Rio Tinto acelera simplificação estratégica com desinvestimentos até 10 mil milhões USD e reforço do foco no cobre
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Strategic Highlights – 05 dezembro 2025
- Plano de desinvestimentos e medidas de produtividade com potencial de gerar entre 5 mil milhões USD e 10 mil milhões USD, através da venda de ativos não core e racionalização operacional.
- Ganhos anualizados de produtividade e poupança de custos de 650 milhões USD, dos quais 370 milhões USD já realizados, com entrega do remanescente no 1.º trimestre.
- Revisão em alta da guidance de produção de cobre para 2025, agora entre 860.000 e 875.000 toneladas, suportada pelo projeto Oyu Tolgoi, na Mongólia.
- Objetivo estratégico de atingir 1 milhão de toneladas/ano de cobre até 2030, reforçando a transição do grupo para metais críticos.
- Início de testes com camiões elétricos em parceria com BHP e Caterpillar, visando redução de diesel e emissões nas operações de minério de ferro.
Nota de Contexto
A Rio Tinto é um dos maiores grupos mineiros globais, com forte exposição ao minério de ferro, mas com uma estratégia cada vez mais orientada para cobre, alumínio e outros metais essenciais à transição energética. O grupo anglo-australiano tem vindo a ajustar o seu portefólio, privilegiando ativos de maior retorno, disciplina de capital e projetos com maior relevância estrutural a médio e longo prazo.
Simplificação estratégica e desinvestimentos
Após a revisão estratégica anunciada em agosto de 2025, a Rio Tinto avança agora com maior detalhe sobre o processo de simplificação da estrutura, reduzindo o grupo de quatro para três unidades operacionais. Este movimento visa aumentar a eficiência, clarificar prioridades de capital e melhorar a perceção dos investidores num contexto de ciclos de commodities mais voláteis.
Os ativos identificados para potencial alienação incluem:
- Negócios de titânio
- Negócios de boratos
- Outros ativos considerados não essenciais, como terrenos, infraestruturas, unidades de processamento e ativos mineiros
O grupo estima que, combinando desinvestimentos e ganhos de produtividade, poderá gerar entre 5 mil milhões USD e 10 mil milhões USD, um valor material que poderá ser direcionado para redução de dívida, retorno aos acionistas ou reforço de projetos estratégicos.
Paralelamente, a empresa está em negociações com a Chinalco, acionista de referência, para resolver restrições de governance que atualmente limitam a flexibilidade em programas de recompra de ações, sinalizando uma preocupação clara com a otimização da estrutura de capital.
Custos, produtividade e disciplina operacional
A Rio Tinto anunciou 650 milhões USD em ganhos anualizados de produtividade e poupança de custos, dos quais:
- 370 milhões USD já foram capturados
- O remanescente será entregue no 1.º trimestre
Estes ganhos incluem reduções de headcount, embora o grupo não tenha divulgado números concretos. Adicionalmente, foi reafirmada a meta de redução de custos unitários em 4% entre 2024 e 2030, reforçando a narrativa de disciplina operacional.
Apesar de alguns analistas considerarem o valor absoluto dos ganhos de custos “modesto”, o mercado valorizou a coerência do plano e a integração destas medidas numa estratégia mais ampla de crescimento seletivo e foco em ativos de maior qualidade.
Reforço do foco no cobre: crescimento estrutural
O cobre assume um papel central na estratégia de médio e longo prazo da Rio Tinto. O grupo revê em alta a produção de 2025, passando para:
- 860.000 – 875.000 toneladas (vs. 780.000 – 850.000 toneladas anteriormente)
Para 2026, a guidance situa-se entre 800.000 e 870.000 toneladas. O principal motor deste crescimento é o projeto Oyu Tolgoi, na Mongólia, onde a empresa prevê:
- Aumento superior a 50% da produção em 2025
- Crescimento adicional de cerca de 15% em 2026
O objetivo declarado é atingir 1 milhão de toneladas de cobre por ano até 2030, num contexto de preços elevados e procura estruturalmente sustentada pela eletrificação, energias renováveis e redes elétricas.
Inovação operacional e descarbonização
Em paralelo com a racionalização do portefólio, a Rio Tinto participa num projeto-piloto de camiões de transporte elétricos na mina de Jimblebar, na região de Pilbara, em parceria com a BHP e a Caterpillar.
O teste envolve:
- Dois camiões elétricos a bateria
- Avaliação de tecnologia de baterias, infraestruturas de carregamento, gestão de energia e cadeias de abastecimento
O objetivo é testar a viabilidade de substituir diesel em operações de grande escala, com impacto direto na redução de emissões e nos custos energéticos de longo prazo. Após o piloto, cada grupo decidirá de forma autónoma se avança para uma implementação em escala.
Impacto de mercado e leitura estratégica
A reação inicial do mercado foi moderadamente positiva, com as ações a subirem mais de 2% na abertura em Londres, antes de devolverem parte dos ganhos. Analistas como a Citi destacam:
- Perspetivas positivas para 2025 e 2026
- Reiteração de crescimento de volumes até 2030
- Normalização do capex
A própria empresa aponta para a possibilidade de os resultados aumentarem até 50% até ao final da década, suportados por disciplina de capital, preços favoráveis das commodities e crescimento do cobre.
Conclusão
A Rio Tinto entra numa nova fase de simplificação estratégica, combinando desinvestimentos relevantes, controlo de custos e reforço claro do foco no cobre. A geração potencial de até 10 mil milhões USD cria margem financeira para reforçar retornos aos acionistas e financiar projetos estruturais, enquanto iniciativas como os testes com camiões elétricos mostram uma abordagem pragmática à descarbonização operacional.
Os próximos catalisadores estarão na execução dos desinvestimentos, na resolução das questões de governance com a Chinalco e na capacidade de entregar, de forma consistente, o crescimento prometido no cobre.
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Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.
(Artigo sobre os Earnings (Resultados) do Rio Tinto, formato “News”, atualizado com informações até 05 de Dezembro de 2025. Categorias: Metais e Minerais. Tags: Acionista, Rio Tinto, Metais, Austrália, Reino Unido, Minerais)