Westpac, News – 31 Dez 25

Westpac sob pressão em governance e execução hipotecária: protesto de investidores expõe fricções num ciclo de margens comprimidas


Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com o Westpac. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.


Strategic Highlights – 11 dezembro 2025

  • O diretor não-executivo Peter Nash foi reeleito no Westpac, mas com um protesto relevante: c. 40% dos votos foram contra a sua recondução, refletindo desconforto dos investidores com o seu histórico na ASX.
  • A contestação foi amplificada por recomendações de proxy advisors e ocorre num contexto em que a ASX enfrenta pressão regulatória crescente, após falhas operacionais, incluindo um outage no ano anterior.
  • A gestão colocou a fraude digital no centro da agenda: o Westpac investiu mais de 500 milhões de dólares australianos em prevenção de scams e fraude nos últimos 5 anos, defendendo maior ação de plataformas como a Meta.
  • No motor de resultados do retalho, o Westpac reconhece fragilidade de execução: a quota de hipotecas originadas via brokers subiu de 52% (2023) para 67,5% (2025), num momento em que os bancos procuram cortar dependência de intermediários para proteger margens.
  • O enquadramento macro descrito pelo CEO é construtivo mas assimétrico: a economia está “em boa posição”, enquanto o RBA mantém a taxa em 3,6% e admite que o próximo movimento poderá ser em alta se a inflação persistir.

Nota de Contexto

O Westpac é o segundo maior banco australiano por capitalização bolsista e um dos “Big Four” do país, com forte dependência do crédito à habitação e do retalho como motores de rentabilidade. No mercado australiano, a originação de hipotecas é cada vez mais intermediada por brokers, o que aumenta a pressão competitiva e reduz a capacidade dos bancos de defenderem margens e fidelização. Neste contexto, a estratégia setorial tem convergido para reforço de canais próprios e controlo de custos, com um peso crescente de temas como governance, compliance e fraude digital.

Governance: reeleição com “voto de protesto” torna-se sinal de alerta

A reeleição de Peter Nash no conselho do Westpac não encerra o tema; transforma-o num indicador visível de tensão entre investidores e board. A magnitude do protesto, cerca de 40% a votar contra, é elevada para padrões de assembleias de bancos e sugere que a instituição terá de gerir um problema de perceção, independentemente de o resultado formal ter sido favorável.

O foco da contestação não é uma questão operacional do Westpac, mas sim a associação de Nash à ASX, onde foi diretor durante seis anos até setembro, num período descrito como de “upheaval” e sob crescente escrutínio regulatório. A lembrança de um outage de trading e settlement no ano anterior alimenta a narrativa de risco reputacional e de standards de governação.

A leitura estratégica aqui é dupla:

  1. A tolerância do mercado para temas de governance está mais baixa, especialmente quando ligados a entidades reguladas e infraestruturas críticas (como a bolsa).
  2. Um voto contra desta dimensão cria custo político interno: mesmo reeleito, um diretor passa a atuar sob pressão acrescida, com impacto potencial na dinâmica do conselho e na forma como o banco comunica prioridades.

Fraude digital: investimento elevado e mudança de narrativa sobre “responsabilidade” no ecossistema

No mesmo fórum (AGM), o CEO Anthony Miller puxou a fraude digital para o centro, com números que enquadram a escala do problema: o Westpac gastou mais de 500 milhões de dólares australianos nos últimos cinco anos em prevenção de scams e fraude, incluindo ferramentas de deteção e sistemas de proteção ao cliente.

A mensagem-chave não é apenas de investimento; é de atribuição de responsabilidade. O CEO afirma que os bancos não conseguem resolver sozinhos a “scams scourge”, pedindo ação de outras partes do ecossistema, incluindo plataformas de redes sociais como a Meta.

Isto tem implicações estratégicas relevantes:

  • Custos estruturais: fraude e compliance tornam-se um “run-rate” permanente, não um custo extraordinário.
  • Risco de eficiência: em ciclos de margens mais apertadas, estes investimentos competem diretamente com despesas de crescimento (pessoas, canais próprios, tecnologia comercial).
  • Pressão regulatória indireta: ao colocar publicamente o tema fora do perímetro bancário, o Westpac sinaliza que o problema pode exigir intervenção regulatória transversal, o que pode alterar regras do jogo (e custos) no setor.

Hipotecas e margens: o Westpac está a perder terreno no canal próprio

O segundo eixo crítico é comercial: a dependência de brokers na originação de hipotecas na Austrália atingiu cerca de 80% dos novos empréstimos (estimativa UBS), tornando o país um dos mercados mais dependentes de intermediação a nível global.

Num ambiente de taxas mais baixas, custos mais elevados e concorrência intensa, os bancos procuram reduzir esta dependência porque os empréstimos originados internamente tendem a ser 20% a 30% mais bem remunerados do que o “broker book” (referência feita no artigo). O racional é simples: menos comissões, maior controlo do relacionamento e mais espaço para cross-sell e fidelização.

É aqui que o Westpac surge como caso mais delicado. Ao contrário da direção estratégica do setor, a quota de hipotecas originadas via brokers no Westpac aumentou de 52% em 2023 para 67,5% em 2025.

O CEO reconhece a raiz do problema como um défice de capacidade comercial interna: “perdemos demasiados gestores de crédito à habitação… estamos a recuperar”, implicando uma fase de reconstrução do canal proprietário.

Do ponto de vista económico, este ponto é central porque:

  • As hipotecas podem representar até 65% dos livros de crédito dos principais bancos, e o retalho cerca de 45% dos lucros.
  • O setor terminou 2025 com margens (NIM) em torno de 1,8% (apenas +2 pb), enquanto os lucros combinados dos Big Four ficaram em ~30 mil milhões de dólares australianos, -4,5% em termos anuais.

Interpretação: quando a rentabilidade setorial está comprimida e a competição por quota hipotecária se intensifica, a capacidade de originar internamente passa de “opção estratégica” para necessidade defensiva. O Westpac, ao ver a componente broker subir, está a partir de uma posição menos favorável para defender margens.

Enquadramento macro: economia “bem”, mas política monetária com assimetria

Miller descreve a economia australiana como estando numa “boa posição” e associa cortes anteriores de taxas a maior consumo e confiança. No entanto, a referência ao RBA é especialmente relevante: a taxa foi mantida em 3,6% e o banco central sinalizou que o próximo movimento poderá ser em alta se a inflação se mostrar persistente.

Para o Westpac, isto introduz uma assimetria:

  • Por um lado, consumo/confiança favorecem volumes e menor deterioração de crédito.
  • Por outro, a possibilidade de subida de taxas pode reacender pressão sobre capacidade de pagamento e sensibilidade do mercado hipotecário, precisamente quando o banco está a tentar “reconquistar” originação própria e defender spreads.

Conclusão

O Westpac entra no final de 2025 com dois desafios visíveis e interligados. Em governance, a reeleição de um diretor com ~40% de votos contra revela uma fratura que o banco terá de gerir com comunicação e sinalização de padrões mais exigentes, sob pena de o tema voltar a reemergir em próximos ciclos.

Em execução comercial, a subida do peso de brokers para 67,5% em 2025 (vs. 52% em 2023) aponta para uma debilidade concreta na máquina de originação própria num momento em que o setor procura precisamente o oposto para proteger margens.

A isto soma-se um “terceiro custo” estrutural: fraude e proteção ao consumidor, onde o Westpac já investiu > 500 milhões de dólares australianos em cinco anos e pressiona por corresponsabilização de plataformas digitais.

Os próximos passos estratégicos, à luz deste material, passam por: (i) estabilizar a narrativa de governance com resposta clara ao sinal dos investidores; (ii) acelerar contratação e reconstrução de canais proprietários em crédito à habitação; e (iii) manter controlo rigoroso de custos num ambiente em que a política monetária pode voltar a apertar.


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Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.

(Artigo sobre o Westpac, formato “News”, atualizado com informações até 11 de Dezembro de 2025. Categoria: Serviços Financeiros. Classe de Ativos: Ações. Tags: Acionista, Westpac, Austrália, Earnings, Serviços Financeiros, Bancos)

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