IBM, News – 27 Ago 26

IBM reforça exposição à infraestrutura de IA, mas a rotação de investimento pressiona o software no curto prazo


Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a IBM. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.


Strategic Highlights

  • A IBM está a transformar a procura por inteligência artificial em infraestrutura comercial concreta, através de um acordo plurianual de 240 milhões de dólares com a Together AI para construir no IBM Cloud um cluster de inferência com cerca de 2.000 chips Nvidia Blackwell B300, cuja capacidade inicial deverá estar totalmente contratada antes de entrar em serviço.
  • A mesma expansão da IA está, porém, a criar um efeito de substituição dentro dos orçamentos tecnológicos: empresas estão a direcionar capex para servidores, armazenamento, memória, networking e cibersegurança, pressionando outras áreas e contribuindo para uma projeção de apenas 1% de crescimento das receitas da IBM no 2.º trimestre de 2026, para 17,2 mil milhões de dólares.
  • A pressão de curto prazo concentra-se sobretudo no negócio de mainframes e na execução comercial, depois de vários negócios de grande dimensão não terem sido concluídos como esperado; a projeção de EPS ajustado de 2,93 dólares também ficou abaixo dos 3,02 dólares estimados pelos analistas.
  • A IBM mantém uma aposta tecnológica de longo prazo particularmente ambiciosa: apresentou uma arquitetura de transístores de 0,7 nanómetros, capaz de acomodar quase 100 mil milhões de transístores numa superfície do tamanho de uma unha e potencialmente oferecer até 50% mais desempenho ou 70% maior eficiência energética face à tecnologia de 2 nanómetros apresentada em 2021.
  • A tese estratégica passou, assim, a depender da capacidade de a IBM capturar o crescimento da infraestrutura e inferência de IA sem permitir que a redistribuição dos budgets empresariais enfraqueça software, mainframes e outras fontes de resultados antes de as novas plataformas atingirem escala material.

Nota de Contexto

A IBM fornece computadores mainframe, software empresarial e serviços de consultoria tecnológica a grandes empresas e entidades governamentais, com negócios como a Red Hat a desempenharem um papel relevante na oferta de software para ambientes de cloud. Em 2026, a empresa encontra-se no centro de uma mudança estrutural dos gastos tecnológicos: a inteligência artificial está a aumentar rapidamente a procura por capacidade computacional, chips, armazenamento, networking e cibersegurança, mas esse investimento está também a retirar recursos a outras categorias de tecnologia empresarial. A IBM está exposta aos dois lados desta transição. Por um lado, enfrenta pressão sobre software e mainframes; por outro, procura capturar diretamente o novo ciclo de infraestrutura através do IBM Cloud, de parcerias em IA e de investigação avançada em semicondutores.

Análise Estratégica

1. A IA está a expandir o mercado tecnológico, mas também a redistribuir os budgets

O principal desafio de curto prazo da IBM não resulta de uma ausência de procura tecnológica, mas de uma alteração na composição dessa procura. A administração identificou uma transferência do capex empresarial para servidores, armazenamento e memória, numa tentativa dos clientes de assegurar componentes sujeitos a restrições de oferta antes de potenciais aumentos de preços. Esta mudança foi suficientemente forte para afetar a execução comercial e levar vários negócios de grande dimensão a não fechar dentro do período esperado.

Antes da divulgação prevista dos resultados, a IBM indicava que as receitas do segundo trimestre aumentariam apenas 1% para 17,2 mil milhões de dólares, abaixo dos 17,86 mil milhões esperados pelo mercado, o ritmo de crescimento mais fraco em mais de um ano. O EPS ajustado projetado, de 2,93 dólares, também ficava abaixo da estimativa de 3,02 dólares. O problema era particularmente evidente no negócio de mainframes, exatamente numa altura em que os clientes estavam a privilegiar outras infraestruturas necessárias para suportar workloads de IA.

Esta dinâmica revela uma nuance importante para a tese. A expansão da inteligência artificial não beneficia automaticamente todas as empresas tecnológicas ou todas as linhas de produto dentro da mesma empresa. Na fase atual, parte do orçamento está a ser direcionada para componentes físicos e capacidade computacional escassa, enquanto investimentos discricionários em outras tecnologias podem ser adiados. O efeito pode ser temporário se o crescimento dos budgets tecnológicos globais acabar por compensar essa redistribuição; no curto prazo, porém, cria volatilidade nas receitas e aumenta a importância do timing dos grandes contratos.

A cibersegurança acrescenta uma segunda pressão competitiva pelos mesmos recursos financeiros. Empresas estavam a aumentar os gastos nesta área perante avanços nas capacidades de hacking assistidas por inteligência artificial. Assim, infraestrutura computacional e segurança tornam-se prioridades simultâneas, comprimindo o espaço disponível para software empresarial menos urgente. Para a IBM, a resposta estratégica exige que as áreas beneficiárias desta redistribuição cresçam suficientemente rápido para compensar as que estão a perder prioridade.

2. O acordo com a Together AI transforma a infraestrutura de IA numa oportunidade comercial direta

O acordo anunciado em 11 de agosto de 2026 mostra uma resposta concreta a essa rotação de investimento. A IBM e a Together AI assinaram um contrato plurianual de 240 milhões de dólares para construir um cluster de inferência de grande escala no IBM Cloud, baseado em sistemas Nvidia. A infraestrutura será utilizada para executar modelos de IA open-source e deverá responder à crescente procura empresarial por inferência, o processo através do qual modelos já treinados geram respostas em produção.

A configuração inicial inclui cerca de 2.000 chips Nvidia Blackwell B300 nos Estados Unidos, integrados através dos sistemas HGX B300 e da tecnologia de networking Spectrum-X Ethernet. A componente mais relevante, do ponto de vista económico, é a indicação de procura já existente: a Together AI afirmou esperar que a capacidade esteja vendida com dois a três meses de antecedência e totalmente contratada antes de o cluster ficar operacional.

Isto altera parcialmente a leitura sobre a exposição da IBM à IA. A empresa não está apenas a incorporar funcionalidades de inteligência artificial em software existente; está também a posicionar o IBM Cloud como fornecedor de infraestrutura especializada para workloads intensivos de inferência. Numa fase em que hyperscalers e fabricantes de chips estão a investir dezenas de milhares de milhões de dólares em capacidade computacional, esta posição permite à IBM participar num segmento onde a procura empresarial está a revelar-se particularmente forte.

Ao mesmo tempo, a escala deve ser interpretada com disciplina. Um acordo de 240 milhões de dólares é relevante como validação comercial, mas permanece pequeno face à dimensão global da IBM. O valor estratégico reside sobretudo na demonstração de que a empresa consegue transformar parceiros, cloud e hardware Nvidia numa oferta procurada por clientes de IA. Para se tornar um verdadeiro motor financeiro, este modelo terá de ser replicado através de novos clusters, maior utilização e contratos adicionais.

3. A IBM tenta construir diferenciação tecnológica abaixo da camada de cloud

A estratégia de longo prazo vai além de alugar capacidade computacional existente. Em 25 de junho de 2026, a IBM apresentou uma tecnologia experimental capaz de produzir chips com dimensões inferiores a um nanómetro, recorrendo a uma arquitetura de transístores de 0,7 nanómetros, ou sete angstroms. A empresa descreveu a inovação como uma forma de continuar a aumentar a densidade computacional numa altura em que o setor procura prolongar a evolução histórica associada à Lei de Moore.

O protótipo permite colocar quase 100 mil milhões de transístores numa área aproximadamente equivalente a uma unha, cerca do dobro da densidade da tecnologia de 2 nanómetros apresentada pela IBM em 2021. Segundo a empresa, isso pode traduzir-se em até 50% maior desempenho ou 70% maior eficiência energética. Num mercado de IA em que consumo elétrico, capacidade de processamento e densidade dos centros de dados são limitações económicas relevantes, ganhos deste tipo podem ter implicações estratégicas significativas.

A inovação utiliza uma arquitetura designada nanostack, que empilha transístores em três dimensões em vez de os colocar apenas num plano, permitindo aumentar a capacidade dentro do mesmo volume físico. A IBM indicou ainda que a tecnologia poderá reduzir em 40% uma categoria de memória SRAM, componente particularmente importante nos chips utilizados em computação avançada.

Contudo, esta é sobretudo uma opção tecnológica de longo prazo. A produção comercial poderá começar apenas dentro de aproximadamente cinco anos, e a IBM ainda não anunciou um parceiro de fabrico para esta geração. A empresa já licenciou tecnologias anteriores a empresas como Samsung e Rapidus, pelo que o valor económico futuro poderá surgir através de propriedade intelectual, licenciamento ou colaboração industrial, mas os dados atuais não permitem quantificar esse impacto.

4. A questão central é o timing entre pressão presente e monetização futura

A IBM está, portanto, a enfrentar uma assimetria temporal. Os efeitos negativos da mudança dos budgets empresariais são visíveis imediatamente nas expectativas de receitas, EPS e fecho de contratos, enquanto algumas das oportunidades estratégicas, semicondutores avançados, quantum computing e ecossistemas de IA, necessitam de vários anos para atingir maturidade.

A empresa indicou investimentos significativos em computação quântica, incluindo mais de 10 mil milhões de dólares para construir o primeiro computador quântico de grande escala até 2029, e continua a ampliar parcerias de IA. Ainda assim, estas iniciativas foram descritas como demasiado iniciais para compensar integralmente a atual fraqueza em software e infraestrutura tradicional.

É precisamente aqui que o acordo com a Together AI ganha importância: encurta a distância entre investimento estratégico e monetização. Ao contrário de tecnologias subnanométricas ou quantum, o cluster de inferência responde a procura existente e deverá entrar no mercado com capacidade antecipadamente contratada. A capacidade da IBM de repetir este padrão determinará se a IA passa rapidamente de narrativa tecnológica para contribuinte financeiro material.

Market Implications

A reação do mercado às perspetivas do segundo trimestre mostrou uma sensibilidade muito elevada ao risco de que a IA esteja a canibalizar budgets tradicionais antes de gerar receitas equivalentes para fornecedores históricos de software. As ações da IBM chegaram a cair cerca de 25% durante a sessão descrita, num movimento acompanhado por quedas noutras empresas de software, enquanto a eventual perda de capitalização da IBM era estimada em cerca de 70 mil milhões de dólares caso o movimento se mantivesse, face a uma valorização anterior de 272,78 mil milhões.

A implicação mais importante é que os investidores parecem distinguir cada vez mais entre exposição nominal à inteligência artificial e monetização efetiva. Investimentos em investigação, parcerias e infraestrutura podem sustentar uma tese estratégica, mas o mercado exige evidência de crescimento de receitas e capacidade de proteger margens enquanto os clientes reorganizam prioridades. O contrato com a Together AI constitui precisamente esse tipo de evidência comercial, sobretudo pela indicação de procura antecipada pela capacidade disponível.

A assimetria permanece elevada. Se a procura por infraestrutura de inferência continuar a crescer e a IBM conseguir expandir a utilização do IBM Cloud, a atual pressão sobre software poderá ser interpretada como uma fase de transição dentro de uma reorganização mais ampla dos gastos tecnológicos. Se, pelo contrário, a infraestrutura crescer sem compensar a desaceleração das áreas mais rentáveis, a mudança de mix poderá exercer pressão prolongada sobre a qualidade do crescimento.

Conclusão

A IBM está a atravessar uma transição em que a inteligência artificial funciona simultaneamente como causa da pressão operacional e como principal oportunidade estratégica. A deslocação de budgets para servidores, memória, networking e cibersegurança enfraqueceu a execução comercial e reduziu as expectativas de crescimento no curto prazo, mas a empresa está também a capturar diretamente essa mesma procura através do IBM Cloud e de um cluster de inferência de 240 milhões de dólares cuja capacidade deverá estar contratada antes de entrar em serviço. Paralelamente, a tecnologia de 0,7 nanómetros demonstra uma ambição de diferenciação estrutural em computação avançada, embora a monetização permaneça distante. A variável decisiva será a velocidade com que a IBM consegue transformar estas novas plataformas em receitas recorrentes suficientemente grandes para compensar a pressão sobre software e mainframes; até lá, a tese continuará a equilibrar uma oportunidade tecnológica significativa com um risco de execução igualmente material.


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Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.

(Artigo sobre a IBM, formato “News”, atualizado com informações até 26 de Agosto de 2026. Categorias: Tecnologia. Tags: Acionista, EUA, IBM, Sistemas Informáticos, Consultoria, Inteligência Artificial, Nanotecnologia)

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