Nvidia, News – 26 Dez 25

Nvidia: expansão vertical, alianças estratégicas e China voltam a testar os limites do “AI trade”


Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Nvidia. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise. 


Strategic Highlights – 02 dezembro 2025

  • A Amazon confirmou a adoção da tecnologia NVLink da Nvidia nos seus futuros chips de IA (Trainium4), reforçando a centralidade do ecossistema Nvidia mesmo entre clientes que desenvolvem soluções próprias.
  • A Nvidia revelou bookings acumulados de cerca de 500 mil milhões USD até 2026, sustentando a narrativa de procura estrutural por capacidade de IA.
  • 61% das receitas trimestrais continuam concentradas em quatro grandes clientes, intensificando preocupações sobre risco de concentração e circularidade de investimento.
  • A administração norte-americana avalia permitir a venda dos chips H200 à China, sinalizando possível alívio geopolítico num mercado até agora vedado.
  • Apesar de resultados e guidance fortes, o debate sobre bolha tecnológica e sustentabilidade do capex em IA mantém-se ativo entre investidores globais.

Nota de Contexto

A Nvidia é o principal fornecedor mundial de GPUs para computação avançada e o epicentro financeiro e estratégico do atual ciclo de investimento em inteligência artificial. O seu modelo assenta não apenas na venda de chips, mas num ecossistema integrado de hardware, software (CUDA), interligações (NVLink) e parcerias profundas com hyperscalers, fabricantes e empresas de software industrial. Esta posição dominante sustenta margens elevadas, mas também expõe a empresa a riscos de concentração, regulação e ciclos de investimento.

Resultados: aceleração clara, mas com sinais de concentração e stress estrutural

Os resultados apresentados pela Nvidia a 19–20 de novembro de 2025 funcionaram como um teste de stress decisivo para o mercado, num momento em que cresciam receios de desaceleração do investimento em IA. A empresa não só superou expectativas como reacelerou o crescimento, algo que não acontecia há vários trimestres.

No 3.º trimestre fiscal, a Nvidia reportou:

  • Crescimento de receitas de 62%, a primeira aceleração após sete trimestres consecutivos de abrandamento.
  • Receitas do segmento de Data Center de 51,2 mil milhões USD, claramente acima do consenso de 48,6 mil milhões USD, reforçando que a procura por infraestrutura de IA continua robusta.
  • Um guidance para o 4.º trimestre de cerca de 65 mil milhões USD (±2%), comparando com expectativas de mercado próximas de 61,7 mil milhões USD.
  • Margem bruta ajustada de ~75%, com a administração a reiterar o objetivo de manter margens na faixa mid-70% até ao exercício fiscal de 2027.

Estes números tiveram um impacto imediato no mercado:

  • As ações subiram ~5% no after-market, adicionando cerca de 220 mil milhões USD à capitalização bolsista.
  • O movimento ajudou a estabilizar os mercados globais, num mês em que o S&P 500 acumulava quedas próximas de 3%, muito influenciado pela correção do setor tecnológico.

Do ponto de vista qualitativo, o discurso do CEO Jensen Huang foi explícito ao rejeitar a narrativa de bolha, afirmando que a empresa observa uma procura estruturalmente diferente, alimentada por cloud, on-premise, robótica e aplicações físicas de IA. A gestão destacou ainda que os bookings acumulados para chips avançados atingem cerca de 500 mil milhões USD até 2026, um número central para justificar a visibilidade de receitas a médio prazo.

No entanto, os resultados também trouxeram à superfície fragilidades relevantes:

  • 61% das receitas trimestrais provêm de apenas quatro clientes, acima dos 56% no trimestre anterior, confirmando uma concentração crescente precisamente nos grandes hyperscalers.
  • A Nvidia aumentou de forma expressiva os contratos de rent-back dos seus próprios chips, com valores que ascenderam a 26 mil milhões USD, mais do dobro do trimestre anterior. Estes contratos, que se estendem até pelo menos 2031, levantam dúvidas sobre a circularidade financeira do ecossistema de IA.
  • A empresa reconheceu implicitamente que uma parte relevante do crescimento atual está ligada a capex agressivo dos clientes, num contexto em que muitos projetos de IA ainda não demonstraram rentabilidade económica direta.

Analistas sublinharam que, apesar do “earnings beat”, o mercado continua a questionar a sustentabilidade do ritmo de investimento. Para alguns, a Nvidia tornou-se tão central que os seus resultados passaram a ter um peso macro, comparável a indicadores económicos, amplificando a volatilidade sempre que surgem dúvidas sobre o ciclo.

Em síntese, os earnings reforçam a leitura de que a Nvidia não está a abrandar, mas também deixam claro que o crescimento atual vem acompanhado de:

  • Elevada dependência de poucos clientes
  • Complexidade financeira crescente
  • Exposição indireta à capacidade dos hyperscalers de transformar IA em lucros reais

É precisamente esta combinação que mantém vivo o debate entre “tipping point estrutural” e pico cíclico de investimento, mesmo após resultados tão fortes.

Amazon, Foxconn e a expansão do ecossistema físico

Amazon: cooperação em vez de substituição

A AWS anunciou a integração do NVLink Fusion nos seus chips Trainium4, reconhecendo implicitamente que:

  • A interligação Nvidia continua a ser crítica para treinar modelos de grande escala.
  • Mesmo hyperscalers com chips próprios não conseguem prescindir do stack Nvidia.

A AWS revelou ainda:

  • Novos servidores Trainium3 com 4x mais capacidade e 40% menos consumo energético.
  • O conceito de “AI Factories”, infraestruturas dedicadas dentro dos data centers dos clientes.

Esta decisão reforça a leitura de que a Nvidia não está a ser desintermediada, mas antes absorvida como camada estrutural do ecossistema.

Foxconn: capacidade industrial e monetização da escassez

Em paralelo, a Foxconn confirmou um investimento de 1,4 mil milhões USD num supercomputador em Taiwan com chips Blackwell GB300, operacional no 1.º semestre de 2026:

  • 27 MW de capacidade.
  • Primeiro data center GB300 da Ásia.
  • Capacidade atual de produzir 1.000 racks de IA por semana, com expectativa de aumento.

A mensagem é clara: a escassez de compute está a criar um mercado onde alugar capacidade pode ser mais eficiente do que possuir, favorecendo modelos de “compute-as-a-service” altamente rentáveis para quem controla o hardware.

Software e lock-in: investimento estratégico na Synopsys

A Nvidia reforçou a verticalização ao adquirir uma participação de 2 mil milhões USD na Synopsys, líder mundial em software de design industrial e de chips:

  • Objetivo: migrar workloads de CPU para GPU em simulações industriais.
  • Redução de tempos de simulação de semanas para horas.
  • Acordo não exclusivo, mas estrategicamente alinhado com o CUDA e GPUs Nvidia.

Este movimento reforça o lock-in tecnológico: quanto mais ferramentas industriais forem otimizadas para GPU Nvidia, mais difícil se torna a substituição por concorrentes como AMD ou soluções internas dos hyperscalers.

China: risco político transforma-se em opcionalidade

Um dos desenvolvimentos mais relevantes de novembro foi o sinal político de possível reabertura do mercado chinês:

  • A administração Trump está a avaliar autorizar a venda dos chips H200 à China.
  • O H200 é cerca de duas vezes mais potente do que o H20, atualmente permitido.
  • O contexto inclui uma trégua tecnológica EUA–China negociada em Busan.

Para a Nvidia, este cenário representa:

  • Um potencial upside significativo, num mercado que ficou praticamente entregue a concorrentes locais.
  • Mas também risco político elevado, com reversões possíveis a qualquer momento.

A empresa tem, entretanto, diversificado para o Médio Oriente, com autorizações para exportar o equivalente a 70.000 chips Blackwell para a Arábia Saudita e EAU.

Leitura estratégica: tipping point ou pico cíclico?

O discurso do CEO Jensen Huang é inequívoco: a Nvidia está num “tipping point”, não numa bolha. A visão assenta em três transições:

  1. Migração de software tradicional para GPU.
  2. Criação de novas categorias nativas de IA.
  3. Expansão da IA para o mundo físico (robótica, veículos, fábricas).

Os céticos contrapõem com três riscos simétricos:

  • Capex insustentável dos hyperscalers.
  • Bottlenecks físicos (energia, terrenos, rede).
  • Concorrência crescente de chips próprios (Google, Amazon, Microsoft).

A coexistência destas duas narrativas explica a elevada volatilidade e o desconforto crescente dos investidores institucionais com a concentração do mercado.

Conclusão

A Nvidia entra em 2026 numa posição de força raramente vista: procura confirmada, ecossistema fechado e influência transversal em hardware, software e infraestrutura. No entanto, essa mesma centralidade transforma-se no seu maior risco. A dependência de poucos clientes, a circularidade financeira do investimento em IA e a incerteza geopolítica em torno da China fazem com que o “AI trade” esteja cada vez menos dependente de resultados trimestrais e cada vez mais de confiança estrutural. A Nvidia continua a ser o ativo-chave da revolução da IA, mas também o principal barómetro de até onde o mercado está disposto a ir.


Visite o Disclaimer para mais informações.

Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.

(Artigo sobre a Nvidia, formato “News”, atualizado com informações até 02 de Dezembro de 2025. Categoria: Tecnologia. Classe de Ativos: Ações. Tags: Acionista, Nvidia, Semicondutores, EUA, Inteligência Artificial, Tecnologia)

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