AI está a redesenhar o setor tecnológico e a abrir novas frentes de competição global
Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Inteligência Artificial (IA). Acompanhamos de forma contínua os principais índices, ativos e setores, oferecendo uma visão abrangente sobre as tendências e os fatores que impactam a economia mundial, consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.
Strategic Highlights
- O setor de software perdeu cerca de 1 bilião de dólares (~930 mil milhões de euros) em capitalização numa semana, refletindo receios de que a AI generativa possa substituir partes significativas do software empresarial tradicional.
- O S&P 500 Software & Services Index registou a pior performance relativa face ao S&P 500 em 25 anos, com uma underperformance de cerca de 24 pontos percentuais.
- As grandes tecnológicas planeiam investir cerca de 600 mil milhões de dólares (~560 mil milhões de euros) em infraestrutura e desenvolvimento de AI em 2026, intensificando a corrida tecnológica.
- A adoção de AI já está a transformar setores como a indústria farmacêutica, reduzindo processos que demoravam várias semanas para apenas algumas horas em tarefas ligadas a ensaios clínicos.
- Na China, empresas como Alibaba, Tencent e ByteDance estão a competir agressivamente para captar utilizadores de AI, com campanhas promocionais superiores a 400 milhões de dólares (~372 milhões de euros).
Nota de Contexto
A inteligência artificial tornou-se o principal motor estratégico da indústria tecnológica global. O desenvolvimento de modelos de linguagem avançados e sistemas de automação está a transformar simultaneamente três dimensões do mercado: a estrutura da indústria de software, o volume de investimento em infraestrutura tecnológica e a competição geopolítica entre Estados Unidos e China.
Nos mercados financeiros, esta transição está a provocar uma clara divisão entre empresas vistas como beneficiárias da nova vaga de AI, como fornecedores de infraestrutura, chips e plataformas, e empresas cujo modelo de negócio pode ser parcialmente substituído por sistemas automatizados baseados em AI.
Ao mesmo tempo, a adoção da tecnologia está a expandir-se rapidamente para setores tradicionais, desde a indústria farmacêutica até ao comércio digital, acelerando processos de investigação, análise e interação com consumidores.
AI está a pressionar o modelo tradicional de software
Um dos sinais mais claros da mudança estrutural provocada pela inteligência artificial tem sido a forte correção das empresas de software empresarial.
Num período de apenas uma semana, o setor perdeu cerca de 1 bilião de dólares (~930 mil milhões de euros) em capitalização bolsista. O movimento refletiu a crescente preocupação dos investidores de que sistemas de AI generativa possam executar tarefas anteriormente realizadas por software especializado.
O impacto foi visível em várias empresas relevantes:
- SAP caiu mais de 16% após divulgar previsões de receita para 2026 abaixo das expectativas, bem como um backlog de cloud inferior ao antecipado pelo mercado.
- ServiceNow registou uma queda de cerca de 11%, apesar de ter apresentado projeções de receitas de subscrição acima das estimativas.
- Outras empresas como Oracle e Intuit também sofreram pressões significativas.
O movimento foi suficientemente amplo para levar o S&P 500 Software & Services Index ao nível mais baixo em nove meses.
Segundo análises de mercado, o setor está atualmente a registar a pior performance relativa face ao S&P 500 em cerca de 25 anos, com uma underperformance próxima de 24 pontos percentuais.
A mudança na perceção dos investidores resulta em grande parte da evolução recente dos modelos de AI, que começam a demonstrar capacidade para automatizar tarefas como:
- análise de dados
- marketing e vendas
- assistência jurídica
- criação de conteúdos
- gestão de processos empresariais
O lançamento de novas funcionalidades em plataformas de AI, incluindo sistemas capazes de executar tarefas especializadas, reforçou a narrativa de que a tecnologia poderá substituir partes do software empresarial tradicional.
A divisão crescente dentro do setor tecnológico
A rápida evolução da AI está também a criar uma divisão estrutural dentro do próprio setor tecnológico.
Por um lado, surgem empresas que poderão beneficiar diretamente da expansão da tecnologia, sobretudo aquelas ligadas a infraestrutura digital, computação e semicondutores.
Por outro lado, empresas cujo modelo de negócio depende da venda de software funcional podem enfrentar maior pressão competitiva se sistemas de AI passarem a executar tarefas semelhantes de forma integrada.
Esta mudança pode também alterar a forma como investidores abordam o setor tecnológico. Durante anos, estratégias passivas baseadas em índices amplos beneficiaram da valorização generalizada das empresas de software.
Com a AI a redefinir a estrutura do mercado, cresce a possibilidade de uma maior dispersão de desempenho entre empresas, aumentando a importância da seleção ativa de ações.
Investimentos recorde em infraestrutura de AI
Apesar da volatilidade nas empresas de software, as grandes tecnológicas continuam a acelerar os investimentos em inteligência artificial.
As principais empresas do setor poderão investir cerca de 600 mil milhões de dólares (~560 mil milhões de euros) em infraestrutura e desenvolvimento de AI ao longo de 2026.
Entre os planos mais relevantes:
- Amazon poderá investir cerca de 200 mil milhões de dólares (~186 mil milhões de euros) em capital expenditure.
- Alphabet indicou que os seus investimentos podem duplicar em 2026.
- Meta também planeia aumentar significativamente os gastos em infraestrutura e modelos de AI.
Este aumento massivo de investimento reflete a perceção de que a AI representa a próxima grande plataforma tecnológica.
Contudo, a magnitude do investimento também levanta preocupações entre investidores, sobretudo quanto ao impacto potencial na rentabilidade de curto prazo e ao risco de um ciclo de investimento excessivo.
O efeito dominó nos mercados financeiros
A queda das empresas de software teve também repercussões noutros segmentos do mercado financeiro.
Gestoras de ativos com forte exposição a private equity e crédito ligado ao setor tecnológico registaram perdas significativas. O índice Dow Jones US Asset Managers caiu cerca de 5% numa semana, mesmo com o S&P 500 praticamente estável.
Entre as empresas afetadas destacaram-se:
- Blackstone
- Apollo
- KKR
- Carlyle
- Ares
- Blue Owl
- TPG
Estas empresas possuem frequentemente investimentos ou financiamento associado a empresas de software privadas, o que amplifica o impacto das revisões de valuation no setor.
Ao mesmo tempo, os mercados de opções indicam que os investidores continuam a antecipar volatilidade elevada nas ações de software, refletindo a incerteza sobre a forma como a AI irá alterar o setor.
AI começa a transformar setores tradicionais
Enquanto o setor tecnológico atravessa uma fase de reavaliação, a adoção da inteligência artificial está a expandir-se rapidamente para outras indústrias.
Na indústria farmacêutica, a tecnologia já está a ser utilizada para acelerar tarefas operacionais e administrativas associadas ao desenvolvimento de medicamentos.
O desenvolvimento de um novo fármaco pode demorar até 10 anos e custar cerca de 2 mil milhões de dólares (~1,9 mil milhões de euros). A AI está a ajudar empresas a reduzir significativamente algumas das etapas do processo.
Um exemplo vem da Novartis, que afirmou ter reduzido o processo de seleção de centros para ensaios clínicos de várias semanas para uma reunião de cerca de duas horas graças ao uso de AI.
Entre as principais aplicações atuais estão:
- identificação de participantes para ensaios clínicos
- seleção de centros de investigação
- preparação de documentação regulatória
Apesar do progresso, a tecnologia ainda não demonstrou avanços significativos na descoberta de novas moléculas revolucionárias, indicando que o impacto mais imediato poderá ocorrer na eficiência operacional.
A corrida da AI também se intensifica na China
A competição global pela liderança em inteligência artificial está também a ganhar intensidade na China.
Empresas tecnológicas chinesas estão a utilizar campanhas promocionais agressivas para atrair utilizadores para as suas plataformas de AI.
A Alibaba, com uma avaliação de cerca de 390 mil milhões de dólares (~363 mil milhões de euros), lançou uma campanha promocional superior a 400 milhões de dólares (~372 milhões de euros) durante o Ano Novo Lunar para promover o seu chatbot Qwen.
A estratégia inclui a integração direta do chatbot em serviços de comércio digital, permitindo aos utilizadores:
- comprar produtos
- efetuar pagamentos
- interagir com serviços dentro da mesma aplicação
A campanha gerou forte adesão inicial, com cerca de 10 milhões de pedidos de bebidas nas primeiras nove horas.
Outras empresas chinesas também estão a competir agressivamente:
- Tencent distribuiu cerca de 1 mil milhão de yuan (~128 milhões de euros) em “red envelopes”.
- ByteDance promoveu o chatbot Doubao através de uma parceria com o Spring Festival Gala.
Este modelo de subsídios agressivos reflete a estratégia das empresas chinesas de ganhar rapidamente escala de utilizadores.
A ambição chinesa na cadeia de chips de AI
A corrida tecnológica envolve também a capacidade de produzir semicondutores avançados.
As restrições impostas pelos Estados Unidos limitaram o acesso da China aos chips mais avançados utilizados no treino de modelos de AI, particularmente aqueles produzidos pela Nvidia.
Apesar disso, empresas chinesas estão a tentar reduzir a dependência tecnológica externa.
Entre os exemplos mais relevantes está a Cambricon Technologies, avaliada em cerca de 85 mil milhões de dólares (~79 mil milhões de euros), bem como a empresa Moore Threads.
O progresso tem sido mais visível em chips utilizados para inferência, isto é, a execução de modelos já treinados. No entanto, a China continua atrasada na produção de chips necessários para treinar modelos de grande escala, que exigem níveis muito mais elevados de capacidade computacional.
Conclusão
A inteligência artificial está a entrar numa nova fase de maturidade que está a transformar simultaneamente tecnologia, mercados financeiros e competição geopolítica.
No curto prazo, o impacto mais visível surge na reavaliação do setor de software, onde investidores começam a questionar se alguns modelos de negócio poderão ser substituídos por sistemas de AI mais versáteis.
Em paralelo, as grandes tecnológicas continuam a aumentar massivamente os investimentos em infraestrutura, numa corrida para consolidar posições na nova plataforma tecnológica.
Ao mesmo tempo, a adoção da tecnologia está a expandir-se rapidamente para setores tradicionais, melhorando a eficiência de processos complexos como o desenvolvimento de medicamentos.
Por fim, a rivalidade tecnológica entre Estados Unidos e China indica que a inteligência artificial não será apenas uma transformação económica, mas também um dos principais eixos da competição estratégica global nas próximas décadas.
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Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.
(Artigo sobre a Inteligência Artificial, formato “Geral”, atualizado com informações até 16 de Março de 2026. Categorias: Global. Tags: Global, Inteligência Artificial, Sistema Informáticos)