Thyssenkrupp, News – 29 Jan 26

Thyssenkrupp: venda faseada do negócio do aço à Jindal ganha tração, num setor europeu sob pressão de importações asiáticas e custos sociais elevados


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Strategic Highlights – 07 Janeiro 2026

  • A Thyssenkrupp está a ponderar uma venda faseada da Thyssenkrupp Steel Europe (TKSE) à Jindal Steel International, com um primeiro passo que poderá incluir a venda de c. 60% e o remanescente 40% mais tarde (em duas tranches de 20% ou num único bloco).
  • Uma transação em etapas é vista como forma de gerir um dos maiores obstáculos históricos: c. 2,5 mil milhões de euros de passivos de pensões associados à TKSE, que têm travado tentativas anteriores de venda.
  • A notícia reforçou a perceção de que o desinvestimento “está a ficar mais concreto”, com as ações a subirem até +4,9% no dia, refletindo esperança de simplificação do grupo e redução de risco estrutural.
  • No plano industrial, a TKSE anunciou o encerramento temporário de unidades de aço elétrico na Alemanha e França em meados de dezembro, apontando importações baratas da Ásia e alertando para mais 1.200 empregos em risco.
  • A TKSE já está num programa de redução/outsourcing de 11.000 postos, e um agravamento adicional elevaria os cortes para cerca de 45% da força de trabalho (de 40%), sinalizando a profundidade da crise competitiva do aço europeu.

Nota de Contexto

A Thyssenkrupp é um grupo industrial alemão com atividades que vão de componentes automóveis a defesa naval, mas há anos que o seu negócio de aço domina a narrativa de risco: elevada volatilidade, custos fixos pesados, pressão competitiva global e complexidade social/regulatória. A Thyssenkrupp Steel Europe é um ativo emblemático para a indústria alemã, mas tornou-se difícil de rentabilizar num contexto de excesso de capacidade global e concorrência asiática agressiva. A estratégia do grupo tem evoluído no sentido de ficar “mais leve”, reduzir complexidade e desbloquear valor via reestruturação e desinvestimentos.

1) Negociação com a Jindal: “estrutura faseada” para destravar o nó das pensões

O elemento novo e decisivo nesta ronda de conversações é a ideia de uma venda por fases, em vez de uma alienação total imediata. O desenho discutido, Jindal com maioria (~60%) primeiro, e a Thyssenkrupp a sair do remanescente depois, é especialmente relevante por duas razões.

Primeiro, permite que a Thyssenkrupp ganhe tempo e flexibilidade para tratar o maior entrave a qualquer transação: os passivos de pensões de cerca de 2,5 mil milhões de euros associados à TKSE. Um takeover gradual cria espaço para negociar como estes passivos são financiados, repartidos ou reestruturados ao longo do tempo, evitando que o “preço” do problema torne o negócio impraticável logo à partida.

Segundo, uma venda faseada mantém a Thyssenkrupp envolvida na reestruturação durante o período de transição, o que pode ser determinante para reduzir risco de execução para o comprador. Numa indústria onde a rentabilidade depende de capacidade instalada, mix de produtos, contratos de energia e disciplina operacional, a reestruturação é parte integrante da tese, não um detalhe posterior.

O facto de a Jindal estar em due diligence desde outubro e de uma delegação técnica estar prevista para visitar a Alemanha em janeiro (com foco na fábrica de Duisburg) sugere que as conversações passaram de “interesse exploratório” para uma etapa de validação operacional.

2) Reação do mercado: re-rating assente em simplificação e redução do “drag” do aço

A subida das ações até +4,9% na sequência do desenvolvimento indica que o mercado vê um potencial catalisador de reavaliação: retirar (ou reduzir) o peso do aço num grupo que tenta ser mais focado e menos intensivo em capital.

O racional é claro:

  • Menos volatilidade nos resultados consolidados se a exposição ao aço diminuir.
  • Potencial redução de incerteza ligada a reformas laborais, conflitos sociais e necessidade de capital recorrente.
  • Maior capacidade de alocar recursos aos segmentos com perfil de retorno e crescimento mais previsível.

A leitura também sugere fadiga do mercado com anos de “procura de comprador” sem desfecho: o comentário de que a venda está “a ficar mais concreta” capta bem o que está em jogo, credibilidade de execução.

3) Fundamentos do setor: importações asiáticas e “stress” no aço elétrico expõem fragilidade europeia

O pano de fundo para a venda é a deterioração operacional. A TKSE anunciou o fecho temporário de unidades de aço elétrico na Alemanha e França, atribuindo o choque a importações da Ásia que estariam a subcotá-la de forma relevante.

Este detalhe é particularmente importante porque o aço elétrico de grão orientado (GOES) é descrito como crítico para:

  • turbinas eólicas,
  • redes elétricas,
  • infraestrutura da transição energética.

Ou seja, trata-se de um produto estratégico, e ainda assim vulnerável a dumping de excedentes globais. A TKSE alertou que as importações de GOES triplicaram em três anos e que em 2025 estariam +50%, pressionadas também por desvios de fluxos devido a tarifas mais duras noutros mercados.

O sinal que isto envia ao investidor é incómodo: mesmo em segmentos “estratégicos” e ligados à transição energética, a Europa enfrenta dificuldades em manter produção competitiva sem proteção comercial eficaz ou sem uma estrutura de custos radicalmente mais leve.

4) Emprego e reestruturação: a dimensão social como variável financeira

A TKSE já tem em curso cortes ou outsourcing de 11.000 postos. A indicação de mais 1.200 empregos em risco, elevando a redução potencial para cerca de 45% da força de trabalho, mostra que a reestruturação não é incremental; é existencial.

Isto importa para a operação com a Jindal por três vias:

  1. Custo e timing: reestruturações profundas tendem a consumir caixa e tempo (indemnizações, acordos laborais, reorganização de capacidade).
  2. Risco político: uma venda a um grupo estrangeiro num ativo simbólico alemão pode exigir compromissos explícitos sobre emprego, investimento e produção local.
  3. Valuation: quanto maior a perceção de “burning platform”, mais o comprador ganha poder negocial, a menos que a Thyssenkrupp consiga ancorar a transação num plano credível de estabilização.

5) O que significa “venda em fases” para a tese de investimento

Uma transação faseada pode ser interpretada como compromisso pragmático entre duas necessidades opostas:

  • A Thyssenkrupp quer acelerar a simplificação do portefólio, mas não consegue “entregar” o aço com todas as obrigações resolvidas de imediato.
  • A Jindal quer entrar na Europa e ganhar escala, mas evita absorver de uma vez riscos de pensões, dívida e reestruturação.

Ao dividir a operação, o risco passa a ser gerido por “milestones”:

  • progresso na reestruturação;
  • clarificação de responsabilidades de pensões;
  • evolução de condições de mercado (incluindo medidas comerciais na UE);
  • desempenho operacional da TKSE após ajustes de capacidade.

O trade-off é que uma venda faseada pode prolongar a exposição da Thyssenkrupp ao aço durante o período de transição, mas, em contrapartida, aumenta a probabilidade de um acordo viável.

Conclusão

A Thyssenkrupp parece estar mais perto de um desfecho que procura há anos: uma saída do aço através de uma venda à Jindal Steel International. O avanço mais relevante é o desenho faseado, com uma entrada inicial na ordem dos 60% e aquisição posterior do remanescente, que pode destravar o principal bloqueio histórico, os passivos de pensões de ~2,5 mil milhões de euros, e manter a Thyssenkrupp envolvida na reestruturação numa fase crítica.

O contexto setorial, porém, continua adverso. O fecho temporário de unidades de aço elétrico e a ameaça de cortes adicionais de emprego evidenciam a pressão de importações asiáticas e a dificuldade da Europa em proteger e rentabilizar produção mesmo em materiais estratégicos para a transição energética. Para o mercado, o tema-chave em 2026 será a credibilidade: se a due diligence e as negociações evoluírem para um acordo com estrutura clara de obrigações (pensões, investimento, capacidade), a Thyssenkrupp pode ganhar um re-rating por simplificação e redução de volatilidade. Se as conversações falharem, a empresa regressa ao cenário de “plano B” num negócio estruturalmente pressionado, e com custos sociais e financeiros cada vez mais difíceis de adiar.


Visite o Disclaimer para mais informações.

Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.

Artigo sobre a Thyssenkrupp, formato “News”, atualizado com informações até 07 de Janeiro de 2026. Categoria: Indústria – Outros. Classe de Ativos: Ações. Tags: Acionista, Thyssenkrupp, Alemanha, Indústria – Outros)

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