Mercados Globais: Tensões geopolíticas, petróleo e inteligência artificial marcam a semana
Aqui pode acompanhar o resumo da semana, que destaca os eventos mais relevantes nos mercados, na economia e na geopolítica. Este resumo oferece uma visão consolidada dos principais acontecimentos, ajudando a contextualizar tendências e a identificar os fatores que marcaram a agenda global nos últimos dias.
Estados Unidos
Mercados terminam semana volátil com foco na Reserva Federal, IA e indicadores económicos
Os principais índices bolsistas norte-americanos encerraram a semana sem uma direção comum, num período marcado por elevada volatilidade. Os investidores acompanharam de perto a reunião da Reserva Federal, a evolução do conflito entre os Estados Unidos e o Irão e as fortes oscilações nas ações ligadas à Inteligência Artificial (IA).
No início da semana, o setor tecnológico voltou a estar sob pressão, uma vez que aumentaram as dúvidas sobre a sustentabilidade dos elevados investimentos em Inteligência Artificial. Os investidores questionaram se os atuais níveis de investimento, os elevados custos de financiamento e o aumento da concorrência serão suficientes para justificar as avaliações muito elevadas de muitas empresas do setor.
Contudo, o sentimento melhorou significativamente na quinta-feira, depois de a Microsoft apresentar resultados acima do esperado, impulsionados pelo forte crescimento da plataforma de cloud Azure. A empresa divulgou também previsões otimistas para os próximos trimestres, contribuindo para uma recuperação generalizada das ações tecnológicas, embora a volatilidade tenha permanecido elevada até ao final da semana.
Reserva Federal mantém taxas de juro
Na reunião de quarta-feira, a Reserva Federal decidiu manter a taxa de juro de referência entre 3,50% e 3,75%, conforme esperado pelos mercados.
Apesar da decisão de manter as taxas inalteradas, três membros do comité votaram a favor de um aumento dos juros, demonstrando que existe uma crescente preocupação dentro do banco central relativamente à persistência da inflação acima da meta de 2%.
O presidente da Reserva Federal, Kevin Warsh, evitou fornecer indicações concretas sobre quando poderá ocorrer uma alteração da política monetária, deixando os investidores sem uma orientação clara. Esta falta de sinais contribuiu para uma reação volátil dos mercados após a reunião.
Inflação abranda, mas continua acima da meta
Os dados divulgados pelo Bureau of Economic Analysis (BEA) mostraram que o índice de preços PCE Core, a medida de inflação preferida da Reserva Federal por excluir os preços mais voláteis da alimentação e da energia — aumentou apenas 0,1% em junho, abaixo dos 0,2% esperados.
Em termos anuais, a inflação subjacente desacelerou ligeiramente para 3,3%, face aos 3,4% registados em maio.
Já a inflação global (Headline PCE) caiu 0,1% em termos mensais, mas manteve-se elevada nos 3,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Ao mesmo tempo, os consumidores continuaram a gastar, com as despesas pessoais a crescerem 0,3%, enquanto o rendimento pessoal aumentou apenas 0,2%, abaixo das expectativas.
Crescimento económico desacelera
O PIB norte-americano cresceu a um ritmo anualizado de 1,5% no segundo trimestre, abaixo dos 2,1% esperados pelo mercado e dos 2,1% registados no primeiro trimestre.
O abrandamento ficou a dever-se sobretudo à redução da despesa pública, ao menor crescimento do investimento empresarial e das exportações. Em sentido contrário, o consumo privado continuou relativamente sólido, ajudando a limitar uma desaceleração mais acentuada da economia.
Europa e Rússia
Europa
Bolsas europeias encerram semana em alta
Os principais índices europeus terminaram a semana com ganhos, apoiados por uma época de resultados empresariais superior ao esperado e pela recuperação das ações ligadas à Inteligência Artificial durante a segunda metade da semana.
Economia da Zona Euro surpreende pela positiva
O Produto Interno Bruto da Zona Euro cresceu 0,4% no segundo trimestre, superando claramente as expectativas do mercado, que apontavam para uma expansão de apenas 0,2%.
O crescimento foi impulsionado pelos elevados investimentos em Inteligência Artificial e pelo aumento da despesa pública, fatores que compensaram parcialmente o impacto negativo do conflito no Médio Oriente e da subida dos preços da energia.
Entre as principais economias da região, Espanha destacou-se com o melhor desempenho, registando um crescimento trimestral de 0,7%.
Inflação volta a acelerar ligeiramente
A inflação anual da Zona Euro aumentou para 2,9% em julho, em linha com as previsões dos analistas e acima dos 2,8% observados em junho.
A inflação dos serviços acelerou para 3,3%, enquanto os preços dos bens industriais excluindo energia passaram de 0,7% para 0,9%, sinalizando que as pressões inflacionistas continuam presentes em vários setores da economia.
Reino Unido
O Banco de Inglaterra decidiu manter a taxa de juro diretora nos 3,75%, sem alterações.
No entanto, os responsáveis pela política monetária alertaram que um eventual agravamento do conflito no Médio Oriente poderá manter os preços da energia elevados durante mais tempo, dificultando o regresso da inflação ao objetivo de 2%.
Ásia e Médio Oriente
Japão
Bolsas recuam após terramoto e decisão do Banco do Japão
O mercado acionista japonês terminou a semana em baixa, influenciado pela incerteza gerada pelo forte terramoto que atingiu a província de Kumamoto, na ilha de Kyushu.
O sismo, o mais intenso desde o terramoto de Noto em janeiro de 2024, provocou algumas interrupções nas cadeias de abastecimento, aumentando as preocupações quanto ao impacto económico.
Banco do Japão mantém política, mas sinaliza novas subidas
O Banco do Japão manteve a taxa diretora em 1%, depois de a ter aumentado em junho para o nível mais elevado desde 1995.
Embora apenas um dos nove membros do comité tenha defendido uma nova subida para 1,25%, o banco central voltou a afirmar que continuará a aumentar gradualmente as taxas de juro caso a economia e a inflação evoluam conforme previsto.
Segundo o BoJ, a inflação subjacente aproxima-se cada vez mais do objetivo de 2%, justificando uma redução gradual dos estímulos monetários.
Forte valorização do iene levanta suspeitas de intervenção
Na quinta-feira, o iene registou a sua maior valorização intradiária face ao dólar desde dezembro de 2023, passando rapidamente da zona dos 163 ienes por dólar para abaixo dos 160 ienes.
Apesar de parte deste movimento ter sido posteriormente corrigido, muitos investidores acreditam que as autoridades japonesas terão intervindo no mercado cambial através da compra de ienes e venda de dólares.
O Governo japonês tem reiterado que está preparado para atuar sempre que considere existirem movimentos excessivos na moeda.
China
Mercados apresentam desempenhos divergentes
Os mercados chineses registaram comportamentos distintos ao longo da semana.
As bolsas da China continental foram penalizadas pela venda generalizada de ações ligadas à Inteligência Artificial, enquanto Hong Kong beneficiou da valorização das grandes empresas tecnológicas e das plataformas de internet.
A empresa de semicondutores CXMT destacou-se inicialmente com fortes ganhos após a sua estreia em bolsa, mas acabou também por acompanhar a tendência negativa do setor tecnológico.
Governo reforça apoio à economia
O Politburo chinês reafirmou o compromisso de implementar uma política orçamental mais expansionista e manter uma política monetária acomodatícia.
As autoridades anunciaram igualmente que pretendem acelerar a execução da despesa pública, utilizar mais rapidamente os fundos provenientes da emissão de dívida pública e implementar novas medidas sempre que necessário para estimular a procura interna e apoiar o crescimento económico.
O objetivo continua a ser compensar a fraqueza do setor imobiliário e sustentar a recuperação da segunda maior economia mundial.
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Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.
(Artigo sobre a Resumo da Semana de 27 de Julho a 31 de Julho de 2026, formato “Geral”, atualizado com informações até 31 de Julho de 2026. Categoria: Global. Classe de Ativos: N/A. Tags: Global, Resumo da Semana)