pelo quarto mês consecutivo. Estes dados sugerem que a economia continuava a crescer de forma desigual, com limitações associadas à incerteza comercial e ao ambiente internacional.

O petróleo, uma das principais exportações canadianas, também não proporcionou um apoio consistente à moeda. Durante o período, os contratos de futuros norte-americanos oscilaram entre níveis próximos de US$88 e US$94 por barril nas observações divulgadas, influenciados pelos riscos de abastecimento no Médio Oriente, pelas interrupções no transporte marítimo e pelas alterações nas expectativas sobre a oferta global. Embora preços elevados possam favorecer as receitas de exportação do Canadá, o fortalecimento simultâneo do USD, a divergência de yields e os riscos económicos internos limitaram esse efeito positivo sobre o CAD.

Market Implications

A evolução do dólar canadiano entre o final de setembro e 9 de outubro de 2026 evidencia uma combinação desfavorável de fatores externos e internos. A procura internacional de dólares norte-americanos, reforçada pelos riscos geopolíticos e pelas yields mais elevadas nos Estados Unidos, coincidiu com a deterioração inesperada do mercado de trabalho canadiano. A aproximação da taxa USD/CAD a 1,43 refletiu, assim, não apenas a força relativa do USD, mas também a revisão das expectativas para a política monetária do Banco do Canadá.

O principal catalisador identificado para as semanas seguintes era a reunião do banco central prevista para 28 de outubro de 2026. A redução da probabilidade de subida das taxas para 25% após os dados laborais demonstrou a importância atribuída pelos investidores ao equilíbrio entre inflação e crescimento. Uma melhoria sustentada dos indicadores económicos canadianos ou uma redução da vantagem das yields norte-americanas poderia aliviar parte da pressão cambial. Em sentido contrário, novos sinais de fragilidade económica, uma persistência da elevada remuneração dos ativos norte-americanos ou episódios adicionais de aversão ao risco poderiam continuar a favorecer o USD. Estas são condições de mercado, não projeções quantitativas de cotação.

A análise do CAD deverá, por isso, acompanhar simultaneamente a evolução do mercado de trabalho, a trajetória das yields a dois anos, as decisões monetárias e a sustentabilidade da melhoria comercial. O comportamento do petróleo permanece relevante, mas o período demonstrou que preços elevados da energia não garantem uma valorização da moeda quando os diferenciais monetários e a procura de ativos de refúgio favorecem o dólar norte-americano.

Conclusão

O dólar canadiano terminou o período analisado próximo dos níveis mais baixos dos últimos 18 meses, pressionado pelo fortalecimento internacional do USD e pela deterioração inesperada do emprego no Canadá. A perda de 68.300 postos de trabalho em setembro reduziu as expectativas de subida das taxas pelo Banco do Canadá e ampliou a desvantagem das yields canadianas face às norte-americanas. Apesar da resistência demonstrada pelo PIB e da melhoria do saldo comercial, os indicadores económicos permaneceram demasiado divergentes para sustentar uma recuperação cambial consistente. A evolução futura do CAD dependerá sobretudo da capacidade da economia canadiana para estabilizar o mercado de trabalho, reduzir a incerteza comercial e recuperar atratividade relativa num contexto em que as condições monetárias e geopolíticas continuam a favorecer o dólar norte-americano.    


Visite o Disclaimer para mais informações.

Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.

(Artigo sobre o CAD ou Dólar Canadiano, formato “News”, atualizado com informações até 19 de Outubro de 2026. Categorias: Cambial. Tags: Forex, CAD, Dólar Canadiano, USDCAD, Canadá)

Avatar photo
About The Investment - Team 5295 Articles
A The Investment Team é a equipa editorial responsável pela coordenação e publicação dos conteúdos do The Investment. Saiba mais em theinvestment.pt/the-investment-team/