Trump Media, News – 18 Jan 26

Trump Media: perdas crescentes no core, aposta de 6 mil milhões USD em fusão nuclear e um “equity story” cada vez mais dependente de narrativa política


Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Trump Media. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.


Strategic Highlights – 18 Dezembro 2025

  • A Trump Media & Technology Group (DJT) registou um prejuízo trimestral de 54,8 milhões USD no 3.º trimestre, mais do que duplicando face aos 19,2 milhões USD do período homólogo, com receitas a cair 3,8% para apenas 972.900 USD.
  • A empresa incorreu em 20,3 milhões USD em custos legais no trimestre, reforçando a pressão estrutural sobre um modelo de negócio ainda incapaz de gerar escala económica.
  • Em contraste com os resultados fracos, a Trump Media anunciou uma fusão totalmente em ações de cerca de 6 mil milhões USD com a TAE Technologies, apostando na energia de fusão nuclear como novo vetor de crescimento.
  • O anúncio fez disparar as ações cerca de +35% num só dia, apesar de o título acumular uma queda superior a -70% nos últimos 12 meses, sublinhando a dominância do trading político e especulativo sobre fundamentos.
  • A operação levanta preocupações explícitas de conflitos de interesse, com congressistas democratas a pedirem escrutínio, dado o potencial acesso a fundos federais num setor emergente apoiado pela política energética dos EUA.

Nota de Contexto

A Trump Media é a empresa-mãe da rede social Truth Social, principal canal de comunicação pública de Donald Trump. Desde a sua entrada em bolsa em março de 2024, via SPAC, a empresa tem sido caracterizada por elevada volatilidade, fraca transparência operacional (não divulga utilizadores ativos) e uma dependência quase total de publicidade e da exposição política do seu fundador. O negócio nunca apresentou rentabilidade e o seu valor de mercado tem sido sustentado mais por narrativa e momentum do que por fundamentos económicos.

1) Resultados: um core estruturalmente deficitário

Os números do 3.º trimestre de 2025 expõem a fragilidade do negócio base:

  • Receitas: 972.900 USD, em queda de -3,8% a/a
  • Prejuízo líquido: 54,8 milhões USD, vs 19,2 milhões USD no ano anterior
  • Custos legais: 20,3 milhões USD num único trimestre

A Truth Social continua a ser o único motor operacional relevante, mas a empresa não divulga métricas críticas como utilizadores ativos diários ou mensais, dificultando qualquer avaliação rigorosa de tração ou monetização futura.

Leitura estratégica: sem escala de utilizadores, sem diversificação de receitas e com custos fixos elevados, o core da Trump Media permanece estruturalmente deficitário e incapaz de sustentar, por si só, uma capitalização bolsista relevante.

2) Volatilidade acionista: política como driver dominante

As ações da Trump Media são descritas pela Reuters como um “volatile favourite of retail investors”, reagindo mais a eventos políticos e anúncios estratégicos do que a resultados financeiros.

Antes do anúncio da fusão com a TAE:

  • o título tinha perdido mais de 70% em 12 meses;
  • o declínio ocorreu apesar da permanência de Donald Trump no centro do debate político e mediático.

A reação de +35% ao anúncio da fusão confirma que o mercado está disposto a ignorar perdas recorrentes desde que surja uma nova narrativa de crescimento.

3) A fusão com a TAE: da social media à energia de fusão

A 18 dezembro 2025, a Trump Media anunciou uma fusão em ações, avaliada em cerca de 6 mil milhões USD, com a TAE Technologies, uma empresa apoiada pela Google focada em energia de fusão nuclear.

Elementos-chave da operação:

  • acionistas de cada empresa deterão cerca de 50% da nova entidade;
  • a Trump Media tornar-se-á uma holding, agregando Truth Social, TAE Power Solutions e TAE Life Sciences;
  • o grupo pretende iniciar a construção da primeira central de fusão à escala comercial em 2026;
  • a Trump Media compromete-se a fornecer até 300 milhões USD em cash à TAE (200 milhões no signing e 100 milhões na fase de registo).

Leitura estratégica: a operação transforma radicalmente o “equity story”, de uma empresa de social media deficitária para uma aposta de longo prazo numa tecnologia ainda não comprovada comercialmente.

4) Fundamentos vs narrativa: IA, data centres e “power crunch”

A lógica estratégica apresentada liga a fusão a três grandes temas:

  • crescimento explosivo de data centres e IA;
  • necessidade de fontes energéticas limpas e escaláveis;
  • renovado interesse político na energia nuclear.

Analistas descrevem o negócio como um “Barbenheimer mashup”: a Trump Media ganha uma história de crescimento futurista; a TAE ganha um atalho para os mercados públicos.

Implicação: embora a narrativa seja potente, o risco tecnológico é extremo. A fusão nuclear, apesar de décadas de investigação, ainda não demonstrou viabilidade comercial, tornando o horizonte de cash flows altamente incerto.

5) Conflitos de interesse e escrutínio político

O anúncio ocorre semanas depois de executivos do setor da fusão se terem reunido com o Departamento de Energia dos EUA, que criou recentemente o seu primeiro fusion office.

Um congressista democrata alertou publicamente para:

  • conflitos de interesse;
  • potenciais vias de captura de fundos públicos;
  • necessidade de supervisão do Congresso para garantir que o benefício é público e não privado.

Dado que Donald Trump detém cerca de 40% da Trump Media (114 milhões de ações), que passariam para cerca de 20% após a fusão, o risco reputacional e político torna-se parte integrante da tese de investimento.

Conclusão

A Trump Media chega ao final de 2025 com um contraste extremo entre fundamentos fracos e narrativa ambiciosa. O negócio core continua a gerar receitas inferiores a 1 milhão USD por trimestre e prejuízos crescentes, pressionados por custos legais e falta de escala.

A fusão de 6 mil milhões USD com a TAE Technologies injeta uma nova história, energia de fusão, IA e data centres, que o mercado acolheu com entusiasmo imediato. No entanto, trata-se de uma aposta de risco tecnológico e político elevado, dependente de avanços científicos incertos e potencial apoio governamental.

Para investidores, a leitura é clara: a Trump Media deixa de ser avaliada como empresa de media e passa a ser negociada como um veículo de opcionalidade política e tecnológica extrema. Em 2026, o risco central não será apenas executar um plano industrial altamente ambicioso, mas provar que a fusão não é apenas uma distração narrativa para mascarar um core estruturalmente deficitário.


Visite o Disclaimer para mais informações.

Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.

(Artigo sobre a Trump Media, formato “News”, atualizado com informações até 18 de Dezembro de 2025. Categoria: Media e Entretenimento. Classe de Ativos: Ações Tags: Acionista, EUA, Trump Media, Redes Sociais, Media e Entretenimento)

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