Siemens Energy, News – 28 Fev 26

Siemens Energy acelera expansão nos EUA enquanto enfrenta pressão ativista para separar o negócio eólico


Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Siemens Energy. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.


Strategic Highlights

  • A Siemens Energy vai investir 1.000 milhões de dólares (c. 850 milhões de euros) para expandir produção de redes elétricas e turbinas a gás nos EUA, incluindo uma nova fábrica no Mississippi concluída até 2028.
  • A expansão adicionará cerca de 20% à capacidade global de produção de grandes turbinas a gás, reforçando a exposição ao mercado elétrico norte-americano.
  • A empresa já assegurou cerca de 20 gigawatts de capacidade de geração para data centres nos EUA, entre encomendas e acordos de reserva.
  • O investidor ativista Ananym Capital defende a separação da Siemens Gamesa, apontando para um potencial de valorização superior a 50% face à capitalização atual.
  • As divisões Gas Services e Grid Technologies poderão gerar cerca de 4.000 milhões de euros de EBITDA cada até 2028, segundo estimativas de mercado.

Nota de Contexto

A Siemens Energy é um dos principais grupos globais de equipamentos e tecnologia para geração e transmissão de energia. O seu portefólio inclui turbinas a gás, soluções para redes elétricas, tecnologias de descarbonização industrial e o negócio eólico Siemens Gamesa.

A empresa atravessou nos últimos anos um período de forte volatilidade associado a problemas operacionais na divisão eólica. Contudo, beneficia atualmente de uma aceleração estrutural da procura elétrica global, impulsionada pela digitalização, eletrificação da economia e crescimento exponencial de data centres ligados à inteligência artificial.

EUA: o mercado elétrico “mais quente” do mundo

A administração considera os Estados Unidos como o mercado elétrico mais dinâmico da atualidade. A decisão de investir 1.000 milhões de dólares insere-se num plano mais amplo de 6.000 milhões de euros de expansão industrial.

Os principais vetores da aposta incluem:

  • Construção de uma nova fábrica de equipamentos de rede no Mississippi, que será a maior do grupo nesta área a nível mundial
  • Reforço da produção de componentes para turbinas a gás
  • Criação de mais de 1.500 postos de trabalho

A conclusão está prevista para 2028.

O racional estratégico é claro: os grandes grupos tecnológicos estão a investir centenas de milhares de milhões de dólares em data centres nos EUA. Estes poderão representar até 12% da capacidade total da rede elétrica norte-americana dentro de dois anos, praticamente o triplo da quota de 2024.

A Siemens Energy já detém cerca de 20 GW associados a projetos de data centres apenas nos EUA, entre encomendas firmes e acordos de reserva, sinalizando forte visibilidade comercial.

Adicionalmente, a expansão norte-americana permitirá à fábrica de turbinas de Berlim, a maior do grupo, concentrar-se mais nos mercados europeu e do Médio Oriente, reduzindo a necessidade de exportações para os EUA e otimizando a cadeia industrial.

Turbinas a gás: de ativos “em risco” a motor de crescimento

Há poucos anos, as turbinas a gás eram vistas como ativos estruturalmente pressionados pela transição energética. A realidade atual alterou esse paradigma.

A necessidade de geração estável e despachável para suportar picos de consumo associados a data centres e eletrificação massiva tornou as turbinas novamente centrais na arquitetura energética.

A expansão anunciada acrescentará cerca de 20% à capacidade global de produção de grandes turbinas, reforçando a exposição a um segmento que se tornou o principal motor de crescimento do grupo.

Este reposicionamento estratégico evidencia como a procura elétrica associada à inteligência artificial está a redefinir cadeias de valor energéticas globais.

Pressão ativista: separar ou manter a Siemens Gamesa?

Em paralelo, a Siemens Energy enfrenta pressão do fundo ativista norte-americano Ananym Capital, que defende uma revisão estratégica visando a separação da divisão eólica Siemens Gamesa.

O argumento financeiro apresentado assenta numa avaliação por partes:

  • Gas Services: ~4.000 milhões de euros de EBITDA estimado em 2028
  • Grid Technologies: ~4.000 milhões de euros de EBITDA estimado em 2028
  • Avaliação implícita de 16,5x EBITDA para estas divisões
  • Transformation of Industry: ~12x EBITDA, avaliada em cerca de 12.000 milhões de euros
  • Siemens Gamesa: ~8.000 milhões de euros, assumindo múltiplo de 7x EBITDA
  • Mais de 5.000 milhões de euros de caixa líquida

Com base nesta soma das partes, o valor implícito aproximar-se-ia de 158.000 milhões de euros, mais de 50% acima da capitalização bolsista atual.

Apesar de as ações terem valorizado cerca de 130% no último ano, continuam a negociar com desconto face à norte-americana GE Vernova.

Contudo, a comparação apresenta nuances relevantes:

  • A GE Vernova gera cerca de 42% das receitas nos EUA, contra 22% da Siemens Energy
  • A exposição superior ao mercado norte-americano, atualmente o mais dinâmico em termos de crescimento elétrico, justifica múltiplos mais elevados

A divisão eólica: risco ou opcionalidade estratégica?

A administração argumenta que a separação imediata da Siemens Gamesa pode ser prematura.

Pontos relevantes:

  • A divisão deverá regressar à rentabilidade em 2026
  • As energias renováveis poderão representar mais de 60% da produção elétrica global até meados do século, segundo projeções setoriais

Separar o ativo precisamente no momento em que poderá entrar numa fase de recuperação operacional pode cristalizar perdas em vez de maximizar valor. Além disso, manter o negócio preserva opcionalidade estratégica num contexto de transição energética estrutural.

O precedente recente das turbinas a gás, anteriormente vistas como ativos em declínio e hoje centrais para o crescimento, reforça o argumento da paciência estratégica.

Implicações Estratégicas

A Siemens Energy encontra-se num ponto de inflexão relevante:

  1. Beneficia de uma procura elétrica estruturalmente crescente impulsionada por IA e eletrificação
  2. Reforça capacidade produtiva num mercado norte-americano altamente dinâmico
  3. Enfrenta pressão acionista para simplificação estrutural
  4. Procura concluir a recuperação da divisão eólica antes de qualquer decisão estrutural

A decisão sobre a Siemens Gamesa será determinante para a narrativa de equity nos próximos 12–24 meses.

Conclusão

A Siemens Energy está a capitalizar o que poderá ser um novo superciclo de investimento elétrico nos Estados Unidos. O investimento de 1.000 milhões de dólares e o aumento de 20% na capacidade global de turbinas reforçam o posicionamento num segmento que voltou a ganhar centralidade estratégica.

Embora o argumento do ativismo apresente lógica financeira atrativa, a administração parece inclinada para uma abordagem gradual, aguardando a recuperação plena da divisão eólica antes de considerar qualquer cisão.

Num mercado onde a procura elétrica associada à inteligência artificial está a reconfigurar cadeias industriais globais, a Siemens Energy posiciona-se como um dos principais beneficiários estruturais, desde que execute com disciplina operacional e preserve equilíbrio estratégico entre crescimento e criação de valor acionista.


Visite o Disclaimer para mais informações.

Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.

(Artigo sobre a Siemens Energy, formato “News”, atualizado com informações até 28 de Fevereiro de 2026. Categoria: Energia. Classe de Ativos: Ações Tags: Acionista, Siemens Energy, Energia, Energia Eólica, Alemanha)

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