Thyssenkrupp, News – 26 Dez 25

Thyssenkrupp acelera reestruturação: aço no centro da crise e valor do grupo sob pressão


Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Thyssenkrupp. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.


Strategic Highlights – 09 dezembro 2025

  • Reestruturação profunda da Thyssenkrupp Steel Europe (TKSE) prevê o corte ou externalização de ~11.000 postos de trabalho (40% da força laboral) e redução de capacidade para 8,7–9,0 milhões de toneladas.
  • O impacto financeiro do plano poderá conduzir a um prejuízo líquido até 800 milhões de euros em 2026, associado sobretudo a provisões e imparidades no negócio de aço.
  • A thyssenkrupp está em negociações avançadas com a Jindal Steel International para a venda da TKSE, após proposta indicativa e due diligence aprofundada.
  • O free cash flow antes de M&A deverá deteriorar-se para -300 a -600 milhões de euros em 2026, após 363 milhões de euros positivos em 2025.
  • A thyssenkrupp Nucera enfrenta um abrandamento acentuado do mercado de hidrogénio verde, com queda esperada de vendas até 41% e margens sob pressão.

Nota de Contexto

A thyssenkrupp AG é um grupo industrial alemão histórico que, nos últimos anos, evoluiu para uma estrutura de holding, com negócios de perfis e riscos muito distintos. O aço continua a ser o maior foco de instabilidade financeira, enquanto outras áreas procuram afirmar valor próprio, incluindo através de entidades parcialmente cotadas. Entre estas destaca-se a thyssenkrupp Nucera, especializada em tecnologias de eletrólise para hidrogénio verde, maioritariamente detida pelo grupo e cotada em Frankfurt. Esta fragmentação estratégica torna essencial analisar o grupo não apenas de forma consolidada, mas também através do desempenho e das perspetivas das suas principais unidades.

Reestruturação do aço: dimensão industrial e social sem precedentes

A crise estrutural do negócio de aço culminou, em setembro de 2025, na aprovação pelos trabalhadores da Thyssenkrupp Steel Europe de um plano de reestruturação profundo. 77% dos votantes, com uma participação de 62%, validaram um acordo que prevê:

  • Redução de capacidade de 11,5 milhões para 8,7–9,0 milhões de toneladas anuais.
  • Corte ou externalização de até 11.000 postos de trabalho, cerca de 40% do total.
  • Poupanças estruturais superiores a 100 milhões de euros por ano, sobretudo em custos de pessoal.
  • Ausência de despedimentos forçados até 2030, mitigando o impacto social imediato.

Em 01 dezembro 2025, a administração formalizou o acordo com o sindicato IG Metall, assegurando financiamento até 30 setembro 2030. Apesar disso, o custo da reestruturação é elevado: a liderança da unidade estima um encargo de várias centenas de milhões de euros, dependente da adesão dos trabalhadores às medidas propostas. A lógica económica é clara: aceitar custos elevados no curto prazo para reduzir de forma permanente a base de custos de um ativo estruturalmente deficitário.

Venda da TKSE à Jindal: solução estratégica ou transferência de risco?

Paralelamente à reestruturação, a thyssenkrupp intensificou o processo de alienação da TKSE. Em outubro de 2025, a Jindal Steel International apresentou uma proposta indicativa, dando início a negociações descritas pela gestão como “intensivas”.

A due diligence aprofundada, iniciada a 22 outubro, revelou os principais obstáculos:

  • Responsabilidades com pensões até 2,7 mil milhões de euros, historicamente o maior entrave à venda.
  • Valor contabilístico da TKSE de 2,4 mil milhões de euros.
  • Estimativa de enterprise value em torno de 2 mil milhões de euros, sugerindo criação de valor limitada para o vendedor após ajustamentos.

A TKSE representa cerca de 28% da força laboral do grupo, com ~26.000 trabalhadores, o que explica a forte intervenção sindical no processo. Em 25 novembro, os representantes dos trabalhadores iniciaram negociações preventivas para garantir emprego, localizações e co-determinação em caso de venda. A transação surge assim menos como uma operação de maximização de preço e mais como um movimento de desalavancagem estratégica, libertando o grupo de um ativo intensivo em capital, volátil e politicamente sensível.

Impacto financeiro no grupo: 2026 como ano de rutura

As consequências desta estratégia refletem-se de forma clara nas projeções financeiras divulgadas a 09 dezembro 2025. A thyssenkrupp antecipou:

  • Prejuízo líquido até 800 milhões de euros em 2026, atribuído sobretudo às provisões ligadas ao aço.
  • Free cash flow antes de M&A entre -300 e -600 milhões de euros, uma inversão relevante face aos 363 milhões de euros positivos em 2025.
  • Resultado operacional ajustado de 500 a 900 milhões de euros, abaixo das expectativas de mercado.

Adicionalmente, o grupo registou imparidades de 600 milhões de euros no exercício anterior, evidenciando a persistência de pressões estruturais, nomeadamente concorrência asiática, tarifas norte-americanas e fraqueza da economia europeia. Apesar deste contexto, a empresa propôs manter o dividendo em 0,15 euros por ação, sinalizando uma tentativa de preservar alguma previsibilidade para os acionistas, mesmo num cenário de resultados negativos.

Thyssenkrupp Nucera: crescimento estrutural travado pelo ciclo

A thyssenkrupp Nucera, frequentemente vista como um vetor de crescimento de longo prazo ligado à transição energética, enfrenta um contexto significativamente mais adverso no curto prazo. Em agosto de 2025, a empresa reportou:

  • Prejuízo líquido de 2 milhões de euros no 3.º trimestre, face a lucro de 7 milhões de euros no período homólogo.
  • Queda de 77% nas encomendas, refletindo adiamentos de decisões de investimento.
  • Free cash flow positivo nos primeiros nove meses, sinal de alguma disciplina financeira.

Já em 24 novembro, a empresa reviu em baixa as perspetivas para o exercício iniciado em outubro:

  • Vendas esperadas de 500–600 milhões de euros, face a 845 milhões de euros no exercício anterior.
  • Resultado operacional entre -30 milhões de euros e break-even.
  • Descrição explícita de um mercado de hidrogénio verde “mais desafiante”, marcado por incerteza macroeconómica e prudência dos investidores.

Este desempenho sublinha que, apesar do potencial estrutural, a Nucera não é imune aos ciclos de investimento e contribui, no curto prazo, pouco para compensar a fragilidade do aço.

Conclusão

A thyssenkrupp atravessa uma fase decisiva de transformação, em que o negócio de aço domina tanto o risco financeiro como a agenda estratégica. A reestruturação profunda da TKSE e o processo de venda à Jindal representam uma tentativa clara de encerrar um capítulo estruturalmente deficitário, ainda que à custa de impactos significativos nos resultados de 2026.

Ao mesmo tempo, as unidades de crescimento, como a thyssenkrupp Nucera, enfrentam um ciclo adverso que limita o seu contributo imediato para o grupo. O resultado é um perfil financeiro pressionado no curto prazo, com elevada incerteza, mas também com potencial de reconfiguração estrutural caso a alienação do aço se concretize e o portefólio remanescente consiga estabilizar fluxos de caixa.

Os próximos meses serão críticos: a conclusão (ou não) da venda da TKSE e a evolução do mercado de hidrogénio determinarão se a thyssenkrupp emerge desta fase como uma holding mais leve e focada, ou se permanece presa a um processo prolongado de ajustamento.


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Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.

Artigo sobre a Thyssenkrupp, formato “News”, atualizado com informações até 09 de Dezembro de 2025. Categoria: Indústria – Outros. Classe de Ativos: Ações. Tags: Acionista, Thyssenkrupp, Alemanha, Indústria – Outros)

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