Shell, News – 22 Fev 26

Shell acelera rotação de portefólio no LNG e reforça aposta offshore na Nigéria em Janeiro estratégico


Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Shell. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.


Strategic Highlights

  • A Shell está a explorar a venda de até 30% do projeto LNG Canada, podendo reduzir até 75% da sua participação de 40%, numa transação que poderá implicar compromissos até 15 mil milhões USD para um comprador.
  • O projeto LNG Canada (Fase 1), operacional desde Junho de 2025, tem capacidade de 14 milhões de toneladas/ano, com decisão final sobre a Fase 2 possível ainda este ano.
  • Na Nigéria, o projeto offshore Bonga South West poderá atingir decisão final de investimento em 2027, com investimento estimado em cerca de 20 mil milhões USD (metade CAPEX, metade OPEX).
  • A Shell pretende sair do campo sírio al-Omar, em negociação com autoridades locais, num ativo que já produziu 50.000 barris/dia e atualmente opera em torno de 5.000 barris/dia.
  • O presidente de Projects & Technology, Robin Mooldijk, deixará funções a 28 de Fevereiro, reduzindo o comité executivo para oito membros, sem alterações nos segmentos reportados.

Nota de Contexto

A Shell plc é uma das maiores empresas integradas de energia do mundo, com atividade estruturada em Integrated Gas, Upstream, Marketing, Chemicals and Products, Renewables and Energy Solutions e Corporate.

O mês de Janeiro de 2026 foi particularmente ativo do ponto de vista estratégico, combinando possíveis desinvestimentos no Canadá, potencial saída definitiva da Síria, reorganização executiva e avanço de um dos maiores projetos offshore africanos da década.

LNG Canada: reciclagem de capital num activo operacional

O projeto LNG Canada, localizado em Kitimat, British Columbia, representa um investimento total de 40 mil milhões CAD (cerca de 28,8 mil milhões USD) e constitui a primeira grande infra-estrutura de exportação de LNG na costa pacífica da América do Norte.

A Fase 1, operacional desde Junho de 2025, tem capacidade de 14 milhões de toneladas/ano.

A Shell detém atualmente 40% do projeto e está a sondar o mercado para alienar até 30% do activo, o que corresponderia a cerca de 75% da sua posição atual.

Um potencial comprador poderá assumir compromissos na ordem dos 15 mil milhões USD, considerando equity, dívida e requisitos de capital associados à Fase 2.

Leitura estratégica

Esta possível alienação enquadra-se numa lógica clássica de reciclagem de capital em infra-estruturas energéticas:

  • O ativo já entrou em operação, reduzindo risco de construção.
  • Fundos de infra-estrutura tendem a valorizar fluxos estáveis e contratos de longo prazo.
  • A Shell poderá libertar capital significativo antes da decisão final sobre a Fase 2, que poderá duplicar a capacidade.

Importa sublinhar que a Shell mantém ambição de crescimento de 4%–5% anuais nas vendas de LNG nos próximos cinco anos e 1% de crescimento anual de produção, o que sugere que qualquer rotação de participação não representa saída estratégica do LNG, mas sim optimização do capital investido.

Adicionalmente, a empresa manterá um contrato de fornecimento de gás por 30 anos com o terminal, preservando exposição comercial mesmo que reduza a posição acionista.

Nigéria: Bonga South West como pilar offshore de longo prazo

Em contraste com a potencial redução no Canadá, a Shell sinaliza compromisso reforçado no offshore profundo da Nigéria.

O projeto Bonga South West poderá atingir decisão final de investimento em 2027, envolvendo cerca de 20 mil milhões USD de investimento total, segundo o CEO Wael Sawan.

  • Aproximadamente metade corresponderá a investimento de capital.
  • A restante metade será composta por despesas operacionais e outros custos associados.

A Shell já investiu:

  • 5 mil milhões USD em Bonga North nos últimos 12 meses.
  • 2 mil milhões USD no projecto HI gas que alimenta a Nigeria LNG.

Após ter vendido ativos onshore na Nigéria, a Shell aumentou a sua participação no campo Bonga para 65%, reforçando claramente o foco no offshore profundo, onde os riscos operacionais e de segurança são estruturalmente mais controláveis.

Implicação estratégica

A combinação de:

  • Incentivos regulatórios “investment-linked” aprovados pelo governo nigeriano,
  • Maior participação acionista,
  • Escala potencial de 20 mil milhões USD,

posiciona Bonga South West como um dos maiores catalisadores de crescimento upstream da Shell na segunda metade da década.

Síria: saída definitiva de um ativo residual

A Shell solicitou a retirada do campo petrolífero al-Omar, o maior da Síria, transferindo a sua participação para operadores estatais, estando ainda a negociar termos financeiros.

Historicamente, o campo produzia 50.000 barris/dia, mas atualmente opera em torno de 5.000 barris/dia, após anos de conflito e métodos operacionais degradados.

A produção total síria caiu de 400.000 barris/dia antes de 2011 para menos de 100.000 barris/dia atualmente.

Para a Shell, esta saída é coerente com:

  • Suspensão de atividades no país desde Dezembro de 2011.
  • Redução de exposição a jurisdições geopolíticas altamente instáveis.
  • Foco em ativos com escala e retorno previsível.

O impacto financeiro direto é marginal, mas simbolicamente reforça a simplificação do portefólio.

Reorganização executiva: simplificação sem impacto estrutural

A saída de Robin Mooldijk, presidente de Projects & Technology, a 28 de Fevereiro, reduz o comité executivo para oito membros.

Importante:

  • Não existem alterações nos segmentos financeiros reportados.

Trata-se, assim, de uma racionalização organizacional, não de uma mudança estrutural de modelo.

Síntese Estratégica: reciclar LNG, expandir offshore, limpar legado

Janeiro revela uma Shell focada em três vetores centrais:

1. Reciclagem de capital em LNG operacional
Redução potencial de exposição acionista mantendo contratos comerciais de longo prazo.

2. Expansão seletiva em upstream offshore de alta escala
Nigéria como pilar de crescimento estrutural na próxima década.

3. Simplificação geopolítica e organizacional
Saída da Síria e racionalização do comité executivo.

A mensagem implícita é clara:
A Shell está menos focada em expansão volumétrica indiscriminada e mais orientada para otimização do retorno sobre capital e disciplina estratégica.

Conclusão

O conjunto de movimentos de Janeiro posiciona a Shell como uma empresa em fase ativa de rotação de portefólio, procurando equilibrar:

  • Crescimento no LNG global
  • Forte presença offshore em geografias prioritárias
  • Redução de risco geopolítico residual
  • Libertação de capital para oportunidades de maior retorno

A eventual venda parcial no LNG Canada poderá libertar liquidez significativa antes de compromissos adicionais na Fase 2, enquanto o avanço de Bonga South West sinaliza confiança na procura estrutural de crude offshore.

Num ambiente energético marcado por volatilidade de preços e excesso de oferta potencial no LNG, a disciplina de capital e a seletividade geográfica tornam-se diferenciais estratégicos, e a Shell parece posicionar-se precisamente nesse eixo.


Visite o Disclaimer para mais informações.

Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.

(Artigo sobre a Shell, formato “News”, atualizado com informações até 22 de Fevereiro de 2026. Categoria: Energia. Classe de Ativos: Ações. Tags: Acionista, Shell, Energia, Petrolífera, Reino Unido)

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