Shell reforça aposta em upstream de longo ciclo com foco em deepwater e gás (Brasil, Golfo do México, Namíbia e Trinidad)
Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Shell. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.
Strategic Highlights – 11 dezembro 2025
- Shell expandiu exposição ao pré-sal brasileiro, assegurando participação em duas áreas adicionais em Mero e Atapu, num leilão que envolveu pagamentos acima do preço mínimo.
- O grupo está em conversações avançadas para adquirir a LLOG Exploration por mais de 3 mil milhões de dólares, reforçando a sua posição no Golfo do México.
- Na Namíbia, a Shell prepara uma nova campanha de perfuração a partir de abril de 2026, apesar de um write-down de cerca de 400 milhões de dólares reconhecido no início de 2025.
- Em Trinidad & Tobago, o projeto de gás Aphrodite continua pendente de aprovação regulatória, apesar de uma decisão final de investimento (FID) anunciada em junho.
- O conjunto de movimentos evidencia uma estratégia upstream seletiva, orientada para ativos de longa duração, mas com riscos regulatórios e de capital ainda relevantes.
Nota de Contexto
A Shell é uma das maiores empresas integradas de energia a nível global, com um portefólio upstream significativo em deepwater e gás natural. Nos últimos anos, a empresa tem procurado equilibrar disciplina de capital, retorno ao acionista e crescimento seletivo da produção, privilegiando projetos de elevada escala e baixo custo unitário no longo prazo. O foco recente em deepwater e gás está alinhado com essa estratégia, dada a sua relevância para fluxos de caixa duradouros e integração com LNG.
Expansão no Brasil: reforço no pré-sal com compromisso financeiro elevado
No leilão da PPSA de 04 dezembro 2025, a Shell, em consórcio com a Petrobras, garantiu acesso a duas áreas offshore já em produção no pré-sal brasileiro:
- Mero: proposta vencedora de 7,79 mil milhões de reais, cerca de 2% acima do preço mínimo.
- Atapu: proposta de 1,0 mil milhões de reais, aproximadamente 16% acima do mínimo exigido.
Estas áreas conferem direito a uma parcela do output adicional de campos considerados de classe mundial, reforçando a exposição da Shell a ativos de baixo lifting cost e elevada produtividade. Apesar de o leilão ter ficado abaixo da meta global de encaixe definida pelo governo brasileiro, o resultado sublinha a disposição da Shell em alocar capital relevante a projetos já em produção, reduzindo risco de execução técnica.
Para a Shell, o racional estratégico é claro: crescimento incremental em ativos core, num país onde já detém presença material e conhecimento operacional profundo. Contudo, o nível de pagamento, num contexto de preços do crude menos favoráveis, reforça a leitura de que a empresa está disposta a aceitar pressão de curto prazo nos fluxos de caixa em troca de valor estrutural no longo prazo.
Golfo do México: M&A como acelerador de crescimento
Em 09 dezembro 2025, surgiram indicações de que a Shell está em negociações avançadas para adquirir a LLOG Exploration Offshore por mais de 3 mil milhões de dólares. A LLOG produz atualmente cerca de 30.000 boepd, com potencial de crescimento ao longo da década, suportado por:
- Infraestrutura própria, incluindo uma unidade com capacidade para 60.000 bpd de petróleo e 40 milhões de pés cúbicos/dia de gás.
- Um portefólio expandido após a aquisição, em julho de 2024, de 41 blocos (cerca de 236.000 acres) em deepwater.
Para a Shell, esta operação permitiria acrescentar produção imediata, reduzir risco exploratório e consolidar ainda mais a sua posição numa das regiões deepwater mais maduras e rentáveis do mundo. A possível transação está alinhada com o discurso recente da gestão, que tem apontado para M&A seletivo como via preferencial de crescimento, desde que com métricas financeiras atrativas.
Namíbia: retorno à exploração após write-down significativo
Apesar de ter reconhecido, em janeiro de 2025, um write-down de cerca de 400 milhões de dólares relacionado com descobertas consideradas comercialmente inviáveis, a Shell prepara agora uma nova campanha de perfuração no bloco PEL 39, com início previsto para abril de 2026.
- Unidade contratada: Deepsea Mira.
- Parceiros: QatarEnergy e Namcor.
Este movimento demonstra que a Shell continua a ver opcionalidade estratégica na Orange Basin, uma região que ganhou relevância após várias descobertas recentes. Contudo, o histórico recente sublinha o elevado risco exploratório, tornando este investimento mais assimétrico quando comparado com Brasil ou Golfo do México.
Trinidad & Tobago: gás estratégico condicionado por regulação
No Caribe, a Shell enfrenta um cenário distinto. O projeto offshore de gás Aphrodite, apesar de ter tido FID anunciada em junho de 2025, permanece dependente de aprovação governamental. As autoridades exigem a submissão formal de um plano de desenvolvimento de campo, condição necessária para:
- Extensão por 5 anos de quatro licenças offshore.
- Pagamento de um bónus de assinatura de 4 milhões de dólares.
O projeto prevê primeiro gás em 2027 e um pico de produção de 18.400 boepd, sendo estrategicamente relevante para mitigar o shortfall de gás que limita a utilização do Atlantic LNG, onde a Shell detém 45%. O impasse regulatório introduz incerteza de calendário, apesar da importância clara do projeto para o sistema energético local e para a cadeia de LNG da própria Shell.
Perspetiva estratégica integrada
Em conjunto, estes desenvolvimentos mostram uma Shell a reforçar o upstream, mas de forma heterogénea:
- Baixo risco e retorno previsível no Brasil.
- Crescimento acelerado via M&A no Golfo do México.
- Opcionalidade exploratória na Namíbia.
- Dependência regulatória em Trinidad & Tobago.
A estratégia privilegia ativos de longa duração e integração com gás e LNG, mas implica aceitar riscos de execução, capital e regulação distintos entre geografias.
Conclusão
A Shell está a executar uma estratégia upstream seletiva e coerente, reforçando posições em deepwater e gás como pilares do crescimento de longo prazo. O aumento de exposição no Brasil e a potencial aquisição da LLOG oferecem visibilidade e escala, enquanto Namíbia e Trinidad representam opções estratégicas com maior incerteza.
O principal desafio será manter o equilíbrio entre crescimento, disciplina financeira e retornos ao acionista, num contexto em que alguns investimentos exigem desembolsos significativos antecipados e outros continuam condicionados por fatores externos. Os próximos meses em particular a evolução do dossiê LLOG e a aprovação de Aphrodite, serão determinantes para avaliar a execução desta estratégia.
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Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.
(Artigo sobre a Shell, formato “News”, atualizado com informações até 11 de Dezembro de 2025. Categoria: Energia. Classe de Ativos: Ações. Tags: Acionista, Shell, Energia, Petrolífera, Reino Unido)