Reino Unido, Politica Monetaria – 06 Jan 26

Bank of England: divisão interna prolonga cautela, enquanto dados abrem caminho a cortes graduais em 2026


Aqui pode acompanhar os últimos desenvolvimentos relacionadas com a Política Monetária do Reino Unido (BOE). Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta economia e mundo com as políticas, consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.    


Strategic Highlights – 08 Dezembro 2025

  • Banco de Inglaterra mantém Bank Rate em 4,0%, mas com votações sistematicamente renhidas (5–4) no MPC.
  • Inflação e salários dão sinais consistentes de abrandamento, reforçando expectativas de cortes a partir de dezembro de 2025 / início de 2026.
  • Mercado de trabalho deteriora-se, com desemprego em 5,0% e quebras consecutivas no emprego.
  • Divisão estratégica no MPC: ala cautelosa teme persistência inflacionista, enquanto ala dovish questiona se a política é verdadeiramente restritiva.
  • Estabilidade financeira ganha peso, com ajustes prudenciais nos requisitos de capital e atenção acrescida à liquidez e ao balanço.

Nota de Contexto

O Bank of England (BoE) é o banco central do Reino Unido, responsável pela política monetária, estabilidade financeira e supervisão prudencial. Após um ciclo agressivo de aperto monetário para conter a inflação pós‑pandemia, o BoE iniciou cortes graduais em 2024, mas enfrenta agora um contexto mais complexo: inflação ainda acima da meta, crescimento fraco, deterioração do mercado de trabalho e forte sensibilidade política em torno do orçamento do governo.

Política monetária: pausa tensa num ciclo ainda incompleto

Ao longo de outubro e novembro, o BoE optou por manter a taxa diretora em 4,0%, interrompendo o ritmo trimestral de cortes iniciado em 2024. Esta decisão tem sido tudo menos consensual. As votações do Monetary Policy Committee repetidamente dividiram‑se 5–4, sublinhando a ausência de uma âncora clara sobre o nível terminal das taxas.

O governador Andrew Bailey tem assumido um papel central como voto decisivo, reconhecendo progressos no processo desinflacionista, mas insistindo na necessidade de “mais evidência” antes de avançar. A alteração recente da orientação futura, abandonando linguagem rígida em favor de uma dependência explícita dos dados, reflete esta incerteza estrutural.

Inflação e salários: progresso visível, mas ainda incompleto

Os dados recentes oferecem algum conforto à ala mais dovish. A inflação manteve‑se em 3,8% durante vários meses, abaixo das expectativas de subida, e os indicadores subjacentes começaram a ceder. Em particular:

  • Crescimento salarial regular abrandou para 4,6% e 4,2% no setor privado.
  • Membros como Megan Greene e Alan Taylor reconheceram que os números salariais vieram abaixo do esperado.

Ainda assim, persistem receios quanto a acordos salariais futuros, com inquéritos a empresas a apontarem para aumentos de cerca de 3,5%, um nível considerado elevado face a uma inflação‑alvo de 2%. Para a ala mais cautelosa, este fator justifica manter uma política restritiva por mais tempo.

Mercado de trabalho: principal catalisador para cortes

O enfraquecimento do mercado laboral tornou‑se o argumento mais sólido a favor de uma flexibilização monetária. O desemprego subiu para 5,0%, o valor mais alto desde 2021, enquanto os dados administrativos revelaram quedas consecutivas no emprego em setembro e outubro.

Este quadro reforçou as apostas do mercado em cortes de taxas, com futuros a precificarem cerca de 65–85% de probabilidade de um corte em dezembro e expectativas de até 65 pontos base de descidas acumuladas até ao final de 2026.

Expectativas de mercado e dimensão política

A proximidade do Orçamento de 26 novembro introduziu uma camada adicional de cautela. Vários analistas consideraram politicamente sensível um corte imediato antes da apresentação do plano fiscal, preferindo um adiamento para dezembro ou início de 2026.

Os mercados reagiram de forma contida às decisões recentes, mas:

  • A libra manteve‑se sob pressão.
  • As yields dos gilts recuaram, refletindo confiança num ciclo de cortes adiante.

Colunistas e estrategas destacaram que o BoE procura evitar a perceção de facilitar o enquadramento político do governo, optando por uma abordagem de “alegria adiada”.

Estabilidade financeira e regulação: margem para apoiar o crescimento

Paralelamente à política monetária, o BoE introduziu ajustamentos prudenciais relevantes. Em dezembro, reduziu a referência para os requisitos de capital Tier 1 de 14% para 13%, argumentando que o sistema bancário evoluiu e permanece resiliente.

Bailey sublinhou que a prioridade continua a ser a estabilidade financeira, mas incentivou explicitamente os bancos a usar a folga de capital para aumentar o crédito à economia real. Em contraste, o banco rejeitou pressões para aliviar de forma significativa as regras de alavancagem, alertando para riscos sistémicos caso a prudência fosse sacrificada em nome do crescimento.

Conclusão

O Bank of England encontra‑se numa fase de transição delicada. Os dados macroeconómicos, em particular salários e emprego, apontam para um abrandamento suficientemente claro para justificar cortes adicionais das taxas. Contudo, a divisão interna no MPC, a sensibilidade política do calendário e os receios de persistência inflacionista impõem uma abordagem cautelosa.

O cenário base que emerge deste conjunto de informação é o de cortes graduais a partir de dezembro de 2025 ou início de 2026, num ritmo dependente dos dados e sem compromisso com um nível terminal claro. Para os mercados, a mensagem é inequívoca: o ciclo de descidas está em preparação, mas será mais lento, mais debatido e mais condicional do que em episódios anteriores.


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Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.

(Artigo sobre a Política Monetária do BOE, formato “Geral”, atualizado com informações até 08 de Dezembro de 2025. Categorias: Bancos Centrais. Tags: Política Monetária, BoE, Banco Central, Reino Unido, Taxa de Juro)

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