Mercados globais encerram semana em alta impulsionados pelos resultados empresariais e pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial
Aqui pode acompanhar o resumo da semana, que destaca os eventos mais relevantes nos mercados, na economia e na geopolítica. Este resumo oferece uma visão consolidada dos principais acontecimentos, ajudando a contextualizar tendências e a identificar os fatores que marcaram a agenda global nos últimos dias.
Estados Unidos
Os principais índices bolsistas norte-americanos terminaram a semana de agosto de 2026 em alta, com vários deles a atingirem novos máximos históricos. O sentimento positivo dos investidores foi sustentado por uma combinação de resultados empresariais acima das expectativas, um renovado interesse pelas empresas ligadas à inteligência artificial (IA) e o otimismo em torno de uma possível reabertura do Estreito de Ormuz, um dos corredores marítimos mais importantes para o transporte mundial de petróleo.
Apesar do desempenho positivo dos mercados, os dados do mercado de trabalho revelaram sinais de abrandamento. Segundo o Bureau of Labor Statistics (BLS), a economia norte-americana perdeu 23 mil postos de trabalho em julho de 2026, contrariando as previsões dos analistas, que apontavam para a criação de cerca de 80 mil empregos. Este foi o pior registo desde fevereiro de 2026.
Os números dos meses anteriores também foram revistos em baixa. A criação de emprego em junho foi reduzida de 57 mil para 20 mil postos de trabalho, enquanto os dados de maio passaram de 129 mil para 63 mil. Julho representou, assim, o quarto mês consecutivo de enfraquecimento do mercado laboral. Apesar desta evolução, a taxa de desemprego desceu inesperadamente para 4,1%, acompanhada por uma ligeira redução da taxa de participação da população ativa, sugerindo que menos pessoas procuraram emprego durante o período.
A divulgação destes dados alterou significativamente as expectativas dos mercados relativamente à política monetária da Reserva Federal (Fed). Após a publicação do relatório do emprego, a probabilidade implícita de uma subida das taxas de juro na reunião de setembro de 2026 diminuiu para cerca de 42%, quando antes da divulgação rondava os 55%.
Entretanto, os indicadores da atividade económica continuaram a demonstrar alguma resiliência. O índice ISM Manufacturing PMI aumentou para 55,6 pontos em julho, face aos 53,3 pontos registados em junho, alcançando o nível mais elevado desde maio de 2022 e superando as expectativas do mercado. Já o ISM Services PMI permaneceu praticamente estável nos 54,1 pontos, confirmando que o setor dos serviços continua a expandir-se, embora a um ritmo ligeiramente inferior ao esperado pelos analistas.
Europa e Rússia
Europa
Os principais mercados acionistas europeus encerraram igualmente a semana em terreno positivo, beneficiando da melhoria do sentimento dos investidores e da divulgação de resultados empresariais considerados sólidos. Durante os primeiros dias da semana, a expectativa de um acordo que permitisse reabrir o Estreito de Ormuz contribuiu para a descida dos preços do petróleo, favorecendo sobretudo os setores mais sensíveis ao ciclo económico. Contudo, o regresso da incerteza relativamente às condições de navegação naquela região voltou a impulsionar os preços da energia nas últimas sessões da semana.
No plano económico, o setor dos serviços da zona euro apresentou sinais de recuperação. O índice PMI dos serviços subiu para 51,7 pontos em julho de 2026, depois dos 49,4 pontos registados em junho, atingindo o valor mais elevado dos últimos cinco meses e regressando a território de expansão.
Reino Unido
A economia britânica apresentou igualmente sinais de recuperação durante julho de 2026. O índice PMI dos serviços subiu para 52,1 pontos, depois dos 48,8 pontos observados em junho, regressando ao crescimento após dois meses consecutivos em contração. Também o setor industrial registou uma evolução favorável, com o PMI da indústria transformadora a aumentar para 52,8 pontos, ligeiramente acima dos 52,5 pontos do mês anterior.
A recuperação foi sustentada por uma melhoria da procura e pela diminuição das pressões sobre os custos das matérias-primas. Ainda assim, as empresas continuam a manifestar preocupação com a evolução futura dos preços da energia e com as perspetivas económicas, enquanto o emprego no setor dos serviços permanece relativamente fraco.
Ásia e Médio Oriente
Japão
O mercado acionista japonês terminou a semana em alta, numa altura em que os investidores continuaram a avaliar os efeitos das recentes intervenções do Governo no mercado cambial para apoiar o iene. Ao mesmo tempo, manteve-se a especulação em torno do calendário para a próxima subida das taxas de juro por parte do Banco do Japão (BoJ), numa fase em que a autoridade monetária continua a acompanhar atentamente a evolução da inflação e da economia.
Entretanto, o Governo japonês aprovou oficialmente o plano de redução temporária do imposto sobre o consumo, uma das principais promessas eleitorais da Primeira-Ministra Sanae Takaichi.
A medida prevê que o imposto aplicado aos produtos alimentares seja reduzido de 8% para 1%, durante um período de dois anos, com início em abril de 2027. Paralelamente, será criado um programa de apoios financeiros destinado a compensar integralmente o imposto pago pelas famílias na compra de alimentos.
Apesar do objetivo de aliviar o impacto do aumento do custo de vida, o plano levantou dúvidas entre economistas e investidores relativamente ao seu financiamento, tendo em conta o elevado nível de endividamento das finanças públicas japonesas.
Os dados económicos sugerem ainda que o aumento gradual dos rendimentos das famílias ainda não se traduziu num crescimento significativo do consumo privado, um fator considerado essencial para consolidar a recuperação económica do país.
China
Os mercados acionistas chineses apresentaram desempenhos divergentes durante a semana. Enquanto os principais índices da China continental conseguiram manter uma evolução positiva, impulsionados pelas empresas tecnológicas e pelos fabricantes de semicondutores, a bolsa de Hong Kong foi penalizada pelas quedas do setor financeiro. A pressão sobre as instituições financeiras surgiu depois de as autoridades fiscais chinesas anunciarem a aplicação de impostos sobre determinadas apólices de seguros contratadas no estrangeiro.
No plano económico, a atividade industrial continuou a crescer, embora a um ritmo mais moderado. O índice Manufacturing PMI recuou para 50,9 pontos em julho de 2026, face aos 51,7 pontos registados em junho, atingindo o valor mais baixo dos últimos quatro meses. Ainda assim, o indicador permaneceu acima dos 50 pontos, sinalizando que a indústria continua em expansão.
A forte procura internacional por equipamentos relacionados com a inteligência artificial, semicondutores e outros produtos tecnológicos de elevado valor acrescentado continuou a desempenhar um papel decisivo no crescimento das exportações chinesas, reforçando a importância do setor tecnológico na atual estratégia económica do país.
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Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.
(Artigo sobre a Resumo da Semana de 03 a 07 de Agosto de 2026, formato “Geral”, atualizado com informações até 07 de Agosto de 2026. Categoria: Global. Classe de Ativos: N/A. Tags: Global, Resumo da Semana)