Saudi Aramco, News – 02 Fev 26

Saudi Aramco reforça financiamento, gás e LNG enquanto defende equilíbrio do mercado petrolífero


Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Saudi Aramco. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.


Strategic Highlights – 27 janeiro 2026

  • Saudi Aramco regressou aos mercados globais de dívida com uma emissão de 4 mil milhões de dólares, registando procura superior a 21 mil milhões de dólares.
  • O CEO Amin Nasser rejeitou cenários de excesso de oferta, sublinhando stocks globais baixos e capacidade excedentária limitada a 2,5%.
  • A empresa continua a diversificar para gás e LNG, com novos contratos nos EUA e reforço da estratégia de gás não convencional.
  • Os resultados do 3.º trimestre de 2025 (trimestre civil) refletiram pressão dos preços do crude, parcialmente compensada por maior produção.
  • A trajetória financeira mostra dividendos em queda e dívida em alta, num contexto de ajustamento estratégico e disciplina de capital.

Nota de Contexto

A Saudi Aramco é a maior empresa petrolífera do mundo e o principal exportador global de crude. Controlada maioritariamente pelo Estado saudita, é um pilar central das finanças públicas do país. Para além do petróleo, a empresa tem vindo a acelerar investimentos em gás natural e LNG, alinhando-se com a estratégia de longo prazo da Arábia Saudita de diversificação energética e de receitas. Os resultados trimestrais referidos dizem respeito ao 3.º trimestre civil de 2025.

Regresso aos mercados de dívida com forte apetite dos investidores

Em janeiro de 2026, a Saudi Aramco lançou uma emissão obrigacionista global de 4 mil milhões de dólares, distribuída por quatro maturidades: 3, 5, 10 e 30 anos. A operação destacou-se pela procura robusta, com livros de ordens acima de 21 mil milhões de dólares, permitindo à empresa apertar significativamente os spreads face às indicações iniciais.

  • 3 anos: 60 pontos base acima das Treasuries (vs. 100 bps indicados)
  • 5 anos: 80 bps (vs. 115 bps)
  • 10 anos: 95 bps (vs. ~125 bps)
  • 30 anos: 130 bps (vs. ~165 bps)

Este regresso aos mercados internacionais ocorre após um período de maior seletividade no financiamento, depois de uma emissão de sukuk de 3 mil milhões de dólares em setembro e de um bond de 5 mil milhões de dólares em maio. A leitura estratégica é clara: apesar do aumento do endividamento, o mercado continua a atribuir elevada credibilidade financeira à Aramco, mesmo num ambiente de preços do petróleo menos favorável.

Resultados operacionais: pressão dos preços, recuperação sequencial

No 3.º trimestre civil de 2025, a Aramco registou um lucro líquido de 101,02 mil milhões de riais (cerca de 26,9 mil milhões de dólares), uma queda homóloga de 2,3%, refletindo sobretudo a descida dos preços do crude.

Ainda assim, em termos sequenciais, o desempenho melhorou de forma significativa:

  • O lucro subiu cerca de 19% face ao 2.º trimestre, impulsionado por maior produção e melhores volumes.
  • A produção total de hidrocarbonetos atingiu 13,27 milhões de barris equivalentes por dia, acima dos 12,8 milhões do trimestre anterior.
  • O free cash flow avançou 55% em cadeia, para 23,6 mil milhões de dólares, aproximando-se do valor total de dividendos pagos no período.

A empresa confirmou dividendos de 21,3 mil milhões de dólares no trimestre, mas manteve a indicação de que os pagamentos totais de 2025 deverão cair cerca de 30% face a 2024, refletindo a menor geração de caixa livre.

Dívida, disciplina de capital e ajustamento estratégico

A maior utilização dos mercados de dívida tem um reflexo direto no balanço:

  • A dívida total subiu para 95,1 mil milhões de dólares no final de setembro de 2025, face a 80,9 mil milhões um ano antes.
  • O gearing aumentou para 6,3%, comparando com 1,9% no final de setembro de 2024.

Perante este contexto, a Aramco já sinalizou cortes de custos e alienação de ativos, procurando equilibrar dividendos elevados, financiamento do Estado saudita e investimento estratégico, num cenário de preços menos favorável do crude.

Gás e LNG: pilar central da estratégia de longo prazo

Um dos vetores mais claros de transformação é a aposta no gás natural. A empresa elevou o objetivo de crescimento da capacidade de produção de gás até 2030 para cerca de +80% face a 2021, acima da meta anterior de mais de 60%. Este aumento deverá levar a produção total de gás e líquidos associados para cerca de 6 milhões de barris equivalentes por dia, com destaque para o campo de Jafurah.

No plano operacional, a Aramco adjudicou à SLB um contrato de cinco anos para serviços avançados em campos de gás não convencional, abrangendo estimulação, automação de fraturação e soluções digitais, reforçando a ambição de desbloquear recursos domésticos de gás.

Paralelamente, a expansão no LNG ganhou novo impulso com a assinatura de um contrato de longo prazo com a Commonwealth LNG, garantindo 1 milhão de toneladas por ano, com opção para duplicar para 2 mtpa. A Aramco tem como objetivo atingir 20 mtpa de capacidade de LNG no futuro, posicionando-se como um ator relevante no mercado global, em particular nos Estados Unidos, onde a capacidade de exportação deverá quase duplicar nos próximos anos.

Visão de mercado: excesso de oferta “exagerado”

No Fórum Económico Mundial em Davos, o CEO Amin Nasser rejeitou de forma clara as previsões de excesso de oferta global de petróleo. Segundo o responsável, a procura continua a crescer, sobretudo em economias emergentes, na China e nos Estados Unidos, enquanto os stocks globais permanecem abaixo da média de cinco anos.

Um ponto crítico destacado foi a capacidade excedentária, atualmente em apenas 2,5%, abaixo do nível mínimo considerado confortável de 3%. Nasser alertou que uma aceleração no desmantelamento dos cortes da OPEC+ poderá reduzir ainda mais essa margem de segurança, aumentando o risco de volatilidade de preços.

Conclusão

A Saudi Aramco entra em 2026 com uma estratégia claramente bifurcada: defender a centralidade do petróleo num mercado que considera estruturalmente mais apertado do que o consenso sugere, enquanto acelera a diversificação para gás e LNG. A forte procura pela dívida confirma a confiança dos investidores, mas o aumento do endividamento e a redução dos dividendos sinalizam uma fase de maior disciplina financeira.

No curto prazo, o desempenho continuará sensível à evolução dos preços do crude e às decisões da OPEC+. No médio e longo prazo, a capacidade de transformar o gás num verdadeiro segundo pilar de receitas será determinante para sustentar fluxos de caixa, apoiar o Estado saudita e manter a atratividade da Aramco num contexto energético em transição.    


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Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.

(Artigo sobre a Saudi Aramco, formato “News”, atualizado com informações até 27 de Janeiro de 2026. Categorias: Energia. Classe de Ativos: Ações. Tags: Acionista, Saudi Aramco, Earnings, Petrolífera, Arábia Saudita, Petróleo)

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