Lululemon, News – 03 Jan 26

Lululemon entra em modo “reset” após choque de procura nos EUA, pressão tarifária e saída do CEO


Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Lululemon. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.


Strategic Highlights – 12 dezembro 2025

  • A saída do CEO Calvin McDonald (após ~7 anos) desencadeou uma reação imediata do mercado, com a ação a subir ~10% no dia, num contexto em que o título já tinha perdido cerca de metade do valor no ano.
  • A empresa enfrenta perda de tração nos EUA devido a concorrência crescente (ex.: Alo Yoga e Vuori) e entrada/pressão de players estabelecidos com preços mais baixos.
  • Em 5 setembro 2025, a Lululemon cortou previsões de vendas e lucros para 2025 e apontou um Natal mais fraco, levando a uma queda intradiária de ~20% na ação.
  • A empresa estimou que tarifas dos EUA sobre Vietname e China e o fim da isenção “de minimis” poderão custar ~240 milhões de dólares em 2025, subindo potencialmente para ~320 milhões de dólares em 2026.
  • O contraste geográfico agravou-se: vendas comparáveis nas Américas caíram 1% (2.º trimestre), enquanto o internacional cresceu 15%, com destaque para China como amortecedor do abrandamento doméstico.

Nota de Contexto

A Lululemon Athletica é uma marca premium de athleisure (yoga, corrida e treino) que ganhou escala global com base em produtos “core” de elevada fidelização e pricing power. A tese histórica assentou em (i) margens elevadas, (ii) capacidade de inovação e (iii) desejabilidade de marca junto de consumidores mais jovens e de maior rendimento. Em 2025, essa equação entrou sob pressão: o consumo nos EUA arrefeceu, a concorrência acelerou o ciclo de tendências e as tarifas passaram a representar um choque direto na estrutura de custos.

1) O ponto de rutura: procura mais fraca e guidance revisto em baixa

O primeiro sinal inequívoco de mudança de regime surge no início de setembro. A Lululemon reconheceu uma combinação de procura morna e custos tarifários que complicam a época de maior peso comercial do ano, levando a um ajuste em baixa das previsões de vendas e lucros de 2025. A reação foi severa: a ação caiu ~20% na sessão, num ano em que o título já acumulava perdas significativas.

A leitura estratégica é clara: a empresa deixou de conseguir “comprar tempo” com o modelo de lançamentos regulares e com o efeito de bestsellers. O próprio management admitiu sinais de fadiga de produto em linhas populares como Scuba e Dance Studio pants, sinalizando necessidade de acelerar inovação e reduzir dependência de heróis de gama.

Isto é relevante porque, num retalho premium, a perda de frescura da oferta tende a conduzir a:

  • maior necessidade de promoções/discounting para escoar inventário;
  • maior investimento em marketing para recuperar atenção;
  • pressão em margem bruta e, em cascata, em EPS.

2) Tarifa como choque de margem: de “ruído” a variável central

O tema tarifário não aparece como detalhe: a empresa quantificou o impacto potencial em ~240 milhões de dólares em 2025 e possibilidade de ~320 milhões de dólares em 2026, associando-o às tarifas sobre Vietname e China e ao fim da isenção “de minimis” (envios abaixo de 800 dólares).

Do ponto de vista operacional, isto força uma escolha difícil (ou uma combinação das três):

  1. absorver custos e aceitar erosão de margem;
  2. passar preço ao consumidor, arriscando maior quebra de volume num consumidor já descrito como mais cauteloso;
  3. reconfigurar sourcing e logística, solução mais estrutural, mas lenta e com custos de transição.

A tensão é agravada pelo facto de a pressão de procura estar concentrada precisamente no maior mercado (Américas), reduzindo a margem de manobra para aumentos de preço sem impacto em tráfego e conversão.

3) Estados Unidos: perda de momentum e erosão do “moat” competitivo

As peças encaixam num quadro de normalização do crescimento e aumento da intensidade concorrencial. A Reuters descreve que a Lululemon “perdeu terreno” para marcas mais novas com estilos mais “trend-driven”, marketing mais agressivo e parcerias com celebridades.

Este detalhe é essencial: a concorrência não está apenas a competir em preço, está a competir em narrativa cultural, velocidade de coleção e relevância para o consumidor mais jovem, que historicamente alimentou a expansão da Lululemon.

O dado de fundo reforça o diagnóstico: no 2.º trimestre, as vendas comparáveis nas Américas caíram 1%, contrastando com +15% no internacional.
Isto sugere que o problema não é (apenas) “marca cansada” globalmente, mas sim uma quebra de tração no mercado doméstico onde a empresa era mais dominante.

4) Internacional, em especial China: amortecedor, mas não solução automática

A dinâmica internacional surge como contrapeso e, ao mesmo tempo, como risco estratégico: por um lado, o crescimento fora das Américas dá suporte à história de longo prazo; por outro, aumenta a dependência de geografias onde o ambiente competitivo e macro pode ser menos previsível.

A Reuters aponta explicitamente China como motor de resultados recentes, inclusive num trimestre em que a empresa “bateu” resultados do 3.º trimestre, mas ainda assim emitiu uma previsão de Natal abaixo do esperado, com promoções e marketing a pressionarem margens.

Isto implica que a internacionalização está a funcionar como alívio, não como substituto imediato de um “reset” nos EUA.

5) Saída do CEO e pressão do fundador: o “reset” entra oficialmente na agenda

Em 12 dezembro 2025, o catalisador corporativo foi a saída do CEO Calvin McDonald, reacendendo expectativas de transformação (“reset”) e provocando uma subida de ~10% da ação no dia.

Mas o episódio não é apenas sucessão; é também governação e orientação estratégica:

  • O board afirmou procurar um líder com experiência em crescimento e transformação.
  • O fundador Chip Wilson, maior acionista independente, criticou publicamente o board por fraca sucessão e erosão de valor, pedindo um processo urgente com novos diretores independentes e regresso a um foco “product-first”.

Isto introduz um elemento de risco/volatilidade: mesmo que o mercado reaja bem à ideia de “novo ciclo”, a transição pode gerar incerteza sobre rumo (portefólio, posicionamento de preço, ritmo de inovação, prioridades geográficas).

6) Valuation e perceção de mercado: desconto por execução, não por marca

Os múltiplos citados pela Reuters sugerem que o mercado está a aplicar um desconto à capacidade de execução da Lululemon no curto/médio prazo:

  • Em setembro, o forward P/E era ~13,82 (abaixo de Nike ~39,21).
  • Em dezembro, o forward P/E surge em ~14,66, comparado com Nike ~31,26 e Abercrombie & Fitch ~10,8.

A interpretação prática é que a marca mantém valor, mas o mercado exige provas de que a empresa consegue:

  • recuperar relevância de produto;
  • estabilizar Américas;
  • defender margens num quadro tarifário adverso.

Conclusão

A Lululemon fecha 2025 com um diagnóstico difícil, mas claro: procura mais fraca nos EUA, pressão de custos por tarifas e necessidade de renovar oferta convergiram para um “momento de verdade”, cristalizado pelo corte de guidance em setembro e pela saída do CEO em dezembro.

O “reset” que o mercado passou a antecipar dependerá de duas frentes críticas: (i) capacidade de reacender inovação e desejabilidade sem recorrer estruturalmente a desconto; e (ii) execução de medidas para mitigar o choque tarifário sem sacrificar demasiado a margem. Até haver sinais consistentes de estabilização nas Américas, a ação tende a permanecer altamente sensível a qualquer novo dado sobre procura, promoções e evolução de custos.


Visite o Disclaimer para mais informações.

Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.

(Artigo sobre os Earnings (Resultados) da Lululemon, formato “News”, atualizado com informações até 12 de Dezembro de 2025. Categoria: Consumo. Classe de Ativos: Ações. Tags: Acionista, Canadá, Lululemon, Consumo, Vestuário)

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