TotalEnergies, News – 07 Jan 26

TotalEnergies e Galp: consolidação estratégica em África convive com pressão política, judicial e disciplina de capital


Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a TotalEnergies. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.


Strategic Highlights – 16 Dezembro 2025

  • A TotalEnergies tornou-se operadora da descoberta Mopane, na Namíbia, após um asset swap com a Galp, reforçando o controlo sobre os dois maiores achados petrolíferos do país (Mopane e Venus).
  • O acordo é visto como claramente mais favorável à TotalEnergies, enquanto a Galp sofreu uma queda bolsista superior a 11%, refletindo preocupações com capex futuro e ausência de cash upfront.
  • Em contraste, a TotalEnergies perdeu 2,2 mil milhões USD de apoio público europeu ao projeto Mozambique LNG, após retirada de garantias do Reino Unido e Países Baixos por riscos de segurança e direitos humanos.
  • O grupo francês acelerou a rotação de portefólio, vendendo participações na Nigéria e Malásia para reduzir dívida e financiar crescimento seletivo.
  • Paralelamente, a TotalEnergies reforçou a aposta em gás e moléculas de baixo carbono, com projetos de synthetic LNG nos EUA e ajustamentos em infraestruturas europeias de LNG.

Nota de Contexto

A TotalEnergies é uma das majors europeias mais ativas na reconfiguração do portefólio energético, combinando exploração petrolífera seletiva, expansão em LNG e investimentos em soluções de transição energética. A Galp, por seu lado, atravessa uma fase de maior sensibilidade acionista, após vários anos de foco em retorno de capital e disciplina de investimento. Os recentes desenvolvimentos em África e Ásia expõem uma divergência crescente entre escala estratégica e tolerância ao risco financeiro.

Namíbia: Mopane consolida liderança regional da TotalEnergies

O anúncio de 9 de dezembro marcou um ponto de inflexão na exploração offshore da Namíbia. Através de um asset swap, a TotalEnergies:

  • Passa a deter 40% da licença PEL83, que inclui o projeto Mopane.
  • Assume a operação do ativo, reforçando controlo técnico e estratégico.
  • Compromete-se a financiar 50% dos custos de exploração e avaliação da Galp, a serem reembolsados futuramente via cash flow.

Em contrapartida, a Galp recebe:

  • 10% da licença PEL56 (Venus).
  • 9,4% da licença PEL91, ambas lideradas pela TotalEnergies.

As três licenças são adjacentes, o que cria um cluster integrado no offshore namibiano. TotalEnergies e Galp planeiam perfurar três poços adicionais em Mopane entre 2026 e 2028, com o objetivo explícito de desenvolver um hub de produção de grande escala.

Analistas do RBC classificaram o acordo como “mais construtivo para a TotalEnergies do que para a Galp”, sublinhando:

  • Ausência de pagamento imediato.
  • Potencial aumento do capex futuro da Galp.
  • Maior concentração de risco exploratório no curto prazo.

Galp: redução de risco operacional, mas pressão de mercado

Do ponto de vista estratégico, a Galp defendeu que o acordo:

  • Reduz o risco técnico e financeiro do projeto Mopane.
  • Cria um caminho mais claro para desenvolvimento futuro, agora sob liderança da TotalEnergies.

No entanto, o mercado reagiu de forma negativa:

  • As ações da Galp caíram mais de 11% no dia do anúncio.
  • Investidores penalizaram a diluição de controlo, o perfil de capex e a ausência de monetização imediata.

Este episódio reforça a leitura de que, num contexto de maior aversão ao risco, o mercado privilegia cash returns visíveis em detrimento de opcionalidade exploratória, mesmo em ativos potencialmente transformacionais.

Mozambique LNG: risco político sobrepõe-se à lógica energética

Em contraste com a clareza estratégica na Namíbia, o projeto Mozambique LNG tornou-se um foco de instabilidade. A 1 de dezembro, o Reino Unido e os Países Baixos retiraram 2,2 mil milhões USD em apoio financeiro, após avaliações de:

  • Riscos de segurança acrescidos.
  • Alegações de violações de direitos humanos associadas à presença militar na região.

Embora a TotalEnergies tenha:

  • Rejeitado qualquer cumplicidade em crimes.
  • Afirmado que o projeto pode avançar sem esse financiamento, recorrendo a capital próprio.

O episódio:

  • Aumenta o risco reputacional e político.
  • Pode atrasar decisões finais de investimento.
  • Reforça o prémio de risco aplicado a grandes projetos em geografias instáveis.

Disciplina de capital: vendas seletivas para proteger o balanço

Em paralelo, a TotalEnergies acelerou a gestão ativa do portefólio:

  • Venda de 40% de licenças offshore na Nigéria à Chevron, mantendo a operação, mas reduzindo exposição financeira.
  • Alienação de ~10% de um bloco de gás na Malásia à PTTEP, no contexto de pressão dos investidores para redução de dívida.

Estes movimentos:

  • Libertam capital.
  • Financiam projetos de maior prioridade estratégica.
  • Sinalizam uma abordagem mais disciplinada e seletiva face a aquisições passadas.

LNG e transição: adaptação pragmática

A TotalEnergies continua a posicionar o gás como eixo central da transição:

  • Decidiu relocar o terminal flutuante de LNG de Le Havre, após decisão judicial que concluiu que a situação de emergência energética em França já não se verifica.
  • Avançou com um projeto de synthetic LNG no Nebraska, em parceria com a Tree Energy Solutions e empresas japonesas, com FID previsto para 2027 e arranque em 2030.

Este projeto visa:

  • Produzir metano sintético a partir de CO₂ biogénico e eletricidade renovável.
  • Fornecer gás de menor intensidade carbónica a clientes japoneses.
  • Reforçar a presença da TotalEnergies nos EUA como hub energético e tecnológico.

Leitura estratégica: escala compensa risco, até certo ponto

A análise integrada revela uma TotalEnergies:

  • Extremamente eficaz na consolidação de ativos estratégicos (Namíbia).
  • Disposta a aceitar risco geopolítico, mas cada vez mais seletiva.
  • Atenta à disciplina financeira, num contexto de maior escrutínio dos investidores.

Para a Galp, o acordo com a TotalEnergies reduz risco técnico, mas expõe uma tensão estrutural entre:

  • Ambição exploratória.
  • Expectativas de retorno imediato do mercado.

Conclusão

Os desenvolvimentos recentes confirmam a TotalEnergies como uma das majors mais ativas e pragmáticas na reorganização do setor energético global. A consolidação na Namíbia reforça o seu posicionamento em petróleo de grande escala, enquanto a rotação de ativos e a aposta em LNG, tradicional e sintético, demonstram disciplina e adaptação. No entanto, o caso de Moçambique sublinha que o risco político continua a ser um fator determinante na criação de valor. Para a Galp, o desafio será convencer o mercado de que a redução de risco hoje justifica a renúncia a controlo e cash flow imediato.


Visite o Disclaimer para mais informações.

Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.

(Artigo sobre a TotalEnergies, formato “News”, atualizado com informações até 16 de Dezembro de 2025. Categorias: Energia. Tags: Acionista, TotalEnergies, Petrolífera, França, Hidrogénio, Energia Eólica, Petróleo)

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