Goldman Sachs combina “trading” recorde, liderança global em M&A e aposta em infraestrutura digital para 2026
Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Goldman Sachs. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.
Strategic Highlights – 15 janeiro 2026
- A Goldman Sachs superou as expectativas no 4.º trimestre, com EPS de 14,01 dólares vs. 11,67 dólares esperados, apoiada por trading e recuperação do dealmaking.
- O banco registou receita recorde em ações (equities) de 4,31 mil milhões de dólares e crescimento de 12,5% em FICC para 3,11 mil milhões, capturando volatilidade e o rally de mercado.
- As receitas de investment banking subiram 25% para 2,58 mil milhões (ligeiramente abaixo do consenso de 2,66 mil milhões) e a gestão antecipou um 2026 “muito construtivo” para M&A e mercados de capitais.
- Em 2025, a Goldman liderou as tabelas globais de M&A com 1,48 biliões de dólares em volume assessorados (32% do mercado) e 4,6 mil milhões de dólares em fees, num ano em que o M&A global atingiu 5,1 biliões (+42%).
- O banco está a reposicionar a plataforma tecnológica para capturar a vaga de IA e infraestrutura digital, reestruturando TMT e participando em financiamentos de grande escala, incluindo um empréstimo de ~18 mil milhões de dólares para um campus de data centers ligado a Oracle.
Nota de Contexto
A Goldman Sachs é um dos principais bancos de investimento globais, com forte exposição a receitas cíclicas de trading e advisory/underwriting, e uma ambição crescente de aumentar o peso de receitas mais estáveis via asset & wealth management. O ciclo 2025–início de 2026 foi marcado por (i) retoma robusta de M&A, suportada por descida de taxas e ambiente regulatório mais favorável, e (ii) aceleração estrutural do investimento em IA, que está a criar uma nova frente de oportunidades em data centers, semicondutores e infraestrutura digital.
1) Resultados do 4.º trimestre: “beat” forte e motor do trading em máximos
O trimestre de 15 janeiro 2026 confirmou uma Goldman com elevada alavancagem ao ciclo de mercados. O EPS de 14,01 dólares ficou muito acima do esperado (11,67 dólares), num contexto em que a volatilidade e a rotação de carteiras voltaram a favorecer desks com forte capacidade de execução e distribuição.
O dado mais emblemático foi o desempenho em ações:
- Equities: 4,31 mil milhões de dólares, recorde, vs. 3,45 mil milhões no ano anterior.
Em paralelo, o “core” de mercados manteve tração:
- FICC: 3,11 mil milhões, +12,5%.
Este mix sugere que a Goldman está a beneficiar de dois vetores simultâneos: (i) preços e volumes favoráveis em equities (incluindo narrativas ligadas a IA) e (ii) recuperação gradual em produtos de taxas/FX/commodities, com clientes a reposicionarem risco em torno do caminho das taxas da Fed.
2) Investment banking: crescimento sólido, mas com um “miss” ligeiro no consenso
A receita de investment banking subiu 25% para 2,58 mil milhões de dólares, embora tenha ficado ligeiramente abaixo das expectativas (2,66 mil milhões).
A leitura estratégica aqui não é tanto o “miss” do trimestre, mas a direção do ciclo: o banco está a capturar uma melhoria generalizada de underwriting e advisory num enquadramento descrito pela gestão como particularmente favorável para 2026, apoiado por:
- ambiente regulatório mais amigável,
- taxas de juro mais baixas,
- excesso de liquidez nas empresas.
A frase do CEO David Solomon, “o mundo está montado para ser incrivelmente construtivo em 2026 para M&A e mercados de capitais”, funciona como guidance qualitativo e reforça o posicionamento do banco para monetizar pipelines que já aceleraram em 2025.
3) Liderança global em M&A: escala, mega-deals e captura de quota
A Goldman chega a 2026 com uma vantagem reputacional reforçada: liderou novamente as tabelas globais de M&A em 2025.
Números-chave do ciclo:
- M&A global em 2025: 5,1 biliões de dólares, +42% vs. 2024.
- Goldman: 1,48 biliões de dólares em volume de deals assessorados, cerca de 32% do mercado.
- Fees de M&A: 4,6 mil milhões de dólares (vs. JPMorgan 3,1 mil milhões e Morgan Stanley 3,0 mil milhões).
Do ponto de vista competitivo, a dinâmica é importante: 2025 foi descrito como um ano excecional de mega-deals, com proliferação de transações acima de 10 mil milhões de dólares. A Goldman beneficiou desta “subida de escala” porque a franquia é particularmente forte em mandatos complexos, com execução regulatória e de financiamento sofisticada.
4) Asset & wealth management: reforço do pilar “recorrente” e metas de margem mais ambiciosas
A Goldman continua a procurar reduzir a dependência de receitas mais voláteis, ampliando o contributo de gestão de ativos e patrimónios.
No 4.º trimestre, registou:
- fees de gestão recorde: 3,09 mil milhões de dólares.
- ativos sob supervisão: 3,61 biliões, vs. 3,14 biliões no ano anterior.
O sinal mais estratégico foi a revisão em alta das metas:
- novo objetivo de margem pré-impostos: 30% no médio prazo, acima do objetivo anterior (“mid-20s”).
- margem pré-impostos em 2025: 25%.
Isto sugere duas coisas: (i) maior confiança na escalabilidade do negócio (pricing power e eficiência) e (ii) uma tentativa explícita de reancorar a perceção do mercado de que a Goldman pode gerar rentabilidade estrutural mais previsível, mesmo quando o ciclo de investment banking arrefece.
5) IA e infraestrutura digital: reposicionamento da máquina de advisory e financiamento
A tese de crescimento em tecnologia está a deslocar-se de “software e internet” para a convergência entre:
- infraestrutura digital (data centers, redes, energia e interligações),
- CoreTech/semicondutores,
- e a economia de plataformas.
A Goldman formalizou esta mudança com a reestruturação do seu grupo TMT em 15 dezembro 2025, criando:
- um novo setor de Global Infrastructure Technology (telecom + CoreTech),
- e um setor de Global Internet and Media, com novas lideranças.
Em paralelo, a atividade de financiamento mostra como a banca está a “seguir o capex” da IA: foi reportado um empréstimo de ~18 mil milhões de dólares para um campus de data centers no Novo México ligado a Oracle, com a Goldman como um dos agentes administrativos. O pricing discutido situava-se em cerca de 2,5 p.p. acima da SOFR, com maturidade de 4 anos e duas extensões de 1 ano.
Mesmo sem entrar na execução detalhada do projeto, o sinal é inequívoco: a Goldman quer estar no centro da cadeia de valor financeira da IA, advisory, capital markets e project finance.
6) Capital e reorientação estratégica: dividendos mais altos e saída do retalho
O banco aumentou o dividendo trimestral para 4,50 dólares por ação, um gesto consistente com confiança em earnings mais fortes e com a capacidade de devolver capital em 2026.
Em paralelo, a Goldman continua a desmontar a sua experiência menos bem-sucedida no retalho. O acordo relacionado com a parceria do Apple Card representa mais um passo nessa saída, com impacto positivo esperado de 0,46 dólares por ação e libertação de 2,48 mil milhões de dólares de reservas associadas a perdas de crédito.
Estratégicamente, isto reduz dispersão de gestão e risco reputacional/creditício num segmento que não é “core” para a franquia, e liberta capacidade para reforçar as áreas onde a Goldman tem vantagem competitiva.
Conclusão
A Goldman Sachs chega a 2026 com três pilares alinhados: (i) um motor de trading em níveis recorde (equities a 4,31 mil milhões), (ii) liderança reforçada em M&A num mercado que atingiu 5,1 biliões em 2025 e onde o banco assessorou 1,48 biliões em volume, e (iii) uma aposta cada vez mais explícita em IA e infraestrutura digital, tanto no desenho organizacional (reestruturação TMT) como na presença em financiamentos de escala.
O ponto de atenção para o investidor é o equilíbrio entre ciclo e estrutura: 2026 pode ser muito forte se o pipeline de deals se materializar e a volatilidade de mercados se mantiver propícia, mas o banco está também a tentar ancorar uma trajetória mais estável via asset & wealth management, elevando metas de margem para 30% no médio prazo. Em conjunto, a combinação de “franchise strength” em ciclos de M&A e uma base crescente de receitas recorrentes reforça a narrativa de qualidade de earnings, precisamente o tipo de perfil que tende a ser premiado quando o mercado antecipa um regime de taxas mais benigno, mas um macro ainda imprevisível.
Visite o Disclaimer para mais informações.
Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.
(Artigo sobre os Earnings (Resultados) do Goldman Sachs, formato “News”, atualizado com informações até 15 de Janeiro de 2026. Categorias: Serviços Finançeiros. Tags: Acionista, EUA, Goldman Sachs, Bancos, Serviços Financeiros)