Honda, News – 19 Jan 25

Honda sob pressão de semicondutores e qualidade, enquanto a Nissan reabre a porta a cooperação operacional nos EUA


Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Honda. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.


Strategic Highlights – 05 Janeiro 2026

  • A Honda prolongou por mais duas semanas a paragem de produção em três fábricas na China (joint-ventures com a Guangzhou Automobile Group), adiando o reinício para 19 janeiro 2026, devido a escassez de semicondutores.
  • A disrupção surge num contexto de atrasos em entregas de chips da Nexperia (subsidiária neerlandesa da chinesa Wingtech), que têm forçado vários fabricantes a cortar produção; a Honda não atribuiu diretamente o novo ajuste à Nexperia, mas o tema surge como “pano de fundo” do choque de abastecimento.
  • Em novembro de 2025, a Honda anunciou um recall de 256.603 veículos Accord híbridos nos EUA por erro de software, com potencial perda de potência/tração; os concessionários irão reprogramar gratuitamente.
  • No mesmo mês, a Honda tinha também feito recall de 406.290 veículos Civic por um defeito de fabrico associado a jantes de liga de alumínio que poderiam desprender-se.
  • A Nissan considera projetos conjuntos com a Honda para desenvolvimento de veículos e powertrain nos EUA, sem conversas de fusão; a cooperação ganha relevância num mercado (EUA) onde a Nissan tem fragilidade em híbridos e capacidade industrial subutilizada.

Nota de Contexto

A Honda é historicamente forte em eficiência industrial e, nos EUA, tem uma posição relevante em híbridos, um segmento que se tornou ainda mais crítico num ciclo de procura volátil. Contudo, os documentos mostram dois pontos de fricção com impacto potencial em receitas e reputação: (i) choques de abastecimento de semicondutores que atingem diretamente volumes (China e América do Norte) e (ii) recalls que expõem risco operacional e de qualidade. Em paralelo, a Nissan procura opções para reduzir custos e melhorar competitividade, reativando conversas de cooperação operacional com a Honda sem regressar ao cenário de fusão.

1) Semicondutores: a cadeia volta a “mandar” na produção

A notícia de 5 janeiro 2026 evidencia que o choque de semicondutores não é um evento pontual: a Honda decidiu prolongar por duas semanas a paragem em três fábricas na China, operadas com a Guangzhou Automobile Group, que deveriam retomar a atividade no próprio dia. O reinício foi transferido para 19 janeiro 2026.

O ponto mais relevante para a leitura estratégica não é só o adiamento, mas o que ele sinaliza:

  • o “timing” de normalização continua instável, com decisões de planeamento a serem revistas em cima do acontecimento;
  • a escassez de chips mantém-se suficientemente severa para interromper operações em geografias diferentes.

O documento liga o tema a atrasos de chips da Nexperia (subsidiária neerlandesa da chinesa Wingtech), que têm forçado cortes de produção noutros fabricantes nos últimos meses. A Honda não atribuiu formalmente este ajuste à Nexperia, mas a associação é importante porque indica um potencial “ponto único” de stress no abastecimento.

Além da China, a Honda já tinha sido afetada na América do Norte: refere-se que a empresa parou ou reduziu produção em fábricas norte-americanas de finais de outubro a novembro de 2025 devido a falta de chips, reforçando que a vulnerabilidade é transversal às suas regiões-chave.

2) Qualidade e risco operacional: dois recalls relevantes nos EUA

Em 18 novembro 2025, a Honda anunciou um recall de 256.603 veículos Accord híbridos nos EUA, devido a um erro de software que pode reiniciar partes do sistema interno durante a condução, levando a potencial perda de potência/tração e risco acrescido de controlo. A solução passa por reprogramação gratuita nos concessionários.

O enquadramento torna-se mais pesado por não ser um caso isolado: no mesmo mês, a Honda tinha também realizado um recall de 406.290 veículos Civic, por um defeito de fabrico em que as jantes de liga de alumínio poderiam desprender-se.

Do ponto de vista estratégico, estes dois eventos “puxam” a narrativa para três implicações:

  1. Custos diretos (campanhas, logística, mão-de-obra em rede) e custos indiretos (gestão de reclamações/garantias);
  2. Risco reputacional num segmento (híbridos) onde a Honda tem vantagem competitiva e onde a confiança é crítica;
  3. Carga de complexidade: software e componentes críticos elevam o risco de incidentes que já não são puramente mecânicos, exigindo capacidade de resposta rápida e robusta em pós-venda.

3) EUA como “campo de batalha”: cooperação Nissan–Honda sem fusão, mas com lógica industrial clara

O documento de 13 novembro 2025 posiciona uma possível cooperação Nissan–Honda nos EUA como resposta pragmática a problemas concretos. A Nissan considera um projeto conjunto com a Honda para desenvolvimento de veículos e powertrain nos EUA, segundo declarações do CEO Ivan Espinosa ao Nikkei.

O texto é explícito em separar cooperação de consolidação: as conversas de fusão (iniciadas em dezembro do ano anterior) terminaram em fevereiro, e não existem atualmente negociações sobre fusão ou aliança de capital.

O racional económico emerge no próprio documento:

  • os EUA são o maior mercado por volume para ambas as empresas;
  • a Nissan tem sofrido nos EUA por falta de modelos híbridos, onde a Honda é forte;
  • a Nissan tem fábricas nos EUA com utilização baixa, e estaria a considerar produzir pickups para a Honda nessas instalações;
  • a Nissan está a executar uma reestruturação com redução de ~15% do workforce e corte de fábricas de 17 para 10, procurando baixar custos.

A leitura estratégica é que, sem fusão, a cooperação pode ser um “meio-termo”:

  • para a Nissan, é uma via de maximizar ativos industriais e preencher lacunas tecnológicas (ex.: híbridos) por complementaridade;
  • para a Honda, pode ser uma forma de ganhar flexibilidade industrial e/ou acelerar certos segmentos sem carregar todo o investimento sozinha, precisamente num contexto em que semicondutores e custos de componentes criam incerteza sobre margens e planeamento.

Conclusão

Os três documentos constroem uma imagem de pressão operacional e de risco sobre a Honda no curto prazo: a escassez de semicondutores continua a interromper produção, agora com um prolongamento de paragem na China até 19 janeiro 2026, depois de impactos também na América do Norte no final de 2025.
Em paralelo, dois recalls de grande escala nos EUA, 256.603 Accord híbridos por software e 406.290 Civic por falha associada a jantes, lembram que a execução de qualidade e a robustez do software são dimensões cada vez mais materiais para preservar confiança e conter custos.

Neste contexto, a possibilidade de cooperação Nissan–Honda nos EUA aparece menos como “narrativa de consolidação” e mais como resposta industrial: complementaridade em híbridos, capacidade produtiva subutilizada e necessidade de reduzir custos.
A questão-chave para 2026, à luz destes dados, é se a Honda consegue estabilizar abastecimento e execução (para proteger volumes) ao mesmo tempo que mantém a vantagem competitiva em híbridos e absorve o “overhead” operacional dos recalls, num mercado onde eficiência e confiança continuam a ser o diferencial mais caro de perder.


Visite o Disclaimer para mais informações.

Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.

(Artigo sobre os Earnings (Resultados) da Honda, formato “News”, atualizado com informações até 05 de Janeiro de 2025. Categoria: Transporte. Classe de Ativos: Ações Tags: Acionista, Japão, Transporte, HondaVeículos Elétricos, Veículos a Combustão, Veículos Híbridos, Automóveis)

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