Trustpilot afunda após posição curta da Grizzly Research e acusações de “extorsão”
Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Trustpilot. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.
Strategic Highlights — 04 dezembro 2025
- As ações da Trustpilot (TRST.L) caíram mais de 30% após a Grizzly Research divulgar uma posição curta.
- A Grizzly acusou a empresa de criar perfis falsos que publicariam reviews negativas e, depois, pressionar empresas a pagar subscrições.
- O short seller descreveu o alegado modelo como “mafia-style extortion” e afirmou que clientes subscritores veriam ratings subir de <2/5 para >4/5.
- A Trustpilot rejeitou o relatório, dizendo que contém alegações “selective, misleading”, omitindo contexto e factos públicos e revelando falta de entendimento sobre o funcionamento da plataforma.
- A cotação caiu para 131,2 pence às 14:06 GMT, um mínimo de quase dois anos, segundo a peça.
Nota de Contexto
A Trustpilot, fundada em 2007 na Dinamarca, é uma plataforma global de reviews online que permite a consumidores partilhar feedback e a empresas gerir reputação através de ratings e avaliações geradas por utilizadores.
O que aconteceu e porquê é relevante
O movimento de mercado descrito é desencadeado por um evento típico de “choque reputacional”: a divulgação de uma posição curta por parte da Grizzly Research, acompanhada por alegações severas sobre a integridade do ecossistema de reviews. Em negócios cuja proposta de valor depende de confiança, qualidade do conteúdo e perceção de imparcialidade, acusações deste tipo tendem a amplificar a volatilidade, não apenas pelo potencial impacto comercial, mas também pelo risco de erosão do “capital reputacional” que sustenta o produto.
A reação imediata, uma queda de mais de 30%, sugere que o mercado tratou o relatório como um risco material no curto prazo, independentemente de ainda não existir, neste documento, validação externa das acusações.
As alegações centrais da Grizzly Research
Segundo a Reuters, a Grizzly Research apresentou um conjunto de acusações com três pilares, todos eles com implicações diretas para a credibilidade da plataforma:
- Criação de perfis falsos e reviews negativas
A acusação indica a existência de perfis falsos usados para publicar avaliações negativas, o que teria como consequência colocar empresas sob pressão reputacional. - Pressão comercial para subscrição paga
O short seller afirma que, após esse contexto de reputação degradada, a Trustpilot pressionaria empresas a adquirir subscrições, insinuando que o “remédio” seria pago. - Distorção do sistema de moderação/validação
O relatório, segundo a notícia, alega um padrão assimétrico:
- reviews negativas genuínas de empresas subscritoras seriam contestadas ou removidas;
- reviews positivas falsas seriam “permitidas”.
A peça inclui ainda uma alegação quantitativa (apresentada como exemplo de efeito) que concentra a atenção do mercado pela sua clareza e impacto: empresas com subscrição paga veriam o score subir de menos de 2/5 estrelas para mais de 4/5 estrelas. Este tipo de afirmação, por ser simples e visualmente forte, tende a dominar a narrativa mesmo quando o detalhe metodológico não é explicado no excerto.
A resposta da Trustpilot: linha de defesa e enquadramento
A Trustpilot rejeitou as acusações e procurou enquadrar o relatório como um exercício “narrativo” e não factual, usando três ângulos principais:
- Seleção e enviesamento: o relatório seria “selective, misleading and framed to support a predetermined narrative”.
- Omissão de contexto e factos públicos: teria omitido “key context and publicly available facts”, criando uma impressão falsa.
- Incompreensão do modelo: indicou “lack of understanding of how Trustpilot works”.
Esta resposta é relevante por duas razões. Primeiro, coloca o foco no processo (como funciona a plataforma e como se interpreta a moderação) em vez de se limitar a negar os resultados. Segundo, sugere que a disputa é tanto técnica (mecanismos de moderação e validação) como reputacional (credibilidade do “mercado de reviews”).
Reação do mercado: preço, velocidade e mensagem
O documento reporta que as ações caíram para 131,2 pence por volta das 14:06 GMT, descrito como um mínimo de quase dois anos. O “drawdown” superior a 30% indica uma reprecificação brusca do risco, típica de:
- aumento da incerteza quanto à qualidade do ativo intangível (confiança na plataforma);
- elevação do prémio de risco por potencial impacto na procura (consumidores) e no lado comercial (empresas).
Mesmo sem, neste documento, qualquer detalhe sobre resultados financeiros, guidance ou métricas operacionais, o comportamento do preço fornece um sinal: o mercado trata a confiança no sistema de reviews como variável central para o valor da empresa.
Implicações estratégicas: onde o risco se concentra
Com base apenas no que está no texto, há quatro implicações estratégicas que se destacam:
1) Integridade do produto = integridade do negócio
Se a discussão pública passar a ser “o sistema é manipulável”, a plataforma pode ver pressionado o seu papel de árbitro reputacional. E, numa plataforma de confiança, o risco principal nem sempre é a veracidade de uma alegação isolada, mas o efeito cumulativo na perceção.
2) Sensibilidade acrescida a narrativas de “pay-to-play”
A alegação de que a subscrição paga se relaciona com melhoria de rating (de <2/5 para >4/5) alimenta uma narrativa de “pagas e resolves”. A Trustpilot rejeita a leitura e acusa o relatório de omitir contexto, mas a simples existência do ângulo é, por si só, um risco de comunicação.
3) Gestão de confiança em dois lados do mercado
O documento descreve um ecossistema com consumidores (conteúdo gerado por utilizadores) e empresas (gestão de reputação). Alegações de remoção de reviews negativas genuínas e tolerância de reviews positivas falsas colocam pressão simultânea nos dois lados: consumidores podem duvidar do conteúdo; empresas podem recear a imprevisibilidade do sistema.
4) Volatilidade como novo “baseline” no curto prazo
A queda abrupta para 131,2 pence e mínimo de quase dois anos sugere que, enquanto a narrativa não estabilizar (por clarificações adicionais, escrutínio externo ou comunicação continuada), o ativo pode continuar sensível a manchetes, interpretações e “follow-ons” do tema.
O que monitorizar a seguir (derivado do documento)
Sem extrapolar para fora do texto, há pontos de acompanhamento que decorrem diretamente do tipo de acusações e da resposta da empresa:
- Clareza adicional da Trustpilot sobre “como funciona” a plataforma (já que a empresa afirma que o relatório não o compreende).
- Evolução do discurso público em torno de “reviews falsas”, “remoção de reviews negativas” e “subscrições”, pois são os elementos específicos citados na peça.
- Persistência do movimento do preço após o choque inicial, dado o registo de mínimo de quase dois anos e a magnitude da queda.
Conclusão
O episódio de 4 dezembro 2025 coloca a Trustpilot sob uma pressão típica de plataformas cuja vantagem competitiva assenta em confiança: uma posição curta acompanhada de alegações duras e facilmente comunicáveis (“mafia-style extortion”, melhoria de rating de <2/5 para >4/5) desencadeou uma reprecificação imediata, com a ação a cair mais de 30% e a tocar 131,2 pence, mínimo de quase dois anos.
A Trustpilot respondeu rejeitando as acusações e classificando o relatório como seletivo e enganador, enfatizando omissões de contexto e incompreensão do funcionamento da plataforma. O ponto estratégico central, à luz do documento, é simples: quando o produto é “confiança”, o risco principal é a degradação da perceção e é isso que o mercado parece ter precificado com força no próprio dia.
Visite o Disclaimer para mais informações.
Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.
(Artigo a Trustpilot, formato “News”, atualizado com informações até 04 de Dezembro de 2025. Categorias: Tecnologia. Classe de Ativos: Ações. Tags: Acionista, Dinamarca, Trustpilot, Tecnologia)