Wells Fargo, News – 09 Fev 26

Wells Fargo acelera ambição em banca de investimento enquanto enfrenta pressão na margem financeira


Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Wells Fargo. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.


Strategic Highlights – 14 Janeiro 2026

  • Lucro do 4.º trimestre fica abaixo das estimativas, com EPS de 1,62 USD face a 1,67 USD esperado, penalizando a reação do mercado.
  • NII de 12,33 mil milhões USD no trimestre, +4% em termos homólogos, mas abaixo do consenso, com orientação para 50 mil milhões USD em 2026.
  • Forte avanço na banca de investimento, com o banco a subir para 8.º lugar global em M&A, após anos fora do top 10.
  • Fim do asset cap regulatório permite expansão do balanço acima de 2 biliões USD e maior capacidade competitiva.
  • Reestruturação contínua de custos, com 612 milhões USD em despesas de rescisões e redução consistente do número de trabalhadores.

Nota de Contexto

O Wells Fargo é o quarto maior banco dos Estados Unidos e esteve durante vários anos limitado por um asset cap regulatório, imposto após o escândalo das contas falsas. A remoção desse limite em junho de 2025 marcou um ponto de viragem estratégico, permitindo ao banco voltar a crescer o balanço e investir em áreas consideradas prioritárias, como a banca de investimento e os mercados de capitais.
Sob a liderança de Charlie Scharf, o grupo tem procurado reposicionar-se como um banco universal mais equilibrado, combinando eficiência operacional, disciplina de custos e ambição renovada em segmentos historicamente menos relevantes no seu portefólio.

Resultados do 4.º trimestre: crescimento, mas abaixo do consenso

No 4.º trimestre de 2025 (trimestre civil), o Wells Fargo apresentou um desempenho sólido em termos absolutos, mas insuficiente para corresponder às expectativas do mercado:

  • Lucro líquido: 5,36 mil milhões USD, vs. 5,08 mil milhões USD no período homólogo;
  • EPS: 1,62 USD, abaixo do consenso de 1,67 USD;
  • Net Interest Income: 12,33 mil milhões USD, +4% YoY, mas abaixo dos 12,46 mil milhões USD esperados.

A margem financeira continua pressionada, apesar do ambiente de taxas ainda elevadas, refletindo concorrência nos depósitos e alguma normalização após o forte ciclo de subida de juros.

Para 2026, o banco apontou para cerca de 50 mil milhões USD de NII, ligeiramente abaixo do consenso, o que ajuda a explicar a reação negativa das ações no curto prazo.

Disciplina de custos e reconfiguração operacional

A melhoria estrutural do banco continua a ser financiada por uma política rigorosa de custos. No trimestre, o Wells Fargo registou:

  • 612 milhões USD em custos de rescisões;
  • Redução do número de trabalhadores para 205.198, face a 210.821 no final de setembro.

Desde 2020, o headcount tem diminuído de forma contínua, com a gestão a destacar o papel da automatização e da inteligência artificial como alavancas adicionais de eficiência nos próximos anos.

Banca de investimento: salto histórico em M&A

O contraste mais marcante com a pressão na margem financeira surge na banca de investimento. O Wells Fargo registou um avanço histórico, passando de 17.º lugar em 2024 para 8.º lugar global em M&A por volume em 2025, o maior salto entre os grandes bancos.

Este progresso foi suportado por:

  • Uma vaga de contratações de managing directors (mais de 125 desde 2019);
  • Reforço das equipas de M&A, leveraged finance e equity capital markets;
  • Aproveitamento de uma base ampla de relações corporativas domésticas.

O banco participou em operações de grande visibilidade, incluindo:

  • Uma operação de 72 mil milhões USD no sector de media;
  • Um negócio ferroviário de 85 mil milhões USD, com fees estimados superiores a 50 milhões USD.

O CEO estabeleceu explicitamente o objetivo de posicionar o Wells Fargo entre os cinco maiores bancos de investimento, uma meta ambiciosa, mas cada vez menos teórica após a remoção do asset cap.

Crescimento permitido pelo fim das restrições regulatórias

O levantamento das ordens de consentimento e do limite aos ativos permitiu:

  • Expansão do balanço para mais de 2 biliões USD;
  • Maior capacidade de financiamento a clientes de banca de investimento;
  • Recuperação de competitividade face a rivais como JPMorgan e Goldman Sachs.

Embora o banco ainda esteja longe da liderança em receitas de M&A, a trajetória sugere um reposicionamento estrutural, e não apenas um ganho cíclico.

Equilíbrio delicado entre curto e longo prazo

O momento do Wells Fargo é marcado por um claro desfasamento:

  • Curto prazo: pressão na margem financeira, guidance conservador e sensibilidade elevada às expectativas do mercado;
  • Médio prazo: melhoria estrutural, crescimento permitido pelo novo enquadramento regulatório e ambição clara em banca de investimento.

Este equilíbrio exige execução rigorosa para evitar que o investimento em crescimento seja neutralizado por margens mais fracas ou custos de transição excessivos.

Conclusão

O Wells Fargo entra em 2026 numa fase de transformação avançada, libertado de constrangimentos regulatórios históricos e com ambições renovadas em banca de investimento. O desapontamento nos resultados do 4.º trimestre e no guidance de NII sublinha que o caminho não é linear.

Ainda assim, o salto histórico em M&A, a expansão do balanço e a disciplina de custos indicam que o banco está a reconstruir a sua relevância competitiva. Para os investidores, o caso Wells Fargo é cada vez mais uma aposta na execução estratégica de médio prazo, mais do que num desempenho trimestral imediato.


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Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.

(Artigo sobre a Wells Fargo, formato “News”, atualizado com informações até 14 de Janeiro de 2026. Categorias: Serviços Financeiros. Classe de Ativos: Ações. Tags: Acionista, EUA, Wells Fargo, Bancos, Serviços Financeiros)

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