Halliburton: resiliência internacional sustenta resultados, enquanto a América do Norte abranda e a Venezuela reabre opcionalidade
Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Halliburton. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.
Strategic Highlights
- A Halliburton superou as estimativas no 4T 2025, com EPS ajustado de 0,69 USD vs. 0,55 USD esperado, beneficiando de procura mais estável fora da América do Norte.
- A receita internacional subiu 2,9% para 3,5 mil milhões USD, impulsionada por vendas de ferramentas de completions no Brasil, Mar do Norte e Caraíbas, e por software no México, além de maior atividade em África e estímulos em Angola.
- A América do Norte ficou estagnada, com receitas planas em 2,2 mil milhões USD, e a empresa prevê que em 2026 a receita na região caia em high single digits face a 2025.
- A empresa sinalizou que poderá voltar a operar na Venezuela “rapidamente” se forem resolvidos termos comerciais e legais, incluindo certeza de pagamentos, e se obtiver licenças dos EUA; a Venezuela foi, no passado, um negócio de ~0,5 mil milhões USD/ano para a Halliburton.
- O ciclo de ajuste de custos já estava em marcha: em setembro 2025, a Halliburton reduziu pessoal, com divisões a perderem 20% a 40% dos colaboradores em várias semanas, num contexto de crude mais baixo e atividade mais fraca.
Nota de Contexto
A Halliburton é um dos maiores fornecedores globais de serviços e equipamento para exploração e produção de petróleo e gás, com receitas altamente sensíveis ao ciclo de investimento (“capex”) dos produtores. O setor tende a reagir em duas fases: primeiro, os clientes reduzem atividade e pressionam preços; depois, as empresas de serviços ajustam custos (headcount, ativos) e redirecionam capacidade para geografias onde a procura é mais resiliente. Em 2025–2026, o contraste regional é evidente: a América do Norte permanece “tepid”, enquanto várias geografias internacionais sustentam investimento, criando um perfil em que a execução e o mix geográfico determinam quem preserva margens.
1) Resultados 4T: “beat” de lucro com internacional a carregar a tese
O EPS ajustado de 0,69 USD (vs. 0,55 USD esperado) mostra que, apesar de um ambiente global menos favorável, a Halliburton está a extrair eficiência do seu portefólio e a beneficiar do reposicionamento internacional.
Um dado relevante é a assimetria do crescimento:
- Internacional: 3,5 mil milhões USD (+2,9%)
- América do Norte: 2,2 mil milhões USD (plano)
Isto reforça uma leitura estratégica: a Halliburton está a operar cada vez mais como uma plataforma “ex-US tight oil”, procurando estabilidade em regiões onde o ciclo de investimento é mais persistente e menos sensível ao curto prazo.
A empresa reconheceu ainda um encargo pré-impostos de 83 milhões USD, parcialmente ligado a imparidades de ativos para venda e custos de indemnizações (“severance”), o que sugere que a reestruturação e limpeza de portefólio continuam em curso.
2) Internacional: o motor do trimestre e o padrão de procura que importa para 2026
O detalhe dos drivers internacionais é importante porque indica não só crescimento, mas também onde a Halliburton está a ganhar tração:
- Completions tools: mais vendas no Brasil, Mar do Norte e Caraíbas
- Software: maior venda no México
- Well construction: melhoria em África
- Stimulation: mais atividade em Angola
Isto sugere um mix de procura relativamente “diversificado” por tipos de serviço e geografia, reduzindo dependência de um único mercado. No guidance, a empresa aponta para receita internacional plana a ligeiramente superior em 2026 e atividade internacional estável ano-a-ano, um sinal de que não espera uma aceleração forte, mas também não antecipa uma quebra pronunciada.
3) América do Norte: estabilidade aparente, mas trajetória descendente no outlook
A receita na América do Norte ficou plana em 2,2 mil milhões USD, mas o guidance é claramente defensivo: a Halliburton espera que a receita em 2026 na região caia em high single digits face a 2025.
Este contraste implica que:
- o trimestre beneficiou de alguma inércia de contratos e base instalada,
- mas o pipeline de atividade e preços/volumes aponta para menor utilização e/ou menor intensidade de serviços.
Para uma empresa de oilfield services, isto é crítico porque a América do Norte, especialmente shale, costuma ser o segmento mais rápido a ajustar para cima e para baixo. Quando entra num regime de abrandamento, a resposta típica é cortar custos e deslocar recursos para mercados internacionais com maior visibilidade.
4) Venezuela: opcionalidade de crescimento, mas com risco de execução e “payment risk”
A dimensão mais estratégica do comunicado foi a abertura para reentrar na Venezuela. A Halliburton afirmou que pode escalar “rapidamente”, que pode deslocar equipamento para o país com facilidade e que está a trabalhar em licenças dos EUA, mas condicionou tudo a termos legais/comerciais, sobretudo certeza de pagamentos.
A referência histórica é reveladora: há cerca de uma década, a Venezuela foi um negócio de ~0,5 mil milhões USD para a Halliburton, mas hoje é “pequeno” em comparação.
Interpretação: a Venezuela é um “call option”:
- pode acrescentar crescimento e utilização de ativos se o ambiente político/legal permitir,
- mas a empresa está a tentar evitar o erro clássico do passado em mercados sancionados/instáveis: entrar sem mecanismos robustos de pagamento e sem clareza regulatória.
5) A leitura retrospetiva: os cortes de setembro mostram que o ciclo de ajuste começou cedo
A notícia de setembro 2025 de que a Halliburton estava a cortar pessoal, com divisões a perderem 20% a 40% de colaboradores, enquadra o “beat” de janeiro como resultado de uma reorganização já em marcha, não apenas de sorte no ciclo.
O contexto era de crude mais baixo, volatilidade e custos mais altos no setor, com Brent abaixo de 66 USD/barril na altura, e a empresa já reconhecia que o mercado de serviços seria mais fraco no curto/médio prazo.
Implicação: a Halliburton entrou em 2026 mais “lean”, com estruturas ajustadas para um ambiente mais exigente. Isso ajuda a explicar porque conseguiu surpreender positivamente no lucro apesar de a América do Norte não crescer.
Conclusão
A Halliburton entrou em 2026 com uma mensagem mista, mas estrategicamente coerente: resultados acima das expectativas no 4T 2025 graças ao internacional, e um outlook prudente para a América do Norte, onde a empresa antecipa queda de receitas em high single digits.
O “equity story” de curto prazo assenta em três pilares: (i) manter resiliência e disciplina de custos após cortes profundos já em 2025, (ii) continuar a deslocar o centro de gravidade para regiões internacionais com procura mais estável, e (iii) explorar a opcionalidade da Venezuela, mas apenas com clareza legal e garantia de pagamentos. Se estes vetores se confirmarem, a Halliburton consegue defender rentabilidade num ciclo mais fraco; se falharem, o risco é ficar presa entre uma América do Norte a abrandar e uma internacional que, embora estável, pode não acelerar o suficiente para compensar totalmente.
Visite o Disclaimer para mais informações.
Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.
(Artigo sobre a Halliburton, formato “News”, atualizado com informações até 16 de Fevereiro de 2026. Categorias: Energia. Tags: Acionista, Halliburton, EUA, UAE, Energia, Engenharia, Construção, Serviços Petrolíferos)