SoftBank acelera aposta “all-in” em IA: OpenAI como núcleo e infraestrutura como gargalo estratégico
Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Softbank. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.
Strategic Highlights – 09 Janeiro 2026
- SoftBank completou um investimento total de 41 mil milhões de dólares na OpenAI, passando a deter cerca de 11% da empresa e ancorando a sua estratégia de crescimento em IA numa única participação central.
- A ronda avaliou a OpenAI em cerca de 300 mil milhões de dólares (post-money), mas uma venda secundária em outubro apontou para uma valorização em torno de 500 mil milhões, aumentando a assimetria de retorno potencial para o SoftBank.
- Paralelamente, o grupo reforçou o eixo “IA + infraestrutura” com a compra da DigitalBridge por 4 mil milhões de dólares, acedendo a uma plataforma com cerca de 108 mil milhões de dólares sob gestão focada em data centers e redes digitais.
- A escassez de energia e capacidade de computação torna-se constrangimento-chave: OpenAI e SoftBank vão investir 1 mil milhões de dólares na SB Energy para acelerar campus de datacenters e infraestrutura elétrica, incluindo um site de 1,2 GW no Texas.
- Para financiar a expansão, o SoftBank recorreu a monetização agressiva de ativos (incluindo saída de 5,8 mil milhões de dólares da Nvidia e venda de 4,8 mil milhões de dólares da T-Mobile) e mantém opção de alavancagem via 11,5 mil milhões de dólares de capacidade não utilizada em empréstimos com colateral de ações da Arm.
Nota de Contexto
O SoftBank Group é um conglomerado japonês de investimento e tecnologia liderado por Masayoshi Son, conhecido por apostas concentradas em tendências de longo prazo. Após anos de exposição a software e plataformas digitais através do ecossistema Vision Fund, a estratégia recente desloca-se para um binómio mais “físico”: IA (modelos e software) + infraestrutura (computação, data centers, energia e conectividade). Esta viragem reflete uma mudança estrutural do mercado: a vantagem competitiva em IA está cada vez mais condicionada por capacidade de computação e, sobretudo, por acesso à energia, um recurso que está a transitar de input “commoditizado” para fator limitativo do crescimento.
1) A aposta central: OpenAI como ativo-âncora do portefólio
O movimento mais importante do SoftBank é a consolidação da OpenAI como o “centro de gravidade” do grupo em IA. A conclusão de um investimento total de 41 mil milhões de dólares (incluindo 7,5 mil milhões em abril e mais 22,5 mil milhões posteriormente, com co-investimento sindicado adicional de 11 mil milhões) confere-lhe uma posição acionista de cerca de 11%.
Esta concentração tem três implicações estratégicas:
- Convicção e sinalização: o SoftBank posiciona-se como patrocinador de longo prazo de uma plataforma que é vista como pilar do atual ciclo de investimento em IA.
- Opção de valorização: a transação foi feita com referência a cerca de 300 mil milhões de dólares (post-money), mas o mercado secundário já indicou ~500 mil milhões em outubro. A distância entre os dois níveis sugere que, para o SoftBank, a criação de valor pode ocorrer tanto por execução operacional como por re-rating.
- Risco de concentração: a concentração amplifica retorno potencial, mas também eleva o risco de execução e de ciclo, especialmente num contexto em que o setor debate a possibilidade de excesso de investimento e retorno incerto (“AI bubble”).
2) Infraestrutura como “arma”: DigitalBridge e o controlo de capacidade
A aquisição da DigitalBridge por 4 mil milhões de dólares acrescenta uma camada essencial: acesso direto a ativos e know-how em infraestrutura digital. O acordo prevê um preço de 16 dólares por ação (prémio de 15%), avaliando a empresa em 2,92 mil milhões de dólares, com fecho esperado na segunda metade do próximo ano; o CEO Marc Ganzi mantém-se à frente, operando a plataforma de forma separada.
O elemento que justifica o racional estratégico é a escala: a DigitalBridge gere cerca de 108 mil milhões de dólares em ativos e tem exposição a data centers, torres, fibra e edge.
Para o SoftBank, isto faz a ponte entre “capital de risco” e “capital intensivo”:
- IA exige capex: data centers, chips, refrigeração, servidores e energia.
- Infraestrutura reduz dependência: em vez de depender apenas de fornecedores e parceiros, o SoftBank procura capacidade própria e acesso privilegiado a projetos, aceleração de licenciamentos e pipeline de terrenos/energia.
Em termos de portefólio, a DigitalBridge funciona como plataforma de execução, não apenas como investimento financeiro.
3) Stargate: a escala passa a medir-se em gigawatts
A iniciativa Stargate, descrita como um projeto multi-ano de 500 mil milhões de dólares para construir data centers de treino e inferência, é o “teatro” onde a estratégia do SoftBank ganha (ou perde) tração.
Do ponto de vista económico, o Stargate reforça uma realidade: a competição em IA está a migrar do software para a infraestrutura. A própria expansão da OpenAI foi associada a objetivos de capacidade extrema, com ambições de dezenas de gigawatts e metas de crescimento contínuo de compute, números que, por si só, explicam porque energia e data centers passaram a ser ativos estratégicos e não meros custos operacionais.
A materialização desta prioridade surge no investimento direto em energia e campus:
- OpenAI e SoftBank vão investir 500 milhões de dólares cada (1 mil milhões no total) na SB Energy, com a SB Energy a construir e operar o site de data center de 1,2 GW em Milam County, Texas.
- A SB Energy também se tornará cliente da OpenAI, usando APIs e implementando ChatGPT internamente, o que cria uma relação de duplo sentido: infraestrutura que viabiliza IA e IA que aumenta produtividade e adoção empresarial.
A mensagem implícita é clara: sem energia, não há IA à escala.
4) Financiamento: monetização de ativos, alavancagem opcional e disciplina interna
A agressividade da estratégia obriga a um capítulo de financiamento igualmente agressivo. Para cumprir compromissos de capital ligados à OpenAI, o SoftBank recorreu a várias vias:
- Venda integral da posição na Nvidia (cerca de 5,8 mil milhões de dólares) e redução da participação na T-Mobile (4,8 mil milhões de dólares).
- Existência de 4,2 biliões de ienes de caixa ao nível da holding (cerca de 27,16 mil milhões de dólares) reportados a 30 de setembro.
- Capacidade não utilizada de empréstimos com colateral de ações da Arm aumentada em 6,5 mil milhões de dólares, totalizando 11,5 mil milhões disponíveis, uma “almofada” de liquidez, mas também um vetor potencial de alavancagem em caso de stress.
Além disso, surgem sinais de disciplina e centralização:
- O ritmo de novos negócios no Vision Fund foi reduzido, e decisões acima de 50 milhões de dólares passam a requerer aprovação explícita do CEO.
O atraso no IPO do PayPay (agora esperado no 1.º trimestre de 2026, com potencial de levantar mais de 20 mil milhões de dólares) ilustra que o plano de financiamento também depende de janelas de mercado e fatores exógenos.
Em termos estratégicos, o SoftBank está a tentar resolver um problema típico de megaciclos tecnológicos: o retorno é de longo prazo, mas o capex e o financiamento são imediatos. A capacidade de gerir o equilíbrio entre liquidez, alavancagem e monetização de ativos será tão determinante quanto a tese tecnológica.
5) Perspetiva de mercado: vantagem por escala vs risco de ciclo
A leitura de mercado para 2026 tende a oscilar entre dois polos.
Cenário construtivo
- Se a OpenAI continuar a capturar procura e a transformar-se num “sistema operativo” de IA para empresas, o investimento do SoftBank pode beneficiar de reavaliação adicional e maior monetização.
- A integração vertical (OpenAI + data centers + energia + infraestrutura via DigitalBridge) pode reduzir custos marginais e aumentar confiabilidade de capacidade.
Cenário de risco
- O próprio mercado reconhece o risco de excesso de investimento em data centers e energia caso os retornos não acompanhem o capex, reacendendo a narrativa de “bolha”.
- A concentração de capital numa tese principal aumenta sensibilidade a choques competitivos (por exemplo, aceleração de rivais) e a alterações regulatórias/energéticas.
Um detalhe relevante é que a estratégia do SoftBank parece assumir que a “corrida” não será vencida apenas por melhor modelo, mas por capacidade sustentada de entrega, e essa capacidade, hoje, mede-se em gigawatts, terrenos, ligações à rede e velocidade de execução.
Conclusão
O SoftBank entra em 2026 com uma estratégia mais nítida do que em ciclos anteriores: apostar de forma concentrada na OpenAI e, em paralelo, construir o ecossistema físico que torna possível operar IA à escala. A compra da DigitalBridge e o investimento na SB Energy mostram que o grupo identifica a infraestrutura, e sobretudo a energia, como o principal constrangimento competitivo do setor.
O sucesso desta abordagem dependerá menos de “visão” (que o SoftBank já está a demonstrar) e mais de execução financeira e operacional: gerir liquidez, evitar alavancagem excessiva, acelerar projetos e converter capacidade instalada em receitas recorrentes. Em suma, a tese “all-in” é coerente com a direção do mercado; o desafio é provar que, num ciclo de capex massivo, escala pode ser vantagem, sem se transformar num risco sistémico para o próprio balanço.
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Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.
(Artigo sobre a SoftBank, formato “News”, atualizado com informações até 09 de Janeiro de 2026. Categorias: Comunicações. Classe de Ativos: Ações. Tags: Acionista, Japão, Comunicações, Internet, SoftBank)