Mercados globais terminam semana divididos entre o abrandamento da inflação e as tensões geopolíticas
Aqui pode acompanhar o resumo da semana, que destaca os eventos mais relevantes nos mercados, na economia e na geopolítica. Este resumo oferece uma visão consolidada dos principais acontecimentos, ajudando a contextualizar tendências e a identificar os fatores que marcaram a agenda global nos últimos dias.
Estados Unidos
Os principais índices bolsistas norte-americanos encerraram a semana de agosto de 2026 com desempenhos mistos, numa altura em que os investidores equilibraram sinais encorajadores sobre a inflação e os resultados do setor da inteligência artificial (IA) com a persistente instabilidade geopolítica no Médio Oriente.
A valorização de várias empresas ligadas à IA ajudou a sustentar o sentimento positivo nos mercados. No entanto, a subida dos preços do petróleo, a incerteza em torno do Estreito de Ormuz e alguns indicadores económicos menos favoráveis limitaram os ganhos dos principais índices.
Os dados divulgados pelo Bureau of Labor Statistics (BLS) mostraram que a inflação continuou a desacelerar em julho de 2026. O Índice de Preços no Consumidor (CPI) aumentou 0,1% em termos mensais e 3,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior, em linha com as expectativas do mercado.
A inflação subjacente, que exclui os preços mais voláteis dos alimentos e da energia, registou uma subida de 0,2% no mês e de 2,5% em termos homólogos, também em linha com as previsões. Foi o segundo mês consecutivo em que tanto a inflação global como a inflação subjacente apresentaram uma desaceleração anual, reforçando a perceção de que as pressões sobre os preços continuam a diminuir gradualmente.
Os dados relativos aos preços no produtor vieram reforçar esta tendência. Em julho de 2026, a inflação subjacente no produtor aumentou 0,2%, abaixo dos 0,3% esperados pelos analistas e inferior ao valor revisto de junho. Em termos anuais, os preços no produtor cresceram 4,7%, desacelerando face aos 5,5% registados no mês anterior.
Apesar destes indicadores favoráveis, os responsáveis da Reserva Federal (Fed) continuaram a alertar para os riscos de inflação, sugerindo que a evolução dos preços continuará a ser determinante para futuras decisões de política monetária.
Entretanto, o consumo das famílias revelou alguns sinais de fragilidade. As vendas a retalho diminuíram 0,6% em julho de 2026 face ao mês anterior, contrariando as expectativas de crescimento e registando a maior queda mensal desde maio de 2025, sinalizando um possível abrandamento da procura interna.
Europa e Rússia
Europa
As principais bolsas europeias encerraram a semana sem uma direção definida, refletindo o equilíbrio entre indicadores económicos resilientes e um contexto internacional marcado por elevados níveis de incerteza.
Os investidores continuaram atentos ao conflito entre os Estados Unidos e o Irão e aos riscos associados ao transporte de petróleo através do Estreito de Ormuz, fatores que continuam a influenciar as perspetivas para a inflação e para a política monetária.
Ao mesmo tempo, os resultados empresariais divulgados durante agosto de 2026 mantiveram-se, na generalidade, sólidos, contribuindo para limitar as perdas dos mercados.
Um dos indicadores mais positivos da semana foi o índice de confiança dos investidores Sentix, que regressou a valores positivos em agosto de 2026, registando a quarta melhoria mensal consecutiva. Este desempenho sugere que a economia da Zona Euro continua a demonstrar capacidade de resistência, apesar da subida dos custos energéticos e da persistência das tensões geopolíticas.
Reino Unido
No Reino Unido, a atenção dos investidores voltou a centrar-se nas perspetivas para a política monetária do Banco de Inglaterra.
O economista-chefe da instituição, Huw Pill, afirmou que os dados mais fortes do que o esperado sobre o crescimento económico reforçam a necessidade de manter uma política monetária restritiva durante mais algum tempo, de forma a assegurar o regresso da inflação ao objetivo de 2%.
Estas declarações contribuíram para a subida das taxas de rendibilidade da dívida pública britânica. Durante a semana, a yield das obrigações do Tesouro britânico a dez anos ultrapassou os 5%, refletindo as expectativas de que as taxas de juro possam permanecer elevadas durante um período mais prolongado.
Os investidores continuam igualmente a acompanhar o impacto da política orçamental e a possibilidade de futuras alterações fiscais sobre a economia britânica.
Ásia e Médio Oriente
Japão
O mercado acionista japonês registou uma semana de fortes ganhos, impulsionado sobretudo pelas empresas tecnológicas e pelos fabricantes de memória, que beneficiaram da procura crescente por soluções relacionadas com inteligência artificial.
As empresas exportadoras também foram favorecidas pela desvalorização do iene, que melhora a competitividade dos produtos japoneses nos mercados internacionais, apesar das recentes intervenções das autoridades cambiais.
O setor financeiro destacou-se igualmente pela positiva, depois de surgirem notícias de que o Banco do Japão (BoJ) poderá estar próximo de voltar a aumentar as taxas de juro.
Segundo informações divulgadas pela Bloomberg durante agosto de 2026, o Governo japonês considera que a fraqueza da moeda está a alimentar as pressões inflacionistas e a aumentar o custo de vida das famílias. Ainda assim, reafirmou que cabe ao Banco do Japão decidir de forma independente o rumo da política monetária, desde que continue a trabalhar em conjunto com o Governo para garantir uma inflação sustentável em torno dos 2%.
O resumo da reunião de política monetária realizada em julho de 2026 mostrou que vários membros do banco central consideram existir margem para novos aumentos das taxas de juro, sendo que alguns responsáveis alertaram mesmo para o risco de a inflação permanecer acima do esperado durante mais tempo.
No plano económico, o índice de preços no produtor aumentou 7,2% em julho de 2026, um valor ligeiramente inferior ao registado no mês anterior e abaixo das previsões do mercado. Apesar desta moderação, os custos de produção continuam próximos dos níveis mais elevados dos últimos três anos.
China
Os mercados acionistas chineses atravessaram uma semana marcada por elevada volatilidade e terminaram em baixa, num contexto em que os investidores avaliaram novos sinais de abrandamento da inflação.
Em julho de 2026, a inflação no consumidor desacelerou para 0,5% em termos anuais, depois de ter atingido 1,0% em junho, registando o valor mais baixo dos últimos seis meses.
Segundo o Gabinete Nacional de Estatísticas da China, esta evolução ficou a dever-se sobretudo ao abrandamento dos preços dos combustíveis, à medida que o impacto inicial da subida do petróleo provocada pelo conflito entre os Estados Unidos e o Irão começou a dissipar-se. Os preços dos produtos alimentares também registaram uma evolução mais moderada.
A inflação subjacente recuou igualmente para 0,9%, indicando que a procura interna continua relativamente contida.
Ao mesmo tempo, os preços no produtor cresceram 3,5% em termos homólogos, desacelerando face aos 4,1% registados em junho. Foi a primeira moderação deste indicador desde março de 2026, quando a inflação no produtor regressou a terreno positivo após mais de três anos consecutivos de deflação.
No setor imobiliário, as autoridades chinesas anunciaram novas medidas de apoio ao mercado da habitação. Durante agosto de 2026, Pequim flexibilizou as regras de compra de imóveis para cidadãos não residentes, dando continuidade aos esforços desenvolvidos por várias grandes cidades para travar a prolongada crise que afeta o setor imobiliário e estimular a recuperação da atividade económica.
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Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.
(Artigo sobre a Resumo da Semana de 10 a 14 de Agosto de 2026, formato “Geral”, atualizado com informações até 14 de Agosto de 2026. Categoria: Global. Classe de Ativos: N/A. Tags: Global, Resumo da Semana)