Woodside Energy, News – 25 Fev 26

Woodside reforça “equity story” de crescimento em LNG: contrato de 5,8 bcm com a Turquia, Louisiana como âncora e Scarborough a caminho do primeiro cargo no 4T26


Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a Woodside Energy. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.


Strategic Highlights

  • A Woodside assinou um contrato vinculativo com a BOTAS (Turquia) para fornecer cerca de 5,8 mil milhões de m³ de LNG por até nove anos, com início em 2030, convertendo o acordo não vinculativo de setembro num compromisso de longo prazo.
  • O fornecimento para a Turquia será maioritariamente suportado pelo projeto Louisiana LNG (EUA), complementado pelo portefólio global da Woodside; o projeto teve FID em final de abril e aponta a primeiro gás em 2029.
  • No fecho de 2025, a Woodside atingiu produção anual recorde de 198,8 milhões de boe, acima do guidance, suportada por desempenho forte em ativos-chave como Sangomar, Shenzi e Pluto LNG.
  • Para 2026, a empresa apontou guidance de produção mais baixo (face às expectativas), atribuindo-o a manutenção planeada e a um “turnaround” relevante em Pluto LNG no 2T, além do timing de novos volumes de Scarborough.
  • O projeto Scarborough estava 94% concluído no final do ano e mantém-se dentro do orçamento, com o primeiro cargo de LNG agora apontado para o 4T 2026 (o mercado antecipava 3T 2026).

Nota de Contexto

A Woodside Energy é o maior produtor de gás natural da Austrália e uma das principais plataformas independentes de LNG no hemisfério sul. O seu “equity story” é tipicamente avaliado por três eixos: (i) capacidade de gerar caixa num ciclo de preços volátil, (ii) execução de megaprojetos (capex, calendário, ramp-up) e (iii) qualidade comercial do portefólio, isto é, contratos de longo prazo que suportem projetos e reduzam risco de mercado.

O período analisado mostra uma Woodside a reforçar simultaneamente a dimensão comercial (contratos) e a operacional (entregas de projeto), mesmo num enquadramento de preços de petróleo e gás mais fracos.

1) Contrato com a BOTAS: entrada estrutural na Turquia e prova de “bankability” para a Louisiana

O acordo com a BOTAS é relevante por três razões.

Primeiro, pela escala e horizonte: 5,8 mil milhões de m³ ao longo de até nove anos, com início em 2030. Para uma utility/operador estatal como a BOTAS, este tipo de compromisso tende a ser orientado para segurança de abastecimento e diversificação de fontes, o que, do lado do vendedor, melhora a previsibilidade de receita e a qualidade do portefólio contratual.

Segundo, pela geografia: trata-se do primeiro contrato de LNG de longo prazo da Woodside para o mercado turco, sinalizando expansão comercial para um hub regional que está entre a Europa, o Mediterrâneo e o Médio Oriente e que historicamente tem procurado flexibilidade de abastecimento.

Terceiro, pela ligação direta ao projeto Louisiana LNG. A Woodside explicitou que o LNG será maioritariamente abastecido a partir da Louisiana, com complemento do seu portefólio. Isto é importante porque contratos de venda funcionam como “âncoras” para justificar investimento e financiamento, sobretudo num ambiente em que projetos de LNG enfrentam escrutínio de capex, licenciamento e risco político.

2) Louisiana LNG: FID recente e calendário que alinha com a entrega à Turquia

O contrato com a Turquia encaixa no calendário industrial do projeto:

  • FID / aprovação final: final de abril
  • Primeiro gás esperado: 2029
  • Início do contrato com a BOTAS: 2030

Este alinhamento sugere uma estratégia comercial clássica em LNG: “vender” volumes com antecedência suficiente para reduzir risco de colocação e, em paralelo, construir flexibilidade via portefólio (capacidade de complementar com outros ativos caso haja atrasos ou otimização de cargas).

Há ainda um enquadramento político mencionado: a Louisiana foi o primeiro projeto de LNG nos EUA a receber luz verde financeira após o regresso de Donald Trump à presidência e a sua agenda de expansão energética. Sem entrar em especulação, isto indica que a Woodside procura aproveitar um ambiente regulatório norte-americano que, neste período, é percecionado como mais favorável a LNG.

3) 2025: recorde de produção e “resiliência” operacional apesar de preços mais fracos

Do lado operacional, a Woodside apresentou um fecho de 2025 forte, com produção anual recorde de 198,8 milhões de boe, acima do guidance. O texto sublinha contributos de ativos-chave e uma execução estável.

Este ponto tem dois efeitos na leitura de mercado:

  1. Amortece a pressão de preços mais baixos (o trimestre foi descrito como ocorrendo com os preços de petróleo mais fracos desde 2020).
  2. Reforça credibilidade de execução, o que é particularmente relevante quando a empresa está a pedir ao mercado que “acredite” em calendários de projetos (Scarborough) e em ramp-up futuro.

A reação do mercado no dia também foi construtiva, com as ações a subirem intradiariamente, sugerindo que o mix “produção forte + pipeline de crescimento” ainda encontra procura em investidores, mesmo num setor com debate estrutural sobre transição energética.

4) Guidance 2026 mais baixo: manutenção e timing, mas com leitura de “conservadorismo” na comunicação

A Woodside sinalizou produção mais baixa em 2026, citando:

  • manutenção planeada
  • “turnaround” relevante em Pluto LNG no 2T
  • timing de novos volumes de Scarborough

O mercado tende a penalizar guidance mais baixo quando sugere deterioração estrutural; aqui, a leitura é mais de calendário e planeamento de paragens.

Aliás, analistas referidos interpretaram o guidance como conservador e lembraram que a empresa, no passado, apresentou guidance inicial abaixo do consenso e acabou por o rever em alta e entregar acima do topo do intervalo. Essa perceção de “conservadorismo intencional” pode reduzir o impacto negativo do guidance na avaliação, porque o investidor passa a tratar a orientação como “base case prudente”, não como “best estimate”.

5) Scarborough: 94% concluído, dentro do orçamento, mas com primeiro cargo adiado para 4T26

O projeto Scarborough surge como o grande catalisador de curto prazo. Os dados são claros:

  • 94% concluído no final do ano
  • dentro do orçamento
  • primeiro cargo de LNG esperado no 4T 2026, quando antes o mercado apontava para 3T 2026

O deslizamento de um trimestre é, por si só, gerível; o que importa é o “pacote” completo: progresso físico elevado, chegada da unidade flutuante ao campo e início de atividades de “hook-up”, e manutenção de controlo de custos.

Implicação estratégica: se Scarborough entrar em operação no 4T26 como indicado, a Woodside entra em 2027 com um perfil de volumes e cash flow potencialmente mais robusto, o que melhora a capacidade de sustentar dividendos, reduzir alavancagem e/ou acelerar ambições comerciais (como os contratos ligados à Louisiana).

6) Beaumont New Ammonia: sinal de diversificação, mas ainda em fase de “commissioning”

A Woodside confirmou a primeira produção de amónia em Beaumont em dezembro, com “commissioning” a continuar para início de 2026.

Embora não existam números de capacidade ou economics neste conjunto de dados, o ponto é relevante como marcador estratégico: a empresa continua a construir opções fora do core tradicional de LNG/petróleo, mas o foco de curto prazo do mercado deverá manter-se na execução de Scarborough e na consolidação comercial da Louisiana.

Conclusão

A Woodside está a construir uma narrativa coerente de crescimento em LNG com três peças que se reforçam mutuamente: (i) contratos de longo prazo, como o acordo com a BOTAS de 5,8 bcm a partir de 2030, (ii) uma âncora de supply futura via Louisiana LNG com primeiro gás em 2029, e (iii) execução avançada de Scarborough (94% concluído, dentro do orçamento), apesar do primeiro cargo agora apontado para o 4T26.

No curto prazo, o principal risco continua a ser execução e disponibilidade operacional em 2026 (manutenções, paragens e timing de novos volumes). Ainda assim, o recorde de produção de 198,8 milhões de boe em 2025 sugere que a empresa entra neste ciclo com uma base operacional forte. O “teste” para o mercado será simples: transformar progresso de projeto e contratos em volumes e cash flow sustentáveis, e fazê-lo num ambiente em que o escrutínio a megaprojetos energéticos continua elevado.


Visite o Disclaimer para mais informações.

Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.

(Artigo sobre a Woodside, formato “News”, atualizado com informações até 25 de Fevereiro de 2026. Categorias: Energia. Classe de Ativos: Ações. Tags: Acionista, Woodside, Energia, Petróleo, Petrolífera, Austrália)

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