Resumo Económico da Semana de 20 a 24 Julho 2026
Aqui pode acompanhar o resumo da semana, que destaca os eventos mais relevantes nos mercados, na economia e na geopolítica. Este resumo oferece uma visão consolidada dos principais acontecimentos, ajudando a contextualizar tendências e a identificar os fatores que marcaram a agenda global nos últimos dias.
Estados Unidos
Os principais índices bolsistas norte-americanos encerraram esta semana de julho de 2026 maioritariamente em baixa, num contexto marcado pelo aumento da aversão ao risco. Os investidores mostraram-se mais cautelosos perante as dúvidas sobre a rentabilidade dos elevados investimentos em inteligência artificial (IA), enquanto a forte subida dos preços do petróleo voltou a alimentar receios de novas pressões inflacionistas.
A instabilidade geopolítica permaneceu igualmente no centro das atenções. O agravamento do conflito no Médio Oriente e os sinais de que as negociações para um cessar-fogo estagnaram impulsionaram os preços da energia, beneficiando as empresas do setor petrolífero, mas penalizando companhias ligadas às viagens, ao consumo e a outros setores mais sensíveis ao aumento dos custos energéticos.
Os indicadores económicos continuaram, contudo, a apontar para uma economia resiliente. O índice PMI dos serviços aumentou para 53,6 pontos em julho de 2026, superando as expectativas do mercado e melhorando face aos 51,2 pontos registados no mês anterior. Em contrapartida, o PMI da indústria transformadora recuou ligeiramente para 53,8 pontos, o valor mais baixo dos últimos quatro meses.
O relatório mostrou ainda uma recuperação do mercado laboral, com o emprego a crescer pela primeira vez em três meses, enquanto as expectativas das empresas atingiram o nível mais elevado dos últimos oito meses.
Apesar destes sinais positivos, o inquérito revelou um aumento das pressões sobre os custos das empresas. Os atrasos nas cadeias de abastecimento atingiram o pior nível em quase quatro anos, refletindo as perturbações provocadas pelo conflito no Médio Oriente. Ao mesmo tempo, os custos dos fatores de produção registaram o crescimento mais elevado dos últimos 14 meses, levando muitas empresas a aumentar os preços cobrados aos clientes.
Europa e Rússia
Europa
Os principais índices europeus terminaram a semana com desempenhos mistos, refletindo um equilíbrio entre resultados empresariais sólidos e um contexto internacional cada vez mais desafiante.
Os investidores acompanharam a divulgação dos resultados trimestrais de várias empresas, mas mantiveram a atenção voltada para o agravamento das tensões no Médio Oriente, para a subida acentuada do preço do petróleo e para o anúncio de uma nova ronda de tarifas comerciais por parte da Administração Trump sobre dezenas de parceiros comerciais, incluindo a União Europeia e o Reino Unido.
No plano da política monetária, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu, na reunião de julho de 2026, manter inalteradas as suas três principais taxas de juro. A decisão foi tomada por unanimidade.
Durante a conferência de imprensa, a presidente do BCE, Christine Lagarde, alertou que o colapso do cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão provocou desenvolvimentos significativos nos mercados das matérias-primas, sobretudo da energia. Segundo Lagarde, o banco central continuará a acompanhar atentamente a evolução da situação para avaliar o impacto da subida dos preços energéticos sobre a inflação da Zona Euro.
As declarações foram interpretadas pelos mercados como um sinal de que permanece em aberto a possibilidade de uma nova subida das taxas de juro na reunião de setembro de 2026, caso as pressões inflacionistas se intensifiquem.
Entretanto, a atividade económica voltou a dar sinais de melhoria. O índice PMI dos serviços da Zona Euro regressou a território de expansão em julho de 2026, ao subir para 51,6 pontos, após os 49,4 pontos registados em junho, superando também as previsões dos analistas.
Reino Unido
No Reino Unido, a semana ficou marcada pela tomada de posse de Andy Burnham como Primeiro-Ministro, tornando-se o sétimo chefe de Governo britânico desde 2016.
Entre as primeiras medidas anunciadas destacam-se a intenção de reduzir os encargos das famílias com a energia, através de cortes nas faturas, financiados pelo fim do programa nacional de identificação digital. Burnham defendeu igualmente um reforço da descentralização administrativa e surpreendeu os mercados ao nomear o antigo secretário da Defesa, John Healey, para o cargo de Ministro das Finanças.
No plano económico, os indicadores revelaram uma recuperação da atividade no setor dos serviços. O índice PMI subiu para 51,8 pontos em julho de 2026, recuperando dos 48,8 pontos observados em junho e ultrapassando as expectativas do mercado.
Também o consumo apresentou sinais positivos. Segundo o Office for National Statistics, as vendas a retalho aumentaram 1% em junho de 2026, contrariando as previsões que apontavam para uma queda de 0,3%, indicando uma procura dos consumidores mais robusta do que o esperado.
Ásia e Médio Oriente
Japão
A bolsa japonesa encerrou a semana em alta, embora a volatilidade tenha permanecido elevada. As empresas ligadas aos semicondutores e à inteligência artificial registaram oscilações significativas, refletindo o equilíbrio entre o entusiasmo dos investidores com o potencial destas tecnologias e as dúvidas quanto ao retorno financeiro dos elevados investimentos realizados pelo setor.
O setor financeiro destacou-se pela positiva, beneficiando da subida das rendibilidades das obrigações do Estado japonês e das expectativas de que o Banco do Japão (BoJ) continue a normalizar a sua política monetária nos próximos meses.
Apesar disso, os ganhos foram limitados pelo agravamento do conflito no Médio Oriente, pela subida do preço do petróleo e pelas novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos, fatores que reduziram o apetite pelo risco nos mercados internacionais.
Em termos macroeconómicos, a inflação subjacente acelerou ligeiramente. O índice nacional de preços no consumidor, excluindo os alimentos frescos, aumentou 1,6% em junho de 2026, acima dos 1,4% registados em maio, representando a primeira aceleração desde março.
Embora a inflação permaneça abaixo da meta de 2% do Banco do Japão pelo quinto mês consecutivo, em grande parte devido aos subsídios governamentais à energia, alguns responsáveis da instituição admitiram que poderão acelerar o ritmo de subida das taxas de juro caso os riscos de inflação se agravem, contribuindo para uma nova subida das rendibilidades das obrigações japonesas.
China
As bolsas chinesas registaram ganhos durante a semana de julho de 2026, contrariando parte da tendência negativa observada nos restantes mercados asiáticos.
Apesar da correção registada na sessão de sexta-feira, motivada pelas preocupações com as avaliações elevadas das empresas de inteligência artificial e pela subida dos preços do petróleo, o mercado beneficiou de um forte movimento de recuperação nas primeiras sessões da semana.
Grande parte deste impulso foi sustentado por compras realizadas por entidades estatais, sobretudo em empresas tecnológicas e fabricantes de semicondutores, setores considerados estratégicos para a autonomia tecnológica do país.
As plataformas públicas de investimento China Reform Holdings e China Chengtong Holdings anunciaram aquisições conjuntas de ações no valor aproximado de 60 mil milhões de yuan, equivalente a cerca de 8,9 mil milhões de dólares, reforçando a confiança dos investidores e apoiando a valorização do mercado acionista chinês.
Este apoio institucional demonstra que as autoridades chinesas continuam empenhadas em estabilizar os mercados financeiros e em reforçar o desenvolvimento dos setores tecnológicos considerados prioritários para o crescimento económico do país.
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Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.
(Artigo sobre a Resumo da Semana de 20 de Julho a 24 de Julho de 2026, formato “Geral”, atualizado com informações até 24 de Julho de 2026. Categoria: Global. Classe de Ativos: N/A. Tags: Global, Resumo da Semana)