OpenAI, News – 20 dez 25

OpenAI acelera a “corrida ao compute” e reabre o caminho para IPO, enquanto redistribui dependências entre Microsoft, Amazon e Oracle


Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a OpenAI Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise. 


Strategic Highlights – 19 novembro 2025

  • A cotação da SoftBank (11% na OpenAI) sugere uma avaliação implícita da OpenAI de cerca de 750 mil milhões USD, acima da última referência privada de 500 mil milhões USD.
  • A OpenAI assinou um acordo de 38 mil milhões USD por 7 anos com a AWS, garantindo acesso a centenas de milhares de GPUs Nvidia e capacidade prevista a entrar totalmente até final de 2026, com espaço para expansão em 2027+.
  • A reestruturação acordada com a Microsoft liberta constrangimentos de financiamento e compute: a Microsoft mantém 27% da OpenAI Group PBC e um contrato de 250 mil milhões USD em serviços Azure, mas perde o direito de primeira recusa como fornecedor de compute.
  • O projeto Stargate com Oracle inclui um campus de >1 GW no Michigan (início de construção em início de 2026), integrado numa expansão que eleva a capacidade planeada para >8 GW e investimento total para >450 mil milhões USD em 3 anos.
  • No lado da monetização “na ponta”, a PayPal passa a permitir compras dentro do ChatGPT, apoiando a tese de “agentic commerce” e impulsionando uma reação positiva do mercado (ação +10% no anúncio).

Nota de Contexto

A OpenAI está a transitar de uma organização com raízes não lucrativas para uma arquitetura mais próxima de uma empresa “clássica”, com ambição de se tornar uma plataforma sobre a qual terceiros constroem produtos e serviços. Essa trajetória exige duas coisas em paralelo: (i) escala de infraestrutura (energia, centros de dados, GPUs e cloud) para treinar e operar modelos de fronteira; e (ii) modelos de monetização que convertam uma base massiva de utilizadores em receitas recorrentes, sob pena de o “capex/opex do compute” engolir a história de crescimento.

1) A reestruturação com a Microsoft: mais liberdade, menos exclusividade (mas ainda muito entrelaçamento)

O acordo anunciado em 28 outubro 2025 redesenha a OpenAI como uma public benefit corporation (PBC) controlada por uma entidade sem fins lucrativos, criando um enquadramento mais compatível com captação de capital e, potencialmente, com uma entrada em bolsa.

O ponto estratégico aqui não é apenas jurídico: é sobretudo económico. O texto sublinha que o acordo removeu constrangimentos que vinham do modelo anterior (desde 2019) e que se tornaram friccionantes após a explosão do ChatGPT, nomeadamente a rigidez do acesso a compute e o impacto disso na capacidade de levantar capital e contratar infraestrutura.

Elementos factuais-chave com implicações diretas

  • Microsoft mantém 27% na OpenAI Group PBC.
  • A OpenAI continuará a partilhar ~20% da receita com a Microsoft “durante anos” (referido como informação de fontes).
  • Contrato de compra de serviços Azure de 250 mil milhões USD.
  • A Microsoft perde o direito de primeira recusa para ser fornecedor de compute, e deixa de ter direitos sobre eventual hardware de consumo da OpenAI.

Leitura estratégica

O equilíbrio que emerge é híbrido: a Microsoft preserva exposição económica (participação e receita) e uma relação contratual gigantesca, mas a OpenAI ganha margem para diversificar fornecedores e negociar compute como um “portefólio”, algo crítico quando a própria empresa fala em obrigações de 1,4 biliões USD para suportar ~30 GW de infraestrutura de centros de dados.

2) IPO: de hipótese a plano de engenharia financeira (e de timing)

No dia 29 outubro 2025, fontes citadas pela Reuters indicam que a OpenAI está a preparar o terreno para um IPO que poderia avaliar a empresa até ~1 bilião USD, com intenção de submeter documentação no 2.º semestre de 2026 e uma meta interna de cotação em 2027 (associada à CFO).

O “detalhe que importa” para o mercado não é só o número máximo; é a referência de financiamento: a OpenAI teria considerado levantar pelo menos 60 mil milhões USD no IPO (e “provavelmente mais”), reconhecendo que a escala do projeto exige acesso a pools de capital que o privado pode não acomodar indefinidamente.

Implicação

A empresa está a alinhar estrutura societária + narrativa de plataforma + contratos de infraestrutura para tornar plausível um IPO “de megaescala”. Isto tende a influenciar toda a cadeia: fornecedores (cloud, chips, energia), parceiros (pagamentos, retalho), e até concorrentes, porque redefine o “custo de competir” num ambiente em que o gargalo é compute/energia.

3) Compute como “matéria-prima”: AWS entra no núcleo e altera a geometria competitiva

A assinatura do acordo com a Amazon/AWS em 03 novembro 2025 (e o follow-up analítico de 04 novembro 2025) funciona como validação dupla: para a OpenAI, porque amplia a base de abastecimento de compute; para a AWS, porque recupera momentum reputacional na corrida à IA.

O que fica fixado no papel (factual)

  • Acordo de 7 anos por 38 mil milhões USD em serviços cloud.
  • Acesso a centenas de milhares de GPUs Nvidia para treinar e servir modelos.
  • Capacidade planeada “toda online” até final de 2026, com potencial de expansão em 2027 e além.
  • No enquadramento de mercado, a AWS teria visto a sua quota descer para 29% (setembro), vs 34% “alguns meses” antes do lançamento do ChatGPT em 2022, segundo a Synergy Research.
  • Um analista (BMO) estima que o acordo poderia aumentar o backlog da AWS em cerca de 20% no 4.º trimestre, partindo de 200 mil milhões USD (fim de setembro).

Leitura estratégica

Este contrato é, na prática, um “seguro de abastecimento” num mercado em que a escassez é estrutural (chips, energia, terrenos, licenças, ligações). Ao mesmo tempo, é um sinal de que a OpenAI pretende reduzir risco de concentração, e que a Microsoft, mesmo permanecendo central, deixa de ser a “porta única” do compute.

4) Oracle/Stargate: a escalada física da infraestrutura e o tema da energia

O anúncio de 30 outubro 2025 descreve um campus de centros de dados de mais de 1 GW em Saline Township, Michigan, desenvolvido com a Related Digital, com construção prevista para início de 2026.

O texto dá também a dimensão agregada: o projeto integra uma expansão Stargate (Oracle + OpenAI) que aponta para:

  • 4,5 GW de expansão Stargate (menção no texto)
  • >8 GW de capacidade planeada com sete localizações nos EUA
  • investimento total >450 mil milhões USD nos próximos 3 anos

Há ainda um ponto crítico: referências de executivos do setor de que 1 GW pode custar cerca de 50 mil milhões USD.

Leitura estratégica

A narrativa da OpenAI deixa de ser “software/IA” e torna-se “infraestrutura pesada”: o custo unitário do GW, a calendarização de construção, o acesso a energia e a capacidade de execução industrial (cadeias de fornecimento, mão de obra, licenças) passam a ser variáveis tão determinantes como o algoritmo.

5) Monetização: PayPal liga pagamentos ao ChatGPT e reforça a tese de “agentic commerce”

No dia 28 outubro 2025, a PayPal anunciou integração que permitirá a utilizadores do ChatGPT comprarem produtos usando a sua plataforma, conectando a rede global de merchants à aplicação, num contexto em que o ChatGPT é descrito com >800 milhões de utilizadores semanais.

Dados duros reportados

  • Ação da PayPal subiu 10% no anúncio.
  • Guidance de EPS ajustado 2025 elevada para 5,35–5,39 USD (vs 5,15–5,30 USD), com estimativa de consenso em 5,24 USD.
  • Primeiro dividendo trimestral: 0,14 USD/ação (payout-alvo 10% do lucro ajustado).
  • 3.º trimestre: TPV +7% (FX-neutral) para 458,1 mil milhões USD, receita +6% (currency-neutral) para 8,4 mil milhões USD, EPS ajustado 1,34 USD (vs 1,20 USD).

Leitura estratégica

Se a “corrida ao compute” é o lado do custo, este é um passo explícito no lado da receita: transformar a interface conversacional em canal transacional. A referência a “agentic commerce” sugere que o mercado está a precificar a hipótese de a IA passar de recomendação para execução (pesquisar, comparar, comprar), com impacto direto em pagamentos e marketing/retalho.

6) Valuações e o “termómetro” SoftBank: 500 mil milhões vs 750 mil milhões (e o que isso sinaliza)

A coluna Breakingviews de 19 novembro 2025 usa a SoftBank como “proxy” de mercado para inferir avaliação da OpenAI. O racional reportado:

  • SoftBank tem 11% da OpenAI e investiu 10,8 mil milhões USD, com promessa de mais 22,5 mil milhões USD.
  • A SoftBank investiu inicialmente a uma avaliação de 300 mil milhões USD (abril) e comprou ações a 500 mil milhões USD mais recentemente (referido no texto).
  • O exercício conclui que o preço da SoftBank implicaria uma avaliação da OpenAI de cerca de 756 mil milhões USD (≈ 750 mil milhões USD), acima da referência de 500 mil milhões USD.

Leitura estratégica

Mesmo sendo um cálculo dependente de premissas (desconto de holding, NAV, etc.), a mensagem é clara: o mercado público, via SoftBank, está a atribuir um prémio significativo à OpenAI, o que, por sua vez, alimenta a viabilidade de um IPO de grande escala e ajuda a sustentar compromissos colossais de infraestrutura.

Conclusão

Entre 28 outubro e 19 novembro 2025, a OpenAI aparece a executar um reposicionamento completo: (i) arquitetura societária e contrato com a Microsoft para desbloquear capital e reduzir exclusividade; (ii) diversificação de compute via AWS, ao mesmo tempo que mantém mega-compromissos com Azure; (iii) infraestrutura física com Oracle/Stargate a escalar em GW e centenas de milhares de chips; e (iv) monetização através de parcerias que aproximam o ChatGPT de transação real (PayPal).

O fio condutor é simples: a OpenAI está a transformar-se numa empresa cujo “produto” depende de uma cadeia industrial de energia e compute, e cuja avaliação (já a caminho de centenas de mil milhões USD, com proxies a apontarem para ~750 mil milhões USD) pressupõe que conseguirá converter escala de utilizadores e parcerias em receitas suficientes para financiar, ou justificar financiar via mercados, uma ambição de infraestrutura sem precedentes.


Visite o Disclaimer para mais informações.

Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.

(Artigo sobre a OpenAI, formato “News”, atualizado com informações até 19 de Novembro de 2025. Categoria: Tecnologia. Classe de Ativos: N/A Tags: Acionista, EUA, Software, Inteligência Artificial, OpenAi)

Avatar photo
About The Investment - Team 3145 Articles
A The Investment Team é a equipa editorial responsável pela coordenação e publicação dos conteúdos do The Investment. Saiba mais em theinvestment.pt/the-investment-team/