Hays, News – 08 Fev 26

Hays enfrenta ciclo adverso prolongado com forte pressão na Alemanha e visibilidade limitada para a recuperação


Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Hays. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.


Strategic Highlights – 14 Janeiro 2026

  • Queda de 10% das net fees no 2.º trimestre, acima do esperado, refletindo fraqueza persistente na contratação.
  • Lucro operacional ajustado do 1.º semestre deverá cair cerca de 22%, para ~20 milhões de libras.
  • Alemanha continua a ser o principal foco de pressão, com quebras de dois dígitos em tecnologia e engenharia.
  • Ações caem para mínimos desde 2011, após revisão em baixa das expectativas.
  • Programa de redução estrutural de custos de 45 milhões de libras/ano avança, mas não compensa o ciclo negativo no curto prazo.

Nota de Contexto

A Hays é um dos maiores grupos globais de recrutamento especializado, com forte exposição a perfis qualificados de colarinho branco, incluindo tecnologia, engenharia e serviços profissionais. A empresa tem uma presença particularmente relevante na Alemanha, que representa cerca de 33% das net fees, tornando o desempenho do mercado alemão determinante para os resultados do grupo.
O exercício fiscal da Hays decorre de julho a junho, pelo que os números agora divulgados dizem respeito ao 2.º trimestre do exercício fiscal de 2026.

Resultados do 2.º trimestre: deterioração acima do esperado

No trimestre terminado em dezembro, a Hays reportou uma queda de 10% das net fees em termos comparáveis, pior do que a contração de 9% antecipada pelo mercado. A debilidade foi transversal, mas particularmente acentuada em mercados-chave:

  • Alemanha: quedas de dois dígitos em tecnologia e engenharia;
  • Reino Unido e Irlanda: net fees –9%, ligeiramente melhor do que o esperado, mas ainda em território negativo.

Como consequência, a empresa passou a prever um lucro operacional pré-excecionais de cerca de 20 milhões de libras no 1.º semestre, o que representa uma descida de 21,6% em termos homólogos.

A reação do mercado foi severa, com as ações a recuarem cerca de 5%, atingindo níveis não vistos desde dezembro de 2011.

Alemanha: epicentro da fraqueza estrutural

A Alemanha continua a ser o principal fator de arrastamento do grupo. Empresas públicas e privadas têm recorrido a:

  • Redução de horas de trabalho,
  • Congelamento de novas contratações,
  • Adiamento de projetos em tecnologia e engenharia,

o que penaliza tanto o recrutamento permanente como o segmento de contratos temporários.

Dado o peso do mercado alemão no grupo, mesmo uma estabilização noutras geografias tem sido insuficiente para inverter a tendência agregada.

Comparação com o início do exercício: tendência mantém-se negativa

Os números do 2.º trimestre confirmam a leitura já avançada no 1.º trimestre, quando a Hays tinha reportado:

  • Queda de 8% das net fees,
  • Advertência explícita de que o exercício seria “difícil”,
  • Impacto particularmente forte na Europa continental.

Desde então, não houve melhoria material nas condições de mercado, reforçando a ideia de que o grupo enfrenta um ciclo adverso mais prolongado do que inicialmente esperado.

Custos: disciplina estratégica, mas efeito diferido

A Hays continua a executar um plano de redução estrutural de custos de cerca de 45 milhões de libras por ano até ao final do FY2029. Este programa inclui:

  • Simplificação organizacional;
  • Ajustes de capacidade;
  • Maior foco em eficiência operacional.

Contudo, a própria empresa reconhece que estes ganhos:

  • São graduais,
  • Não compensam no imediato a queda de receitas,
  • Funcionam sobretudo como proteção de margens numa fase de recuperação futura.

Visibilidade fraca e mensagens cautelosas da gestão

A gestão mantém um discurso de confiança estrutural, sublinhando que os mercados de trabalho são cíclicos e que a recuperação virá com o reajuste de orçamentos empresariais. No entanto, admite explicitamente que:

  • O timing da recuperação é incerto;
  • A confiança empresarial continua deprimida;
  • A pressão macroeconómica na Europa persiste.

Algumas casas de análise já classificaram o guidance implícito para a segunda metade do exercício como demasiado otimista, dado o contexto atual.

Implicações estratégicas

O caso da Hays evidencia vários pontos estruturais:

  • Elevada alavancagem operacional num ambiente de contração do emprego qualificado;
  • Forte dependência geográfica da Alemanha, num momento de fragilidade económica;
  • Capacidade limitada de reação no curto prazo, para além de cortes de custos.

Para o sector de recrutamento, o cenário europeu continua claramente mais desafiante do que o norte-americano ou alguns mercados asiáticos.

Conclusão

A Hays entra em 2026 sob pressão significativa, com resultados em deterioração, fraca visibilidade e um mercado europeu que tarda em recuperar. A execução disciplinada em custos é necessária, mas insuficiente para inverter o ciclo no curto prazo.

Enquanto não houver sinais claros de retoma na Alemanha e nos sectores de tecnologia e engenharia, a empresa deverá continuar exposta a revisões negativas de expectativas. Para investidores, o perfil da Hays permanece altamente cíclico, com potencial de recuperação apenas num horizonte mais distante e dependente de uma melhoria macroeconómica sustentada na Europa.


Visite o Disclaimer para mais informações.

Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.

(Artigo sobre a Hays. Formato “News”, atualizado com informações até 14 de Janeiro de 2026. Categoria: Consultoria e Outros. Classe de Ativos: Ações Tags: Acionista, Hays, Recursos Humanos, Reino Unido, Outsourcing)

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