LG Chem, News – 14 Jan 26

LG Chem: pressão do governo para reestruturar petroquímica cruza-se com ofensiva acionista e venda gradual da LG Energy Solution


Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a LG Chem. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.


Strategic Highlights – 19 Dezembro 2025

  • A LG Chem submeteu ao governo sul-coreano um plano de reestruturação do negócio petroquímico, em resposta ao pedido oficial para o setor reduzir capacidade, num contexto em que Seul pretende cortar a capacidade anual até 25%.
  • Em paralelo, a empresa continua a enfrentar pressão externa sobre governança e alocação de capital, com a Palliser Capital a apontar um desconto de 74% face ao valor líquido dos ativos e a defender renovação do board e recompras.
  • No eixo financeiro, a LG Chem avançou com a venda de ações da LG Energy Solution: a 1 de outubro anunciou um bloco de 1,4 mil milhões USD e indicou que a operação reduziria a participação em 2,5 pp para 79,4%, usando os fundos para reduzir dívida associada a novos negócios (materiais de baterias e biotecnologia).
  • O “trade-off” estratégico torna-se mais explícito: desalavancar e devolver capital (para reduzir o desconto) versus financiar transição (materiais de baterias/biotech) num momento em que a petroquímica exige medidas defensivas.
  • A combinação de (i) intervenção política setorial, (ii) pressão acionista por disciplina e (iii) monetização de participação na LGES aumenta a fasquia para uma narrativa coerente de valor em 2026.

Nota de Contexto

A LG Chem é um grupo químico integrado, com um “core” historicamente assente em petroquímica e uma segunda perna estratégica ligada a materiais para baterias (exposição indireta via cadeia de valor e também através da sua participação na LG Energy Solution, uma das maiores produtoras de baterias). Este perfil cria uma tensão estrutural: a petroquímica tende a ser mais cíclica e intensiva em capital, enquanto os vetores de transição (baterias/materiais/biotech) exigem investimento continuado e credibilidade na alocação de capital, exatamente o tema onde investidores e governo estão hoje mais exigentes.

1) Petroquímica sob intervenção: o governo pede consolidação e a LG Chem responde

O evento mais recente (e mais sensível) é a submissão, em 19 dezembro 2025, de um plano de reestruturação petroquímica ao governo sul-coreano. A empresa confirma o envio, mas não divulga detalhes, alinhando-se com um processo mais amplo de reorganização setorial.

O ponto essencial é o enquadramento público: o governo está a empurrar o setor para reduzir capacidade anual até 25%. Este tipo de meta, ampla e quantitativa, tem implicações diretas na economia do negócio:

  • menos capacidade pode significar fechos, fusões de ativos, spin-offs e/ou acordos de cooperação industrial;
  • a redução de oferta interna tende a ser vendida como forma de “normalizar” margens, mas no curto prazo pode exigir custos de reestruturação e decisões difíceis sobre que ativos proteger.

O facto de outras empresas também estarem envolvidas (com exemplos de movimentos corporativos no setor) reforça que não se trata de uma decisão isolada: é um reposicionamento setorial coordenado, onde a LG Chem precisa de defender a sua base de ativos sem comprometer o seu plano de transição.

Implicação estratégica: a petroquímica passa a ser, em 2026, menos um “motor de crescimento” e mais um tema de gestão de risco, com foco em eficiência, disciplina e adaptação ao novo equilíbrio industrial.

2) Palliser Capital: o “Korea discount” entra no boardroom

A pressão da Palliser Capital (22 outubro 2025) é relevante porque não ataca resultados trimestrais, ataca o desconto estrutural. O investidor argumenta que a LG Chem negoceia a um desconto de 74% face ao valor líquido dos seus ativos e atribui isso a:

  • falta de confiança na governança;
  • fraca perceção de alocação de capital;
  • necessidade de um board com competências mais alinhadas com a nova fase (materiais avançados e disciplina financeira).

A Palliser propõe, na prática, três coisas:

  1. renovar o conselho com perfis mais técnicos e com experiência em capital allocation;
  2. avançar com recompras de ações;
  3. manter níveis “apropriados” de dívida líquida, sugerindo maior disciplina do balanço.

O elemento-chave é a tese de valor: a Palliser fala num “gap” de valorização que, na sua leitura, deveria colocar a empresa num patamar de 65 mil milhões USD. Mesmo sem discutir se o número é realista, ele funciona como âncora para o debate público: a LG Chem está a ser avaliada não apenas por lucros, mas por credibilidade.

Implicação estratégica: a gestão entra em 2026 com uma pressão dupla, entregar reestruturação petroquímica (exigência do governo) e, simultaneamente, provar ao mercado que consegue melhorar retornos e transparência.

3) Venda de participação na LG Energy Solution: monetização com objetivo explícito de desalavancagem

A decisão de 1 outubro 2025 fornece um ponto quantitativo claro: a LG Chem anunciou a venda de 1,4 mil milhões USD em ações da LG Energy Solution, através de um price return swap com investidores.

Há três mensagens concretas nesta operação:

  • finalidade financeira: usar os fundos para reduzir empréstimos associados a novos negócios (materiais de baterias e biotech);
  • impacto societário: redução da participação em 2,5 pp para 79,4%;
  • narrativa de valor: a operação é apresentada como medida para “melhorar finanças” e “aumentar valor corporativo”.

Leitura estratégica: este tipo de venda tem uma ambivalência inevitável. Por um lado, cria liquidez e melhora métricas financeiras; por outro, é interpretada pelo mercado como monetização de um ativo “premium” para cobrir pressão de capital noutros segmentos (incluindo petroquímica). A eficácia depende de uma resposta clara: o mercado quer ver a liquidez convertida em redução de risco (dívida) e/ou retorno ao acionista, não apenas absorvida por capex sem visibilidade.

4) Como as três forças se cruzam: reestruturação, desconto e disciplina de capital

O quadro final de 2025 sugere que a LG Chem está num triângulo de decisões:

  • Governo: exige ação na petroquímica (capacidade até -25%), pressionando a empresa a tomar decisões estruturais que podem ser caras e politicamente sensíveis.
  • Investidores ativistas: pedem governança, board refresh e recompras, porque acreditam que o desconto é, em grande parte, autoinfligido por falta de confiança.
  • Estratégia corporativa: procura manter investimento em segmentos de futuro (materiais de baterias e biotech), exigindo funding e disciplina no balanço.

O risco para a LG Chem não é apenas operacional, é narrativo. Se a empresa tentar fazer tudo ao mesmo tempo sem priorização, a leitura externa pode ser a de dispersão. Se priorizar desalavancagem e retorno ao acionista, arrisca atrasar a transição. Se priorizar investimento, arrisca manter o desconto e aumentar fricção com acionistas.

Conclusão

A LG Chem chega ao final de 2025 com uma agenda mais complexa do que a de muitos pares: precisa de responder a um empurrão oficial para reestruturar a petroquímica (num setor pressionado para reduzir capacidade até 25%), enquanto enfrenta pressão de mercado para corrigir um desconto de 74% face ao valor dos ativos e provar disciplina de capital. Ao mesmo tempo, começa a monetizar parte do seu ativo mais valioso, a participação na LG Energy Solution, com uma venda de 1,4 mil milhões USD que reduz a posição para 79,4% e é dirigida a redução de dívida.

O sucesso em 2026 vai depender de uma sequência clara:

  1. apresentar um caminho credível para a petroquímica (mesmo com detalhes limitados);
  2. demonstrar que a monetização da LGES melhora o perfil financeiro, não apenas “financia o curto prazo”;
  3. traduzir a pressão de governança em ações visíveis (board/retorno ao acionista/claridade de capital allocation).

Se estas três frentes forem alinhadas, a empresa pode começar a reduzir o desconto estrutural. Se não forem, o risco é a LG Chem ficar presa entre reestruturação obrigatória, investimento exigente e um mercado que não perdoa falta de confiança.


Visite o Disclaimer para mais informações.

Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.

(Artigo sobre a LG Chem, formato “News”, atualizado com informações até19 de Dezembro de 2025. Categoria: Indústria – Outros. Classe de Ativos: Ações. Tags: Acionista, LG Chem, Coreia do Sul, Indústria – Outros)

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