Minério de Ferro, News – 05 Out 26

Minério de ferro perde suporte após restocking chinês enquanto stocks aumentam e margens das siderúrgicas colapsam


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Strategic Highlights

  • O minério de ferro terminou setembro sob pressão, com o contrato mais negociado em Dalian a tocar 700 yuan por tonelada, o nível mais baixo desde 20 de agosto, enquanto o benchmark de Singapura recuou para US$ 94,55 por tonelada em 28 de setembro.
  • O principal fator de deterioração está na China: os inventários nos principais portos aumentaram para 152,17 milhões de toneladas, enquanto a percentagem de siderúrgicas rentáveis caiu para apenas 6,93%, reduzindo o incentivo para manter elevados níveis de produção e consumo de minério.
  • A procura pré-feriado sustentou temporariamente o mercado em meados de setembro, com aumento das compras marítimas, recuperação do hot metal e reforço de stocks antes da Golden Week, mas esse impulso revelou-se essencialmente sazonal e começou a desaparecer no final do mês.
  • Do lado da oferta, os embarques australianos ultrapassaram 21 milhões de toneladas numa semana, enquanto os fluxos globais voltaram a níveis elevados para esta altura do ano; possíveis perturbações associadas ao El Niño no Brasil oferecem suporte pontual, mas ainda não alteram o quadro de abundância global.
  • O equilíbrio do mercado está a deslocar-se da preocupação com disponibilidade de minério para a capacidade das siderúrgicas chinesas absorverem oferta: a produção diária de hot metal caiu para 2,36 milhões de toneladas, enquanto a produção mundial de crude steel recuou 1,2% em agosto, reforçando um cenário de pressão sobre os preços no curto prazo.

Nota de Contexto

O minério de ferro atravessou setembro de 2026 com dois movimentos distintos. Na primeira metade do período, compras das siderúrgicas chinesas antes da Golden Week, alguma recuperação da produção de hot metal e receios de perturbações de oferta sustentaram preços próximos de US$ 97 por tonelada em Singapura. No final do mês, porém, a dinâmica mudou: o restocking aproximou-se do fim, os stocks portuários aumentaram, as margens das siderúrgicas deterioraram-se e a chegada de volumes marítimos voltou a acelerar. O resultado foi uma queda do contrato de Dalian para mínimos de cinco semanas e uma consolidação do minério abaixo de US$ 95 por tonelada, colocando novamente a rentabilidade da indústria siderúrgica chinesa no centro da formação de preços.

Análise Estratégica

1. O restocking pré-Golden Week criou suporte, mas não uma recuperação estrutural da procura

A primeira metade da sequência analisada mostra claramente o efeito sazonal das compras chinesas. Em 17 de setembro, siderúrgicas aumentaram as aquisições de minério marítimo antes do feriado nacional de 1 a 7 de outubro, fazendo o volume diário de transações se elevar 43% para 1,41 milhões de toneladas. O contrato de janeiro em Dalian encerrou a 710,5 yuan por tonelada e o benchmark de outubro em Singapura atingiu US$ 96,3.

No dia seguinte, a produção média diária de hot metal subiu para 2,38 milhões de toneladas, um máximo de quatro semanas, oferecendo uma confirmação temporária de maior utilização das siderúrgicas. O minério de Dalian chegou a 715,5 yuan e o contrato de Singapura a US$ 97,2 por tonelada.

A continuidade desse movimento, contudo, dependia mais da preparação para o feriado do que de uma melhoria estrutural do setor siderúrgico. Em 21 de setembro, os inventários em 35 grandes portos chineses já tinham aumentado em 840 mil toneladas numa semana para 144,33 milhões, revertendo a anterior destocagem. Os próprios analistas indicavam que os preços permaneciam na parte inferior do intervalo sazonal e que os cortes de produção continuavam, embora de forma gradual, perante margens comprimidas.

A confirmação surgiu poucos dias depois. Em 24 de setembro, a produção de hot metal continuava em 2,38 milhões de toneladas, mas o ciclo de restocking aproximava-se do fim e novas manutenções de altos-fornos limitavam a possibilidade de maior crescimento. A avaliação dos fundamentos era já predominantemente bearish.

A leitura é importante: a recuperação de setembro não representou necessariamente uma inversão da procura chinesa. Representou sobretudo uma concentração temporária de compras antes de um período de menor atividade.

2. A deterioração das margens siderúrgicas tornou-se o principal travão ao minério

No final do mês, a fragilidade económica das siderúrgicas tornou-se mais evidente.

Em 28 de setembro, apenas 6,93% das siderúrgicas monitorizadas eram rentáveis, uma queda semanal de 0,86 pontos percentuais. Paralelamente, a produção diária de hot metal entre 247 unidades recuou 19.700 toneladas para 2,36 milhões de toneladas.

Este é provavelmente o indicador operacional mais importante para o minério no curto prazo. Uma siderúrgica com margens negativas pode continuar a produzir durante algum tempo para manter instalações, contratos ou quota, mas quanto mais prolongadas forem as perdas, maior o incentivo para reduzir utilização dos altos-fornos. Essa redução traduz-se diretamente em menor consumo de minério e carvão de coque.

Os sinais de pressão já eram visíveis alguns dias antes. Em Tangshan, o custo médio de produção de ferro fundido e billets aumentou, enquanto as perdas das siderúrgicas se ampliavam com o billet standard a 3.010 yuan por tonelada em 23 de setembro.

A dinâmica do carvão de coque acrescentou volatilidade ao quadro. Em meados do mês, restrições relacionadas com inspeções de segurança e encerramentos de minas em Shanxi tinham levado o carvão para cerca de US$ 262 por tonelada, 36,5% acima do nível do ano anterior, pressionando ainda mais as margens das siderúrgicas.

Posteriormente, expectativas de reabertura de minas provocaram fortes quedas nos preços do carvão e do coque. Em teoria, custos mais baixos podem aliviar a pressão sobre os produtores de aço. No entanto, o minério de ferro não beneficiou materialmente desse movimento porque a fraqueza da procura final e o excesso de oferta de matéria-prima continuaram a dominar o mercado.

3. A oferta global recupera precisamente quando a capacidade de absorção chinesa diminui

A pressão sobre os preços não resulta apenas de menor procura. O lado da oferta também se tornou progressivamente mais confortável.

Em 24 de setembro, os embarques australianos tinham ultrapassado 21 milhões de toneladas numa semana, contribuindo para elevados níveis de chegadas aos portos. Os inventários em sete grandes portos de Austrália e Brasil subiram 258 mil toneladas para 11,95 milhões de toneladas na semana terminada em 20 de setembro.

Quatro dias depois, a situação era ainda mais evidente na China. Os stocks de minério nos principais portos aumentaram 0,76% numa semana para 152,17 milhões de toneladas, ao mesmo tempo que os embarques internacionais regressavam a níveis elevados para esta altura do ano e as chegadas domésticas continuavam a recuperar.

Existe uma exceção potencial no Brasil. A evolução do El Niño poderá provocar precipitação superior ao normal, criando riscos para o transporte ferroviário e carregamento dos navios. Este fator ofereceu algum suporte aos preços em 23 de setembro, num momento em que o mercado antecipava possíveis reduções dos embarques brasileiros.

Mas a relevância dessa ameaça depende da sua materialização. Até ao final do período analisado, a oferta global continuava suficientemente elevada para dominar eventuais riscos meteorológicos pontuais.

A perspetiva mais ampla também permanece desafiante. Em meados do mês, analistas antecipavam que, entre outubro e novembro, a procura chinesa de minério pudesse enfraquecer enquanto a oferta marítima de produtores de baixo custo continuasse a aumentar, incluindo novos volumes associados a Simandou.

Esta combinação aumenta a probabilidade de o mercado precisar de preços mais baixos para promover disciplina do lado da oferta ou estimular procura marginal.

4. A produção de aço confirma que o problema já não é apenas sazonal

O comportamento da produção siderúrgica global reforça a leitura cautelosa.

A produção mundial de crude steel caiu 1,2% em termos homólogos em agosto para 144,2 milhões de toneladas.

Na China, a contração manifesta-se simultaneamente através da baixa rentabilidade, menor produção de hot metal e iniciativas destinadas a controlar a produção. Analistas já consideravam possíveis novos cortes de utilização de altos-fornos, precisamente porque o colapso das margens reduz a racionalidade económica de manter produção elevada.

Esta situação altera a função de reação do mercado. Durante fases de procura sólida, stocks elevados de minério podem ser rapidamente absorvidos por maior produção de aço. No ambiente atual, inventários crescentes encontram um setor com menor capacidade e menor incentivo económico para aumentar consumo.

Por isso, o equilíbrio entre minério e aço tornou-se mais desfavorável para os produtores da matéria-prima. A recuperação sustentável dos preços exigirá não apenas alguma interrupção da oferta, mas uma melhoria mais clara das margens e da procura das próprias siderúrgicas.

Market Implications

O movimento de final de setembro sugere que a zona de US$ 90–95 por tonelada voltou a assumir importância para o mercado. Já em 17 de setembro, uma análise citada no material identificava US$ 90–95 como uma possível área de suporte de curto prazo em contexto de fretes elevados. No dia 28, o benchmark de Singapura atingia US$ 94,55, colocando o minério diretamente nessa região.

O risco para o lado negativo continua ligado à combinação de três fatores: aumento dos stocks chineses, fraca rentabilidade das siderúrgicas e recuperação dos embarques internacionais. Analistas citados no final do período esperavam que, mantendo-se oferta abundante e inventários elevados, os preços permanecessem fracos até ao final de outubro.

O principal contrapeso seria uma perturbação material da oferta, sobretudo no Brasil, ou uma recuperação mais forte da produção siderúrgica chinesa. Até ao momento, porém, o apoio proveniente de El Niño e de compras sazonais não foi suficiente para alterar a direção fundamental do mercado.

Conclusão

O minério de ferro terminou setembro com uma configuração claramente mais frágil do que aquela observada durante o restocking pré-Golden Week. A procura sazonal chinesa sustentou temporariamente preços e produção de hot metal, mas o aumento dos stocks portuários, o colapso da rentabilidade das siderúrgicas e a recuperação dos embarques globais acabaram por dominar. O risco meteorológico no Brasil e eventuais cortes de produção de minério podem limitar quedas mais profundas, mas a variável decisiva está atualmente do lado do aço: enquanto apenas uma pequena fração das siderúrgicas chinesas operar com lucro e a produção de hot metal continuar a recuar, será difícil transformar interrupções pontuais de oferta numa tendência sustentada de valorização do minério.


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Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.

(Artigo sobre o Minério de Ferro, formato “News”, atualizado com informações até 04 de Outubro de 2026. Categorias: Metais e Minerais. Classe de Ativos: N/A. Tags: Mercadorias, Minério de Ferro, Metais, Ferro, China, Austrália)

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